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O tabagismo é um grave problema de saúde pública no Brasil, afetando cerca de 18 milhões de pessoas, o que representa 9% da população. Este hábito é responsável por mais de 200 mil mortes anuais no país, além de contribuir para doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é o principal causador de mortes por câncer de pulmão (71%), doenças respiratórias crônicas (42%) e doenças cardiovasculares (10%), sendo também um fator de risco para doenças transmissíveis como a tuberculose. Sem medidas adequadas de controle, estima-se que o tabagismo cause 8 milhões de mortes anuais até 2030. A cessação do tabagismo é uma prioridade de saúde pública, pois muitos fumantes enfrentam barreiras emocionais e psicológicas no processo de abandono. Nesse contexto, as práticas integrativas e complementares (PICs), como a auriculoterapia, têm se mostrado eficazes, ajudando a aliviar sintomas de abstinência e a controlar emoções. Reconhecida pelo Ministério da Saúde, a auriculoterapia tem ganhado destaque na Atenção Básica, onde sua implementação é mais acessível e integrada ao Sistema Único de Saúde. As PICs são essenciais para promover a saúde mental de indivíduos em tratamento de dependência química, fortalecendo a autoestima, autonomia e qualidade de vida dos usuários, e considerando suas necessidades emocionais no processo de cessação.
O objetivo deste estudo é investigar a eficácia da auriculoterapia como prática integrativa e complementar no processo de cessação do tabagismo, avaliando seu impacto no alívio dos sintomas de abstinência e no controle emocional de fumantes. Além disso, busca-se explorar a relevância da integração de práticas como a auriculoterapia nos serviços de Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS), visando promover uma abordagem mais holística e acessível no tratamento da dependência do tabaco, com foco no bem-estar emocional e na qualidade de vida dos usuários.
Os encontros do grupo aconteceram em uma Unidade Básica de Saúde do município de Assis, e foi estruturado em três grupos. Cada grupo participou de cinco encontros semanais e três quinzenais, com base no protocolo do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para a cessação do tabagismo. A metodologia combinou intervenções comportamentais e cognitivo-comportamentais, com foco na redução da prevalência de fumantes e na promoção da cessação, utilizando o apoio grupal como um incentivo à mudança. A intervenção incluiu sessões de auriculoterapia, reconhecida pelo Ministério da Saúde como prática integrativa e complementar, para aliviar sintomas de abstinência. Os participantes foram avaliados previamente e selecionados com base em critérios de inclusão e exclusão, como serem residentes de Assis e estarem registrados nas unidades de saúde, garantindo acompanhamento contínuo. A intervenção também ofereceu tratamentos farmacológicos, como bupropiona e terapia de reposição de nicotina para pacientes com maior dependência. A equipe multiprofissional, composta por farmacêutico, médico, nutricionista, dentista, psicólogo, entre outros, contribuiu com orientação e apoio integral durante os encontros, que trataram desde sensibilização e autocontrole até estratégias para evitar recaídas. Após a fase inicial, os encontros passaram a ser quinzenais, oferecendo suporte contínuo para garantir o sucesso do processo de cessação.
A análise dos resultados demonstrou a efetividade das intervenções, com cerca de 70% dos usuários conseguindo cessar o tabagismo até o segundo encontro, evidenciando a eficácia da abordagem que combina orientações cognitivas e comportamentais com suporte multiprofissional. Os participantes que receberam auriculoterapia, prática reconhecida pelo Ministério da Saúde, apresentaram melhores resultados no controle dos sintomas de abstinência, como ansiedade e irritabilidade. Além disso, foi identificado que as dificuldades na cessação do tabagismo estavam frequentemente relacionadas a questões socioemocionais, como ansiedade crônica, depressão e a falta de suporte social, o que dificultou o abandono do cigarro. Esses resultados indicam que o apoio psicológico contínuo e estratégias de enfrentamento emocional são essenciais para o sucesso da cessação. O Ministério da Saúde reforça a importância de considerar os aspectos emocionais e sociais no tratamento, ressaltando o papel do fortalecimento da rede de apoio e da promoção de práticas de saúde mental para garantir resultados duradouros.
Os resultados da intervenção para cessação do tabagismo indicaram um impacto positivo, com cerca de 70% dos usuários conseguindo abandonar o hábito até o segundo encontro. Isso reforça a importância de programas estruturados que combinam orientações cognitivas e comportamentais, com suporte psicológico e abordagem multiprofissional. No entanto, a Atenção Básica enfrenta lacunas no atendimento psicológico, o que destaca a necessidade de uma estratégia mais abrangente e uma rede de apoio robusta. A auriculoterapia também teve bons resultados no controle de sintomas de abstinência, como ansiedade e irritabilidade, mostrando seu valor como prática integrativa em programas de saúde. A análise revelou que fatores socioemocionais, como ansiedade crônica, depressão e falta de suporte social, são obstáculos significativos para a cessação. Isso reforça a importância de suporte psicológico contínuo e estratégias de enfrentamento. A integração das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) e o fortalecimento das redes de apoio são essenciais para garantir a eficácia e a sustentabilidade das intervenções de cessação do tabagismo.
praticas integrativas;promoção da saude; tabagismo
LUANE GAVA, STEPHANY MIRANDA ALVES