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O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, resultado da interação entre diversos fatores biológicos, psicológicos, sociais e o enfrentamento emocional singular. Apresenta-se como uma experiência profundamente individual, marcada pela ambivalência entre o desejo de morrer para aliviar o sofrimento e um apelo por ajuda. No cenário municipal, houve o aumento das notificações do agravo relacionando os pensamentos impulsivos (na pluralidade) com os sentimentos de tristeza, desesperança, automutilação, baixa autoestima e transtornos como depressão e ansiedade evidenciado nas buscas ativas, além da falta de apoio social, discriminação, violência no ambiente escolar e o uso de substâncias psicoativas associados a uma menor capacidade de lidar com frustrações e adversidades. Nos atendimento diário de porta aberta no CAPS II Adulto, notaram-se fendas nas estratégias de valorização da vida que instigaram a aglutinação de outros indicadores associados às situações da vida experimentadas pelo principal perfil de usuários acolhidos (mulheres em período fértil , nos últimos 2 anos de busca ativa). A diferença entre os sexos biológicos também se tornou um fator relevante ao qual gerou lacunas para a reorganização das ações de saúde em Francisco Morato, município que participa da RRAS 03 e DSR 1 de São Paulo.
Melhorar a articulação em rede com a expansão do acesso à informação entre as unidades de saúde e garantir o direito à vida dos usuários em sofrimento mental.
Entre janeiro de 2023 a dezembro de 2024 servidores envolvidos na Coordenação de Saúde Mental e Vigilância em Saúde elaboraram um fluxo de direcionamento das fichas dos SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) de Intoxicação Exógena e Violência Interpessoal/Autoprovocada geradas pelas Unidades de Saúde de Francisco Morato para mediações na progressão dos agravos. A gestão da Autarquia em Saúde programou encontros com profissionais de saúde da rede da Atenção Básica e Urgência e Emergências do município entre agosto de 2023 a setembro de 2024 para a capacitação no preenchimento e contextualização dos impactos dos conteúdos do SINAN (Imagem 1). O atual fluxo conta com o direcionamento semanal das fichas relacionadas a tentativa de suicídio pela Vigilância Epidemiológica para o CAPS II Adulto de Francisco Morato. Os técnicos de Saúde mental realizaram visitas domiciliares se dividindo por bairros, agendam os atendimentos individuais, orientavam sobre o acolhimento de porta aberta na rede de saúde e preenchiam uma planilha no Google DRIVE (Imagem 2) para configuração de dados.
Em 2023, as buscas ativas através de visitas domiciliares se tornaram insuficientes para a continuidade da assistência em saúde mental, dos 76 usuários registrados apenas 13 apresentaram a adesão no seguimento na atenção psicossocial. Em 2024, houve a permanência dos desencontros com o público-alvo, porém a reorganização dos processos de acolhimento em saúde mental no CAPS, o acolhimento na Atenção Primária de Saúde, notabilidade da Rede de Urgência e Emergência para a notificação, a adesão aumentou para 21 usuários em seguimento psicossocial frente aos 81 usuários investigados. A divulgação na mídia social mesmo que, de maneira inexata, nos faz refletir sobre o impacto da resolubilidade de nas unidades frente ao atendimento de saúde mental mental e a “loucura”. O Quantitativo de usuários investigados por tentativa de suicídio entre dezembro 2022 a dezembro de 2023 somou um total de 76 usuários, sendo 27 do sexo masculino e 49 do sexo feminino considerando as idades entre 18 a 69 anos. Em 2024, o quantitativo pela mesma causa entre somou um total de 65 usuários, sendo 20 do sexo masculino e 45 do sexo feminino considerando as faixas mesmas etárias entre novembro de 2023 a novembro de 2024. Frente aos desafios das buscas ativas, a gestão identificou a necessidade de compartilhar os registros de atendimento psicossocial em prontuários eletrônicos junto às Unidades de Saúde da Família, para a atualização dos cadastros sociais e articulação de rede.
Findando a análise de dados, consideramos como preâmbulo nas tratativas das fichas a importância do treinamento do preenchimento dos dados no SINAN nas principais portas de entrada que conduzem os primeiros atendimentos ao usuário. A interpretação criteriosa dos casos pela Vigilância Epidemiológica e direcionamento para o CAPS II Adulto alavancou a qualidade no manejo do atendimento e na categorização das desigualdades sociais, econômicas, sobrecarga mental do usuário e na rastreabilidade do público dominante (mulheres em período fétil) com potencial risco de distúrbios psicossociais. Vale ressaltar que o principal enfoque de práticas de saúde mental para assistência, geralmente, está voltada na destreza da contenção do usuário de forma física, mecânica e de maneira medicamentosa em vasta escala no ambiente de saúde e atendimento Pré-Hospitalar. Assim sendo, verificamos a necessidade de multiplicar as práticas de acolhimento voltado à valorização da vida e treinamento da escuta qualificada dos servidores envolvidos na primeira linha de cuidado que acolhe o usuário nas unidades do Sistema Único de Saúde.
suicídio, saúde mental, CAPS
EDUARDO DA SILVA HORTA, PEDRO HENRIQUE CLARIM PEREIRA, RAFAEL MARQUES DE SOUZA