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Nos últimos anos, a indústria do tabaco apresenta o dispositivo eletrônico para fumar (DEF), como alternativa de “risco reduzido e útil” a parar de fumar. Estudos recentes mostram a existência de 2,9 milhões de consumidores de DEF no Brasil, especialmente entre o público jovem (IPEC. 2023). A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a existência elevada da nicotina, 80 substâncias cancerígenas e metais pesados na composição. Além disso, contém grandes variedades de aditivos com vários sabores cujos efeitos são desconhecidos. Embora muitos usuários os considerem menos danosos à saúde, em comparação ao cigarro comum, a realidade é complexa. O aumento do consumo e falta de evidências cientificas sobre os efeitos em longo prazo gera preocupações. Outro aspecto importante é o efeito atrativo que o DEF produz no imaginário dos jovens, passando uma ideia de que fumar é charmoso, autêntico e tecnológico, podendo facilitar a iniciação ao uso da nicotina desencadeando uma nova geração de tabagistas. No Brasil, os DEFs têm sua comercialização, importação e propaganda proibida pala RDC-46/2019 da ANVISA. Entretanto, sua acessibilidade continua sendo um desafio. Em suma, o uso do DEF é uma tendência que, apesar de apresentar-se como uma alternativa moderna ao tabaco convencional, traz consigo um conjunto de desafios aos gestores públicos e impactos sobre o SUS, o que torna a educação em saúde nas escolas uma ferramenta essencial para conscientização dos jovens sobre os riscos à saúde.
Demonstrar a importância e os resultados das ações de educação em saúde sobre os riscos ao usar dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), articuladas pelo articulador do núcleo em vigilância em saúde (NEVS), compartilhada com outros atores da área da saúde, tais como vigilância sanitária, divisão de saúde bucal e profissionais da UBS Planalto, nas ações realizadas em escola estadual e organização não governamental (ONG), localizadas na área de abrangência da unidade básica de saúde Planalto. Portanto, com intuito de despertar nos estudantes a conscientização sobre o uso dessa modalidade de tabaco, os efeitos negativos do cigarro eletrônico, incluindo os riscos da dependência de nicotina e seus potenciais danos e impactos à saúde pública.
A UBS Planalto conta com o articulador do NEVS, dando suporte as equipes nas demandas de vigilância em saúde, no processo de desenvolvimento das ações de educação em saúde aos profissionais de saúde na unidade e comunidade. As demandas por intervenção com ações em educação em saúde sobre o Cigarro Eletrônico chegaram ao articulador através de uma solicitação das próprias instituições educacionais. A partir daí, o articulador realizou reuniões com as instituições envolvidas para adequar as ações ao cronograma escolar, articulou com técnicos da Vigilância Sanitária, da Unidade Básica de Saúde, da Divisão de Saúde Bucal e equipe multiprofissional (eMulti). As atividades foram realizadas no auditório da escola, estruturadas em quatro encontros e desenvolvidas em quinze palestras entre 2023 e 2024. O tema trabalhado foi o Cigarro Eletrônico e suas consequências. Os conteúdos foram desenvolvidos com atividades lúdicas, exposição de slides, exibição de filmes / documentários, dinâmicas de grupo e debates sobre o tema.
As ações se deram entre junho de 2023 a maio de 2024. Nesse período foram desenvolvidas 15 atividades com alcance de aproximadamente 935 pessoas, entre estudantes do ensino fundamental II, do ensino médio, professores e educando em ONG. O tema do cigarro eletrônico foi inserido nas ementas de aulas dos professores para trabalhar com os alunos em aulas regulares e atividades complementares. De acordo com os relatos da coordenação escolar, houve uma diminuição considerável de incidência de uso dos DEFs no ambiente escolar, o tema fui abordado em reuniões de pais e no grêmio estudantil. Além disso, para o ano letivo de 2024 foi estruturado um calendário de atividade sobre outros temas tais como, bullying, drogas, comunicação não-violenta e ISTs, desenvolvidos ao longo do ano letivo de 2024. As ações de educação em saúde proporcionaram uma aproximação entre as instituições educacionais envolvidas e os serviços de saúde, sobretudo os ofertados pela UBS, pois a escola passou a encaminhar algumas demandas para a rede de saúde através da UBS.
A experiência com os alunos no ambiente escolar sugere que ações de educação em saúde, engajadas com a participação da comunidade, das instituições escolares, de organizações sociais e de áreas da saúde, são cruciais para a prevenção, proteção e conscientização dos jovens frente aos riscos associados ao uso crescente do Cigarro Eletrônico. Campanhas que envolvem diferentes segmentos da sociedade podem aumentar a eficácia da mensagem contra os malefícios. A ênfase nos riscos da nicotina à saúde dos jovens é essencial para prevenir as incidências ao uso desse dispositivo fumígeno. Isso requer estratégias que denunciem, desvendem e alertem sobre os interesses da indústria do tabaco por trás das tentações atrativas do Cigarro Eletrônico, bem como sobre as influências sociais e culturais que incentivam o consumo. Por outro lado, é fundamental fortalecer e ofertar recursos de suporte, como grupos de apoio e aconselhamento psicossocial, para aqueles que desejam se afastar desses produtos. Em suma, a educação em saúde sobre Cigarro Eletrônico deve ser vista como um investimento a longo prazo na saúde pública, visando reduzir não apenas o uso desse produto, mas também fomentar uma cultura de autocuidado, bem-estar e saúde sustentável.
Vigilância, Articulador, e ,Cigarro Eletrônico
JOSÉ AILTON ALVES DE OLIVEIRA, EDILSON CESAR DIAS, VINICIUS PIOLI, ADRIANA OLIVEIRA DA ROCHA, HELAINE BALIEIRO DE SOUZA, FABIANA APARECIDA TONETO PANIAGUA