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A experiência ressalta a potência do acolhimento grupal como dispositivo estratégico do SUS para produção de saúde integral e fortalecimento de vínculos. Desenvolvida no território do Centro de Saúde Pedro de Agapio Aquino Netto, em Campinas-SP, teve início há três anos a partir de demanda surgida em um grupo de Mulheres que integravam outra atividade coletiva, o Movimento Vital Expressivo (MVE). Cerca de oito mulheres, majoritariamente acima de 60 anos, solicitaram um espaço específico para dialogar sobre questões cotidianas do gênero feminino. Participa regularmente com as usuárias, a Agente Comunitária de Saúde da unidade e, ocasionalmente, residentes multiprofissionais. Profissionais de um Centro de Convivência (psicóloga e terapeuta ocupacional) também acompanham a iniciativa. A população beneficiada são mulheres acima de 40 anos, buscando um espaço seguro de expressão e cuidado mútuo.
Oferecer um espaço coletivo seguro e acolhedor para mulheres do território falarem sobre suas vivências, angústias e potências, sem julgamentos. Promover a saúde integral através da escuta empática, da troca de experiências e do fortalecimento da autonomia e da rede de apoio. Discutir temas pertinentes à saúde da mulher na meia-idade e velhice, como climatério, violência, diversidade e autocuidado, favorecendo a apropriação do conhecimento em saúde.
As reuniões ocorrem semanalmente, com duração média de duas horas, em um centro comunitário do território. A condução é feita pela Agente Comunitária de Saúde, profissionais do Centro de Convivência e com apoio esporádico de residentes. A metodologia central é o círculo de conversa, inspirado nos princípios da Terapia Comunitária Integrativa (TCI), onde toda fala importa e ouvir também é participar. Além da roda de conversa, são realizadas atividades complementares como oficinas de artesanato, sessões de cinema comentado, passeios culturais e outras dinâmicas, que funcionam como disparadores para o diálogo. Para preservar a liberdade de fala, orienta-se que as participantes não convidem amigas íntimas ou familiares.
Observou-se um significativo fortalecimento do vínculo entre as participantes e entre estas e a equipe de saúde, configurando uma sólida rede de apoio informal no território. As mulheres relatam maior sensação de acolhimento, redução do sentimento de solidão e maior capacidade de lidar com conflitos e desafios do cotidiano. Houve empoderamento para a busca de direitos e serviços. Qualitativamente, percebe-se maior autonomia, autoestima e sororidade no grupo. A experiência também qualificou o trabalho da Agente Comunitária de Saúde, que passou a conhecer mais profundamente as necessidades de seu território.
O Círculo de Mulheres demonstra que intervenções simples, baseadas na escuta qualificada e no vínculo, têm impacto profundo na saúde mental e no bem-estar coletivo, alinhando-se perfeitamente aos princípios da Atenção Básica. A experiência evidencia a importância de se criar espaços não medicalizantes para o cuidado, valorizando a sabedoria e a experiência de vida das usuárias. A parceria intersetorial (Saúde e Centro de Convivência) mostrou-se fundamental. Como expectativa futura, visa-se a sustentabilidade do grupo e a possibilidade de replicação da metodologia em outros microterritórios.
Saúde mental,Atenção Básica,Terapia Comunitária.
NATASHA ELENA PEREIRA MILANI, MARINA REZZE BATHELSON, JOYCE NUNES SOUZA