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A UPA Vera Cruz registrou aumento expressivo na demanda por Classificação de Risco (CR), passando de 10.946 atendimentos/mês (mai/2023–jan/2024) para 20.071 atendimentos/mês (fev–jun/2024). Esse crescimento acorreu pela mudança estrutural da unidade de UPA porte 1 para 3 e intensificado em períodos de maior pressão assistencial (ex.: epidemias como a dengue), impactou o desempenho do processo: o tempo médio entre a retirada da senha no totem e o início da CR subiu de 17,4 para 22,1 minutos. Esse atraso compromete a identificação oportuna de pacientes graves, aumenta o risco clínico, piora a experiência do usuário e eleva a exposição da equipe a estresse e conflitos. Diante disso, estruturou-se um Projeto de Melhoria denominado Classificação de Risco Oportuna com a equipe multiprofissional da UPA visando reduzir o tempo médio de espera da CR de 22 para 10 minutos. O monitoramento em tempo real foi realizado através da ferramenta de gestão à vista da ToLife®. O projeto foi balizado pela ciência da melhoria, com foco na segurança do paciente em reconhecer as urgências precocemente, garantindo a priorização do atendimento através do Protocolo de Manchester.
Reduzir o tempo médio entre a retirada da senha no totem e o início do atendimento na CR de 22 para ≤10 minutos até julho/2025 na UPA Vera Cruz e garantir resposta oportuna frente ao aumento de demanda, especialmente em horários de pico.
Trata-se de um Projeto de Melhoria (TCP) fundamentado no Modelo de Melhoria, conduzido por equipe multidisciplinar na UPA Vera Cruz. A fase diagnóstica utilizou ferramentas como SIPOC, Mapeamento do Fluxo de Valor e Diagrama de Ishikawa para identificar gargalos e causas raízes do aumento no tempo de espera da Classificação de Risco (CR). As intervenções foram estruturadas em um Diagrama Direcionador e testadas via ciclos PDSA, focando em três eixos: 1) Eliminação de tarefas que não agregam valor à triagem (deslocamento da pesagem pediátrica, preenchimento do SINAN e protocolo de febre para outros setores); 2) Gestão de fluxo e capacidade (implantação de time de contingência para picos com espera ≥15 min, enfermeiro líder por plantão, huddles diários e painel de gestão à vista); e 3) Equidade (fluxo específico para pacientes classificados como “branco” e suporte de comunicação em LIBRAS). A coleta de dados combina monitoramento automatizado em tempo real do sistema ToLife® Gestão à Vista (para o indicador de resultado de tempo) com registros manuais e auditorias periódicas para os indicadores de processo (taxa de resposta da contingência) e equilíbrio (conformidade do Protocolo de Manchester e NPS). A análise dos dados é contínua, permitindo ajustes rápidos nos testes para garantir a sustentabilidade das melhorias rumo à meta até julho/2025.
Os resultados parciais indicam uma tendência de melhoria consistente. O indicador de resultado (tempo médio de espera) apresenta sinalização de queda nos pontos mais recentes do gráfico de controle, revertendo a média crítica de 22,1 minutos e caminhando em direção à meta de ≤10 minutos. Essa redução é atribuída à conclusão da reorganização de tarefas (retirada de pesagem, SINAN e protocolo de febre da sala de triagem) e à flexibilização das filas no sistema ToLife®. No indicador de processo, os testes com o time de contingência demonstraram efetividade: ciclos de PDSA recentes registraram resposta adequada (início do apoio em 97% em abril), evidenciando que a agilidade no fluxo não comprometeu a experiência do usuário. O projeto segue monitorando a sustentabilidade dessas melhorias para consolidar o atingimento do alvo final em julho/2025.
O projeto Classificação de Risco Oportuna evidencia avanços estruturais na UPA Vera Cruz, validando a eficácia do Modelo de Melhoria em cenários de alta demanda. As intervenções testadas — especialmente a reorganização de tarefas (retirada de pesagem/SINAN da triagem) e o time de contingência — mostraram-se assertivas para reverter a tendência de alta no tempo de espera, sem comprometer a segurança clínica, conforme atesta o aumento na conformidade da auditoria do Protocolo de Manchester. Além dos ganhos operacionais, houve um salto na cultura de gestão com a rotina de huddles diários e a figura do enfermeiro líder, promovendo comunicação fluida e resolução rápida de problemas. A manutenção do NPS em níveis de excelência reforça que a agilidade foi percebida positivamente pelos usuários, preservando a humanização. Os próximos passos concentram-se na consolidação do Diagrama Direcionador e no refinamento dos dados para garantir a sustentabilidade dos resultados. O desafio final é assegurar a plena adesão aos fluxos de equidade e atingir a meta de tempo (≤10 min) até julho de 2025, transformando as melhorias testadas em padrão institucional perene.
Manchester, Classificação de risco, Oportuna
HAVILEY OLIVEIRA MARTINS, RONY COELHO DE SOUZA