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A Atenção Primária à Saúde desempenha papel fundamental na identificação precoce de agravos e na coordenação do cuidado, especialmente em territórios com alta vulnerabilidade social. Exemplo disso, foi o caso de M.C., que chegou à equipe de matriciadores, por solicitação do profissional médico da Unidade de Saúde Parque Andreense, no Município de Santo André-SP. Diante de lesão crônica em dorso de pé direito associada a deformidade e ausência prévia de acompanhamento especializado. A paciente vive em contexto familiar complexo, com histórico de vulnerabilidade social, múltiplos moradores no domicílio e dificuldades de adesão a tratamentos de saúde. A situação evidenciou a necessidade de abordagem ampliada, interprofissional e intersetorial para garantir acesso, continuidade do cuidado e redução de riscos de agravamento clínico e psicossocial.
Oferecer cuidado integral e resolutivo à paciente; Promover cicatrização da lesão; Investigar etiologia e possíveis complicações; Garantir acesso a exames e especialistas; Fortalecer vínculo familiar e adesão ao tratamento; Articular rede intersetorial; Reduzir impactos físicos e emocionais decorrentes da condição clínica.
A equipe realizou visita domiciliar para avaliação clínica e social, identificando lesão em dorso de pé direito sem sinais infecciosos, porém com presença de esfacelo. Foi iniciado manejo local com desbridamento autolítico, curativos específicos e acompanhamento sistemático. Diante da suspeita clínica de osteomielite, foram solicitados exames de imagem e encaminhamento para ortopedia. Considerando dificuldades de adesão e barreiras de acesso, articulou-se apoio logístico com setor de transporte para garantir deslocamento diário da paciente à unidade para realização de curativos durante período intensivo de três semanas. Como insumos necessários não estavam disponíveis na rede, a equipe mobilizou recursos próprios para aquisição de coberturas adequadas. Paralelamente, foi acionado o Centro Especializado em Reabilitação para avaliação e indicação de órtese, bem como articulação com profissional externo para desenvolvimento de calçado adaptado, visando reduzir pressão local e favorecer cicatrização. Todas as ações foram conduzidas em abordagem multiprofissional e com articulação em rede.
Observou-se evolução clínica favorável inicial da lesão após início do tratamento sistematizado e acompanhamento intensivo. Houve fortalecimento do vínculo entre equipe, paciente e família, com melhora da adesão ao cuidado. A articulação intersetorial possibilitou acesso a exames, avaliação especializada e suporte terapêutico, superando barreiras sociais e logísticas. A suspeita diagnóstica de osteomielite foi prontamente identificada e encaminhada para investigação e manejo especializado, prevenindo possíveis complicações. A iniciativa também contribuiu para redução de sofrimento emocional da paciente, especialmente relacionado à autoestima e convivência social.
A experiência evidencia a potência da Atenção Primária na coordenação do cuidado em situações complexas, demonstrando que intervenções territorializadas, multiprofissionais e intersetoriais ampliam a resolutividade e promovem equidade. O caso reforça a importância da escuta qualificada, da abordagem familiar, da articulação em rede e da criatividade das equipes para superar limitações estruturais. Estratégias como visita domiciliar, apoio logístico, cuidado longitudinal e integração com serviços especializados mostraram-se fundamentais para garantir integralidade da assistência e proteção da saúde de crianças em situação de vulnerabilidade.
Cuidado Integral, Vulnerabilidade Social
ANDRÉ BUSTAMANTE RUBIO, ALIKA HAMMEL CATTANEO, TAIS FONSECA MOREIRA ALENCAR, GUSTAVO KINNO CARRASCHI, ANALU BOTEON DINIZ DE SOUZA, FERNANDA FORMAGIO DE GODOY MIGUEL, FABIANO GIMENEZ