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A vacinação é reconhecida como uma das mais eficazes estratégias para preservar a saúde da população e fortalecer uma sociedade saudável e resistente. Além de prevenir doenças graves, ela contribui para reduzir a disseminação de agentes infecciosos na comunidade, protegendo a população de forma geral (1). Para tornar o acesso à vacinação uma realidade para todos, em 1975 foi institucionalizado o Programa Nacional de Imunizações (PNI), com o objetivo principal de oferecer todas as vacinas com qualidade à população, adquirir, distribuir e normatizar o uso dos imunobiológicos na rede, implantar o Sistema de Informação e a consolidação dos dados de cobertura vacinal em todo o país (2). Associada ao PNI, outra estratégia utilizada nacionalmente é o Programa Saúde na Escola (PSE) que foi instituído pelo Decreto Presidencial n.° 6.286, de 5 de dezembro de 2007 e visa contribuir para o fortalecimento de ações que integram as áreas de saúde e de educação no enfrentamento de vulnerabilidades, para alcançar o desenvolvimento integral dos estudantes da rede pública de educação básica(3). Considerando a conjuntura atual, observa-se a presença dos movimentos antivacinas que corroboram na queda de cobertura vacinal no país desde 2015, impactando negativamente a qualidade da saúde pública(4). Dessa forma, é de essencial importância que as estratégias descritas acima sejam aplicadas e fortalecidas na rotina dos serviços de atenção primária, fato que justifica a realização da ação em estudo.
Geral – Aumentar a cobertura vacinal de adolescentes de 10 a 15 anos. Específicos – Verificar situação vacinal dos adolescentes de 10 a 15 anos; – Realizar aplicação de vacinas atrasadas em adolescentes de 10 a 15 anos.
adotando a atuação in loco como técnica para a produção de dados. A ação foi realizada na escola pública de ensino fundamental e médio José Quevedo Professor, cadastrada no PSE no território do Cajuru do Sul, Sorocaba, São Paulo. Os profissionais da unidade básica de saúde (UBS) responsáveis pela intervenção foram três enfermeiras residentes e uma técnica de enfermagem. O público alvo foi adolescentes de 10 a 15 anos. A princípio, foi contactada a direção e coordenação da escola, combinadas as datas de intervenção, com início em 03 de abril de 2024 a 02 de maio de 2024, todas as quartas-feiras no período da manhã e da tarde. Foi solicitado que a escola enviasse previamente aos pais dos alunos uma autorização para vacinação na escola e que trouxessem a carteira de vacinação no dia combinado. A cada semana foi chamado um ano, os alunos que trouxeram os documentos solicitados foram convocados para a biblioteca, onde foi feita a conferência da carteira de vacinação e aplicação das vacinas atrasadas, que incluíam Papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (HPV), Difteria e Tétano (DT), Meningocócica ACWY e Febre Amarela (FA), essa última orientado o comparecimento na UBS para aplicação. As vacinas aplicadas foram lançadas no prontuário eletrônico de cada paciente (PEC) no momento da aplicação e registradas nas carteiras a data da próxima vacina. Além disso, as atividades foram lançadas semanalmente no SIS WEB (Sistema Integrado de Saúde) como ações do PSE.
Como breve descrição das condições do local em estudo, de acordo com censo da Secretaria de Saúde de Sorocaba de 2019-2020, há no território da UBS Cajuru, na faixa etária de 10 a 15 anos, 1017 adolescentes, dentre eles 638 são usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Pelo sistema SIS WEB, em 2024 estão cadastradas 956 adolescentes. Tal faixa etária corresponde aos alunos do sexto ano do ensino fundamental ao primeiro ano do ensino médio, sendo que na escola José Quevedo estão matriculados 1067 adolescentes entre os períodos da manhã e da tarde. Desse total de 1067 alunos, foram verificadas 335 carteiras de vacinação (31,39%), dentre elas 138 estavam atrasadas, correspondendo a 41,19% das carteiras de vacinação avaliadas. Ao analisar os resultados obtidos de acordo com o tipo de vacina, observou-se que a vacina de Meningite ACWY, com 107 aplicações representou 57,83% do total de aplicações realizadas na ação, seguida da vacina de HPV, com 72 aplicações (38,91%) e, por fim, DT com 6 aplicações (3,24%). É importante evidenciar que houve dificuldade na disponibilização da vacina de DT no momento em que a ação foi realizada devido ao estoque restrito do município. Além disso, aos adolescentes que possuíam mais de duas vacinas atrasadas foi dada a preferência para a aplicação de ACWY e HPV, enquanto que as outras vacinas foram orientados a procurar a UBS.
O presente estudo permitiu evidenciar a baixa procura pela vacinação na população da faixa etária abordada, bem como que mesmo com a vacinação in loco como facilitador do acesso a esse meio de prevenção de agravos, a adesão ainda foi consideravelmente pequena com menos da metade dos alunos da escola. Apesar desse cenário desfavorável, foi possível constatar que a estratégia utilizada foi de grande eficácia para aumentar a cobertura vacinal dessa população, considerando que foram realizadas 185 aplicações de vacinas atrasadas. Além disso, também criou-se um espaço oportuno para que ao longo da ação fossem feitas orientações fundamentais sobre a importância de manter a carteira de vacinação atualizada e criar vínculo com a população no próprio território, aproximando a UBS da realidade desses adolescentes. Dessa forma, este estudo permitiu evidenciar que ações como essa resultam em efeitos concretos, atingindo um público com pouca visibilidade, e assim, colocando em foco nos processos de trabalho a temática da vacinação e sua relevância na prevenção e promoção à saúde na atenção primária, surtindo impacto positivo em toda a comunidade.
vacinação, atenção básica, escola, adolescentes
AMANDA LOBATO LOPES