Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Nos últimos anos observa-se que a detecção do vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) ocorre principalmente em indivíduos mais jovem. Diante deste cenário, o grande desafio é mantê-los aderentes ao tratamento para se evitar a imunodepressão, visando melhoria na qualidade e na expectativa de vida. Uma importante estratégia para prevenir a ocorrência de doenças na população em geral, e em especial nestes indivíduos, é a imunização. Como as pessoas que vivem com o HIV (PVHIV) têm um risco maior de complicação pelas doenças prevenidas por vacinas, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde do Brasil recomenda um calendário de vacinação especial para esta população. No Brasil não é realizada de rotina a avaliação da cobertura vacinal em indivíduos adultos, estima-se que estes indivíduos apresentem baixas coberturas e que estas, assim como a cobertura de vacinas das crianças, vêm apresentando queda nos últimos anos com o crescimento da hesitação vacinal e do antivacinismo no país. A adesão à vacinação resulta de diversos pontos inter-relacionados, uma das formas de motivar os indivíduos a se vacinarem é a recomendação da vacinação pelo profissional de saúde, que estão entre as pessoas mais confiáveis no aconselhamento das questões de saúde. Para tanto, os profissionais de saúde precisam estar munidos de informação adequada e de qualidade referente à imunização.
Objetivo geral: Avaliar a efetividade de uma intervenção educativa para profissionais de saúde sobre a cobertura vacinal de PVHIV. Objetivos específicos: caracterizar o perfil e avaliar a situação vacinal em PVHIV elaborar e desenvolver estratégias de intervenção educativa junto às equipes avaliar o conhecimento dos profissionais de saúde a respeito das questões envolvidas na imunização de PVHIV comparar a cobertura vacinal antes e após as atividades educativas junto às equipes.
Trata-se de um estudo quase-experimental realizado em três momentos, uma fase pré-intervenção (etapa I fase 1) onde se avaliou a cobertura vacinal das PVHIV e os fatores que poderiam estar a ela associados. Os dados da etapa I foram coletados nos Sistema de Atendimento Ambulatorial Informatizado (Sistema Hygia-RP), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Controle de Exames Laboratoriais (SISCEL), Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI Web) e Sistema VaciVida. A população desta etapa foi constituída pelas PVHIV com 13 anos ou mais notificadas de 2015 a 2020 que residiam no município do estudo, realizavam acompanhamento nos SAE, tinham sido notificadas até 180 dias após a data do diagnóstico e apresentassem atendimento no serviço de saúde nos 12 meses que antecederam a data do início da coleta de dados. Em um segundo momento, na fase de intervenção (etapa II), foi desenvolvido e disponibilizado um curso de capacitação on-line para profissionais de saúde envolvidos nas ações de imunização e para os profissionais dos SAE a respeito das questões acerca da imunização de PVHIV. Na etapa II também foi realizada a avaliação do conhecimento dos profissionais a respeito da temática antes e após o desenvolvimento do curso de capacitação. Um ano após a disponibilização do curso foi realizada a avaliação da cobertura vacinal do mesmo público avaliado na fase 1 da etapa I, o que chamamos de fase 2 da etapa I.
A amostra da etapa I se constituiu de 645 indivíduos, a maioria de cor branca (59,8%), do sexo masculino (83,4%), com escolaridade acima de ensino médio completo (56,0%). Na fase 1 apenas 7,3% estavam com o esquema de vacinação adequado, para a maioria (522 80,9%) as últimas vacinas foram administradas nas salas de vacinas dos SAE. Na Etapa II a amostra foi constituída por 77 profissionais de saúde, todos profissionais de enfermagem, a maioria (45 58,4%) trabalhava em UBS e 17 (22,1%) trabalhavam nos SAE. A mediana de acertos no teste de conhecimento passou de 23,0 antes do curso de capacitação para 27,0 após o curso (p
A cobertura vacinal pode ser influenciada por diversos fatores, o que inclui a confiança dos indivíduos e dos profissionais de saúde na segurança e na eficácia dos imunobiológicos. A percepção de risco dos indivíduos também pode influenciar a cobertura vacinal, uma vez que aqueles que não se sentem em risco de complicações e morte por uma determinada doença pode acreditar que o risco de evento adverso pode ser mais importante do que o risco de adoecer. A partir do momento em que o indivíduo toma a decisão de se vacinar, é necessário que as vacinas estejam disponíveis para garantir a efetiva imunização. Este estudo escolheu trabalhar com um dos fatores que podem impactar na cobertura vacinal, o conhecimento dos profissionais de saúde, que quando está deficitário pode contribuir para a não avaliação da situação vacinal dos indivíduos, a não recomendação de vacinas indicadas e até na propagação de informações falsas relacionadas à vacinação. Os dados deste estudo demonstraram que o conhecimento dos profissionais de saúde pode estar deficitário em vários aspectos, e melhorar o conhecimento dos profissionais a respeito das questões relacionadas à imunização das PVHIV pode aumentar a cobertura vacinal neste público.
Cobertura Vacinal, Vacinação, Conhecimento, HIV
LARISSA GERIN, RENATA KARINA REIS