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Esta experiência é de suma importância para o Sistema Único de Saúde (SUS) municipal, pois propõe a substituição de modelos de gestão verticalizados por uma prática democrática e participativa, alinhada aos princípios da Política Nacional de Humanização. Ao envolver os trabalhadores nas decisões, o colegiado gestor torna-se uma ferramenta essencial para a qualificação do cuidado, especialmente em um cenário de crescente complexidade como o da saúde do idoso, onde a integralidade e o trabalho em equipe são fundamentais. A experiência em curso ocorre no Centro de Saúde Dr. Pedro Agapio de Aquino Netto, em Campinas/SP. Trata-se de um espaço instituído de cogestão que se reúne semanalmente, com cerca de 1,5h de duração. Participam dos encontros representantes de diversas categorias profissionais (médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde, dentistas dentre outros) juntamente com a gestora local. O objetivo central é refletir coletivamente sobre o processo de trabalho, analisar os problemas cotidianos, construir soluções compartilhadas e aprimorar os fluxos de atendimento, fortalecendo o vínculo entre a gestão e a equipe para uma atuação mais resolutiva.
· Descrever o processo de consolidação do colegiado gestor como ferramenta de cogestão na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Pedro Agapio de Aquino Netto. · Analisar a contribuição desse espaço coletivo para a qualificação do processo de trabalho e o fortalecimento da equipe multiprofissional. · Discutir o papel do colegiado gestor na efetivação dos princípios do SUS, em especial a participação social e a integralidade do cuidado, a partir da experiência vivenciada.
Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, sobre a implementação e consolidação do colegiado gestor na UBS Dr. Pedro Agapio de Aquino Netto. A experiência, iniciada em maio de 2024, vem sendo desenvolvida por meio de encontros semanais com duração média de 90 minutos, envolvendo a gerente da unidade e representantes de todas as categorias profissionais que compõem a equipe. A metodologia dos encontros baseia-se na escuta qualificada dos problemas trazidos pelos participantes, discussão coletiva das pautas e deliberação compartilhada sobre os encaminhamentos. Para a elaboração deste relato, foram utilizadas como fontes de informação as atas das reuniões, os registros de pautas e a observação participante dos autores. A análise do material coletado foi orientada pela técnica de análise de conteúdo, permitindo a identificação de categorias temáticas recorrentes e a sistematização dos principais avanços e desafios percebidos no período.
A experiência do colegiado gestor tem apresentado resultados significativos na transformação do ambiente e dos processos de trabalho da unidade. Os principais avanços incluem: 1) Aprimoramento dos fluxos internos, como a reorganização do acolhimento e a definição de critérios mais claros para agendamentos, construídos a partir da discussão coletiva que considerou diferentes olhares sobre o cuidado. 2) Fortalecimento do vínculo e da corresponsabilização da equipe, com a percepção de maior autonomia e engajamento dos profissionais, que se sentem parte ativa na construção das soluções. 3) Identificação precoce de situações de fragilidade em idosos, permitindo a articulação de um cuidado mais integrado entre os membros da equipe. Como desafio, destaca-se a resistência inicial de alguns profissionais em participar do espaço e compartilhar o poder de decisão, o que vem sendo gradualmente superado com o diálogo persistente e a evidência prática da eficácia das decisões coletivas na resolução de problemas do cotidiano.
A consolidação do colegiado gestor na UBS Dr. Pedro Agapio de Aquino Netto reafirma seu potencial como dispositivo estratégico para a gestão do trabalho no SUS. A experiência em curso evidencia que a gestão compartilhada, para além de viável, é um caminho profícuo para enfrentar a fragmentação do cuidado, qualificar as práticas em saúde e fortalecer os princípios do sistema público. As reflexões até o momento indicam que o diálogo horizontal e a construção coletiva de decisões são ferramentas indispensáveis para a resolução criativa dos problemas locais. A expectativa para o futuro é de aprofundamento dessa prática, incorporando-a de forma ainda mais orgânica ao cotidiano do serviço e ampliando a participação dos usuários, quando pertinente, consolidando-a como uma política de gestão permanente na unidade.
Gestão em Saúde,APS,Humanização
AMANDA CRISTINE MORAES DE OLIVEIRA, DANIELA LUCIANA SILVA E SILVA