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A importância das práticas esportivas para os usuários da saúde mental corresponde a vários aspectos, como lidar com a competitividade, o coletivo, a ludicidade, as regras, os acordos e os conflitos presentes, que podem ser tematizados pelos facilitadores em suas intervenções. Assim como em outros temas da cultura corporal, essa dimensão amplia, valorizando os processos sociais, simbólicos e culturais que vão além do momento da oficina. Diante do exposto o desenvolvimento de práticas como jogos e atividades recreativas, é fundamental na reabilitação psicossocial, promovendo momentos de lazer e fortalecimento de vínculos sociais. No contexto dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o esporte contribui, ainda, para a promoção da saúde e pertencimento social, especialmente ao enfrentar desafios como o isolamento e o estigma construídos na dimensão sócio histórica, relacionados às pessoas com sofrimento psíquico. A presente proposta, no trabalho multidisplinar apresenta-se como recurso importante para o desenvolvimento do Projeto Terapêutico Singular, espaço coletivo construído e pensado para proporcionar aos usuários do CAPS III Adulto Vila Vitória, uma forma de oferecer, promover e prevenir sofrimento psíquico agudo e dificuldade de elaboração das emoções, como toda a interação entre corpo e espaço. Na prática do futsal, por ser uma modalidade coletiva, promove o desenvolvimento físico e social, estimulando habilidades e o senso de ser e estar no âmbito singular e coletivo.
O objetivo do projeto é proporcionar acesso ao lazer e recreação contribuindo para estabilidade e autonomia dos usuários, desenvolvendo a competitividade através de campeonatos internos e externos, mostrando as múltiplas possibilidades de socialização. Promovendo ações que visem à integralidade da pessoa com sofrimento mental, no âmbito territorial por meio da prática esportiva e do futsal. Destacando-se, a aplicabilidade de ações para o desenvolvimento da movimentação corporal de acordo com os limites, trabalhando sua psicomotricidade e seu desempenho da marcha, atuando coletivamente, auxiliando na tomada de decisões e desenvolvendo a autonomia, além de melhorar a aptidão física, a execução do exercício físico e o condicionamento regular, podendo melhorar a capacidade cognitiva e reduzindo os níveis de ansiedade e estresse em geral. Os exercícios também ajudam a melhorar a autoestima, a cognição e a função social de usuários.
A reconfiguração desse espaço de cuidado foi em 02/ 2024, com ampliação do projeto e efetiva participação da população, cujo eixo central é reabilitação psicossocial, que visa promoção da sociabilidade e visibilidade no território. A experiência foi estruturada em práticas regulares, sobretudo, através do futsal, na participação em eventos externos e na transversalidade temática diante de proposto sócio culturais com ações no território. A prática de forma mais estruturada ocorre uma vez por semana, com sessões de duas horas conduzidas por profissionais de Educação Física na intersecção com equipe. Quando da realização da atividade é no formato de proposta da roda de conversas, de alongamento e aquecimento desenvolve-se treinamento técnico básico de futsal (passe, chute, domínio de bola) adaptado às condições singulares usuários. Há momentos de realização de partidas recreativas adaptadas, cujas atividades são ajustadas às necessidades e limitações, na promoção de inclusão (todos participam) e de acessibilidade. Destacam-se, por atividades externas como Copa da Inclusão/SESC Itaquera, ida aos parques, jogos recreativos, piqueniques, promoção de almoços e encontros como no Bom Prato. A reconfiguração desse espaço de cuidado inicia-se 02/2024, com a ampliação do projeto e efetiva participação de pessoas que estão em acompanhamento no serviço, cujo eixo do cuidado e da reabilitação psicossocial, visa à promoção da sociabilidade e a visibilidade no território de Santo André.
A prática esportiva do futsal tem gerado resultados significativos para os usuários, tanto na perspectiva individual quanto coletiva, observadas na assiduidade e engajamento dos participantes e da Equipe, os quais demonstram grande compromisso, evidenciando a importância do projeto para seu bem-estar físico e emocional. Há dimensão importante quanto à inclusão social e territorial, a partir de atividades externas, o que têm ampliado a interação social e fortalecido a autonomia dos participantes, bem como, o aprimoramento e estabelecimento das relações sociais, pois as atividades em grupo promovem vínculos, cooperação e senso de pertencimento. Ainda, como resultados positivos estão os impactos emocionais, diante da fisiologia da atividade física, pois libera endorfinas, o que pode auxiliar na remissão de sintomas de ansiedade, estresse e tensão, proporcionando uma sensação de bem-estar e relaxamento. A proposta possibilitou-nos ainda criar oportunidades de integração cultural e esportiva por meio de eventos na cidade e novos projetos para 2025. A experiência demonstrada em relatos e vivências, como: “evolui muito na minha vida pessoal”, “libera muito meu stress, fico mais calmo”, “é bom para saúde, pra os músculos e energia muito boa de paz e conforto”, “me sinto bem, vivo uma vida solitária fora do CAPS”, “não tem ninguém que joga bola comigo”. Destacam: Ficar parado é ruim, é bom para a cabeça e ajuda na doença”, “acho importante, trabalha a mente e fico disposto e alegre”.
A experiência mostra um impacto positivo além da prática esportiva, no combate a estigmas e preconceitos sociais. Para os usuários, não se trata apenas de lazer, mas de oportunidade de interação social e reconhecimento de suas capacidades. A transversalidade das ações, integrando esporte, cultura e território, fortalece a ideia de que a reabilitação psicossocial vai além do CAPS, envolvendo a comunidade e ampliando as possibilidades de pertencimento. Trata-se de ações para reabilitação alinhadas ao cuidado integral, estabelecida nas diretrizes da Portaria nº 3.088, que consolida a RAPS. A expansão da experiência, novas parcerias, visa consolidar resultados e benefícios observados, fortalecendo uma rede de apoio inclusiva e sustentável para usuários e trabalhadores. Muitos fatores reverberam positivamente na vida das pessoas, na produção do cuidado em liberdade, respeitando as premissas da Luta Antimanicomial e Direitos Humanos. Nesse sentido, o esporte possibilita além de entender melhor funcionamento fisiológico e dinâmico do corpo a conexão de participantes, a dimensão territorial e comunitária, fortalecendo processos para o desenvolvimento do protagonismo e autonomia, ocupando espaços importantes da cidade e da região.
Práticas esportivas, Reabilitação psicossocial
JOSEFA SILVA, FRANCIELE CÂNDIDA, PATRÍCIA ROMANO TOMÉ