Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação, busca fortalecer a integração entre ensino, serviço e comunidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Em sua 11ª edição, selecionou 150 projetos em todo o Brasil, incluindo o projeto “Com Elas no SUS”, desenvolvido em Bragança Paulista–SP, parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Universidade São Francisco. Iniciado em junho de 2024, o projeto valoriza as trabalhadoras do SUS, promovendo a equidade de gênero no ambiente de trabalho e o cuidado com a saúde mental. Durante a implementação, desafios enfrentados pelas trabalhadoras foram evidenciados, trazendo à tona a importância da liderança feminina no SUS. A presença de mulheres na gestão contribui para políticas mais inclusivas. No entanto, persistem barreiras institucionais e socioculturais, como desigualdade racial, sobrecarga de trabalho, falta de suporte para equilíbrio entre vida profissional e pessoal, além da sub-representação em cargos hierárquicos. Esses fatores impactam diretamente a saúde mental, levando ao adoecimento psíquico, como burnout, ansiedade e depressão. Para enfrentar essas desigualdades, têm sido implementadas iniciativas como políticas de incentivo e legislações voltadas à equidade de gênero. O debate sobre esse tema é essencial para um SUS mais justo e representativo, onde as mulheres possam exercer seu potencial de liderança em um ambiente mais saudável e equilibrado.
O presente resumo visa apresentar a experiência do Projeto “Com Elas no SUS” no diagnóstico e análise dos desafios enfrentados pelas trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (SUS) no município de Bragança Paulista–SP, com ênfase na equidade de gênero, saúde mental e barreiras institucionais à liderança feminina. Além disso, busca expor as estratégias propostas para valorizar essas mulheres, melhorar o ambiente de trabalho e reduzir a sobrecarga emocional, promovendo um contexto mais inclusivo e equitativo.
Para o diagnóstico dos desafios enfrentados, foram realizadas visitas em mais de 50 serviços de saúde do SUS de Bragança Paulista–SP visando acessar os aproximadamente 1600 trabalhadores. A pesquisa original possui aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade São Francisco, caráter confidencial e anônimo, e para acessar o público-alvo se utilizou de um questionário construído a partir da ferramenta Google Forms®, sendo subdividido em perguntas sobre a identidade de gênero, local de trabalho, cargo, informações sociodemográficas, jornada de trabalho, percepções sobre as relações e vulnerabilidades no ambiente de trabalho, condições de trabalho e bem-estar. Com um total de 429 respostas, das quais 373 foram de mulheres trabalhadoras do SUS, a análise dos dados evidenciou a dificuldade dessas mulheres em alcançar cargos de liderança dentro do SUS. Além disso, entre aquelas que ocupam essas posições, a maioria é branca, enquanto as mulheres pretas são minoria. Embora o SUS no Brasil tenha como princípio garantir o acesso integral à saúde, sem distinção de gênero, raça ou classe, a realidade observada evidencia que as trabalhadoras do sistema enfrentam desafios estruturais e sociais que limitam sua trajetória profissional e o acesso à formação superior. Esses obstáculos são agravados por desigualdades interseccionais, tornando o problema ainda mais profundo e desigual.
Diante desse cenário, é fundamental adotar medidas que promovam segurança e equidade no ambiente de trabalho, garantindo condições dignas para as profissionais que atuam diariamente na linha de frente do cuidado à saúde da população. As propostas incluem o fortalecimento da liderança feminina e o combate a desigualdades estruturais, como racismo e machismo, em alinhamento com as diretrizes do Programa Nacional de Equidade de Gênero, Raça e Valorização das Trabalhadoras no SUS, que visa transformar estruturas discriminatórias na divisão do trabalho na saúde. Espera-se que, com essa política, o ambiente de trabalho apresente melhorias significativas, promovendo maior satisfação e empoderamento das trabalhadoras, além de ampliar oportunidades de liderança e participação ativa. Ações voltadas para capacitação deverão contribuir para o desenvolvimento de competências em liderança, gestão de equipes e formulação de políticas públicas, favorecendo a ascensão profissional das mulheres no SUS e preparando-as para enfrentar os desafios de suas funções. Prevê-se também um impacto positivo na valorização da saúde mental, tornando o ambiente mais seguro, colaborativo e inclusivo. Por fim, busca-se estimular a incorporação das pautas interseccionais no cotidiano dessas profissionais, permitindo que ampliem suas habilidades e conhecimentos adquiridos, reconhecendo a importância da saúde mental e contando com o devido amparo de instituições governamentais para garantir seu bem-estar.
O Projeto Com Elas no SUS tem se mostrado uma iniciativa relevante para a valorização das trabalhadoras do SUS, promovendo equidade de gênero, liderança feminina e inclusão. Os resultados preliminares evidenciam desafios estruturais significativos, como a desigualdade na ocupação de cargos de liderança e a necessidade de maior representatividade racial. Ainda em andamento, o projeto segue contribuindo para o fortalecimento das mulheres no SUS, oferecendo suporte para que se sintam mais capacitadas e seguras em suas funções. Espera-se que, até sua conclusão em 2026, as ações implementadas resultem em avanços concretos na equidade de gênero e na saúde mental dessas profissionais, contribuindo para a construção de um ambiente de trabalho mais inclusivo e justo.
Equidade de gênero, saúde mental, liderança
AMANDA CASELATO ANDOLFATTO SOUZA, ANA LIVIA ANTUNES QUARESMA, ANNA SYLVIA LIMA MORESI, CARMEM SILVIA GUARIENTE, CLARA BEATRIZ AMBROSIO DA SILVA, CLARA MARTINS COSTA MESQUITA, CRISTIANE CHIARION VIDIRI, ERIKA DE OLIVEIRA ASSIS, FERNANDO JONATHAS DE LIMA, GABRIELA RIBEIRO RIOS, JULIA ROCHA TORRANO, JULIANA MARIA DE OLIVEIRA, KAROLINY SILVA NAGATA, LAURA GALVAO DOS SANTOS, LISAMARA DIAS DE OLIVEIRA NEGRINI, MANUELA MARINO DE LIMA, MATEUS FREITAS DE FARIAS GOMES, MAYZA MARCELINA TAVARES CRISPIM, MONIQUE SILVA CONCEICAO, PIETRA DOS SANTOS PEREIRA, RAQUEL GONCALVES ROSSI, RODINEI VIEIRA VELOSO, ROSICLÉIA BENDER FERREIRA FRANCHI, SILMARA ALVES DE SOUZA, SOFIA MARINO DE LIMA, VANESSA BERTOLETTI NAZARIO, WALESKA MATIAS MOREIRA, YASMIN RODRIGUES BRANDAO