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A dor crônica é uma condição incapacitante que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, prejudicando significativamente a qualidade de vida, queda da produtividade, invalidez, limitações no trabalho, lazer ou vida diária, e sua classificação é determinada pela persistência da dor por mais de seis meses. (NASCIMENTO, 2020). Para tratar essa condição de saúde, se faz necessário abordagens multidisciplinares incluindo terapias integrativas e estratégias de manejo, como fisioterapia e terapias alternativas, além disso, o Médico da Família e Comunidade desempenha um papel importante no tratamento da dor crônica, mas não deve ser a única opção. O município de Catanduva atualmente fornece fisioterapia da atenção básica e atenção especializada (Centro de Reabilitação Integrativa), bem como, como acupuntura, hidroginástica e academias da saúde, que oferecem benefícios significativos para muitos pacientes. No âmbito da Atenção Básica, o serviço de fisioterapia promove o grupo voltado para o tratamento da dor crônica, denominado ‘’Grupo Dor Saudável’’. Este grupo é realizado em todas as unidades acompanhadas pela equipe multidisciplinar E-multi 3, que abrange as unidades do distrito 3. São encaminhados para o grupo, os pacientes que referem dores de origem osteomuscular há mais de 6 meses. O presente trabalho se justifica pela importância de afirmar a relevância de um cuidado integrado oferecido ao paciente com a dor crônica.
Pautado no acompanhamento do paciente com dor crônica, o presente trabalho tem como objetivo demonstrar a eficiência no impacto que o Grupo dor Saudável tem na vida do paciente e em sua relação com a dor.
Este estudo de campo, com enfoque quantitativo, envolveu 55 participantes assistidos pela Unidade Básica de Saúde no Grupo Dor Saudável, realizado semanalmente nas UBS Dr. Francisco Lopes Ladeira (Jd. Salles), USF Dr. Geraldo Mendonça Uchoa (Vila Lunardelli), UBS Dr. Michel Cui, USF Dr. Vicente Buchianeri e UBS Enf. Diomar José dos Santos. Instrumentos: 1.Termo de Autorização de Uso de Imagem, Voz e Conteúdo Escrito: Os participantes assinaram um termo autorizando o uso de sua imagem durante a pesquisa, declarando consentimento livre e espontâneo. 2.WHOQOL-Pain: Este instrumento avalia quatro facetas relacionadas à dor crônica: Alívio da dor, Raiva e frustração, Vulnerabilidade, medo e preocupação, e Incerteza. Cada faceta tem quatro perguntas avaliadas de 0 a 5, com 0 indicando não sabe responder e 5 muito ruim. A equipe modificou o instrumento, calculando as respostas em cada faceta e resumindo os resultados em gráficos setorizados. Procedimento: A pesquisa quantitativa envolveu membros do Grupo Dor Saudável. Os participantes foram convidados pela equipe multidisciplinar e orientados sobre o estudo, incluindo a não obrigatoriedade de participação, anonimato e ética. Após assinatura do Termo de Consentimento e Termo de Uso de Imagem, foi aplicado o WHOQOL-Pain. Após 26 semanas de acompanhamento, o questionário foi reaplicado para comparação. Os dados foram analisados utilizando planilhas do Excel e gráficos de setores.
A coleta de dados foi realizada com 55 participantes na primeira aplicação, mas houve um absenteísmo de 22% na segunda aplicação, o que não resultou na exclusão desses participantes, mas indicou abandono do tratamento. Assim, 100% das pessoas formaram a amostra final, composta por homens e mulheres acima de 18 anos com dor crônica. Na faceta alívio da dor, observou-se um aumento de 30% para 38% na escala excelente e de 19% para 31% na escala muito bom, com redução do muito ruim de 9% para 1%. Na faceta raiva e frustração, houve uma diminuição de 33% para 31% na escala excelente, enquanto a escala muito bom aumentou de 13% para 29%. Para vulnerabilidade, medo e preocupação, não houve alteração nas escalas muito ruim e ruim, mas a porcentagem de pessoas que não souberam responder caiu de 8% para 1%, e houve um aumento nas escalas muito bom e excelente. Na faceta incerteza, houve uma redução de 9 pontos percentuais nas escalas ruim, muito ruim e nula, e um aumento de 13 pontos percentuais nas escalas excelente e muito bom. Embora 22% dos participantes não tenham respondido à segunda aplicação, os resultados mostram uma redução das escalas ruim e muito ruim, especialmente na faceta de alívio da dor. A pesquisa confirma que a dor crônica é uma experiência sensitiva e emocional que impacta a qualidade de vida dos indivíduos.
A dor crônica afeta pessoas de todas as idades e sexos, gerando incapacidade e impactando diversos aspectos da vida, incluindo as vivências sociais e emocionais, o que compromete diretamente a qualidade de vida (NASCIMENTO, 2020). De acordo com o estudo, a dor pode ser amenizada por hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios físicos, que também ajudam na convivência com a dor. No entanto, um estudo publicado pela Academia Brasileira de Neurologia em 2003 revela que indivíduos com dor crônica geralmente têm uma longa história de sofrimento físico e psicológico, comprometimento laboral e incerteza sobre o tratamento, muitas vezes devido a experiências anteriores insatisfatórias. Essas condições dificultam a adesão ao tratamento, prejudicando a funcionalidade, como observado nos resultados desta pesquisa. Portanto, é fundamental que os profissionais de saúde tenham maior atenção e conhecimento sobre a dor crônica, um problema crescente na população mundial, para oferecer cuidados adequados às pessoas afetadas, especialmente nas unidades básicas de saúde.
Dor crônica, multidisciplinar, Grupo dor Saudável
DÉBORA REGIANA GARCIA, ISABELLA BITTENCOURT RUBIANO FLORA, MARCELA PARENTE BERTIN MONTEIRO, MARIA EDUARDA DIAS, MARIA JÚLIA RAMOS, MATEUS TONELLI, PERLA MARTINS DE CAMARGO, RAÍSSA ANSELMO PINTO FERRAZ, TAINARA DO PRADO GONÇALVES