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O suicídio é amplamente reconhecido como um grave problema de saúde pública, com impactos não só no indivíduo e em sua família, mas também na sociedade como um todo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que, no mundo, 800 mil pessoas cometam suicídio anualmente, e o autoextermínio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Entre 2010 e 2020, percebeu-se uma tendência de aumento gradual de episódios de crise suicida no município de Jundiaí, com maior prevalência do ato entre homens entre 30 e 59 anos, enquanto mulheres jovens (15 a 39 anos) apresentaram mais tentativas. O suicídio é um fenômeno complexo e multicausal, que se relaciona com fatores socioeconômicos, políticos e culturais, além de questões psicológicas e psicopatológicas. Dessa forma, qualquer abordagem para a prevenção do fenômeno deve contemplar a articulação dos diferentes atores envolvidos, numa perspectiva ampliada e intersetorial. Em Jundiaí, desde 2016, são realizados o monitoramento das situações de crise suicida, bem como ações de capacitação das equipes de saúde. A partir de 2021, em atenção à legislação federal que regulamenta a Política Nacional de Prevenção ao Suicídio, foi instituído o Grupo de Trabalho Intersetorial de Prevenção à Automutilação e ao Suicídio, que implementou uma abordagem sistematizada e intersetorial à prevenção e manejo da crise suicida do município.
– Promover a escrita e o desenvolvimento de materiais técnicos como estratégias de construção coletiva de pactuações de fluxos e engajamento de diferentes pontos da rede na prevenção do suicídio. – Promover discussões sobre o fenômeno suicida com a rede ampliada, contando com a participação de diversos setores das políticas públicas e da sociedade civil; – Desenvolver materiais informativos que possibilitem a comunicação clara e a capacitação dos profissionais para o cuidado da crise suicida; – Multiplicar as estratégias de cuidado entre os trabalhadores, propiciando acesso à informação de qualidade.
Em 2021, por meio de Decreto Municipal, foi instituído o Grupo de Trabalho Intersetorial de Prevenção à Automutilação e ao Suicídio, com o objetivo de elaborar o Plano Municipal de Prevenção à Automutilação e ao Suicídio (PMPAS). O grupo foi composto por representantes das políticas de Saúde, Educação, Assistência Social, Segurança Pública, Casa Civil e Centro de Valorização da Vida. Dentre suas ações, o PMPAS contava com o desenvolvimento de estratégias de comunicação entre os diversos setores sociais, de forma a permitir a capacitação das equipes de atendimento. Após a publicação do Plano, criou-se o Comitê de Monitoramento do PMPAS, que vem se reunindo mensalmente desde julho de 2022 com o objetivo de monitorar a execução das ações do plano, desenvolvendo estratégias para a sua efetiva implementação. Ao longo do ano de 2024, dentre várias ações, o grupo debruçou-se sobre o desenvolvimento dos materiais de comunicação. Foram identificadas como principais fragilidades, neste período, a ausência de um protocolo clínico de atendimento unificado entre todos os pontos de atenção da rede de Saúde e, também, a falta de estratégias mais efetivas de diálogo com a comunidade escolar. A partir da identificação destas fragilidades, a discussão foi ampliada dentro das secretarias envolvidas (Saúde e Educação), de modo a fomentar o diálogo entre os profissionais e, a partir disso, estabelecer as diretrizes para a criação dos materiais.
Neste período, após o estabelecimento de discussões e capacitação dos envolvidos, foram desenvolvidos dois materiais técnicos, fundamentais para o diálogo e o processo de formação das equipes: o ‘Protocolo Clínico de Manejo da Crise Suicida’ e o ‘Manual de Orientações para os profissionais de Educação’. O Protocolo Clínico é direcionado às equipes de saúde e estabelece parâmetros de avaliação e condutas para o atendimento de uma crise suicida. Contempla cenário epidemiológico, conceitos, fatores de risco e de proteção, abordagem da crise suicida, ferramentas para o manejo, avaliação de risco, rede de atendimento, notificação compulsória, fluxo e intervenções de posvenção. Foi implantado na rede em agosto de 2024 e encontra-se disponível em https://jundiai.sp.gov.br/saude/wp-content/uploads/sites/17/2024/06/protocolo-cl_nico-para-crise-suicida.pdf. O Manual de orientações para os profissionais de Educação foi construído coletivamente entre as equipes de ambas as políticas. Trata-se de um material gráfico, que inicialmente apresenta a escola como um ambiente estratégico para o cuidado em saúde mental. Aborda temas como bullying, determinantes sociais, expressão de sofrimento psíquico, sinais de alerta para o suicídio e possibilidades de prevenção no contexto escolar. Ele encontra-se disponível em https://jundiai.sp.gov.br/saude/wp-content/uploads/sites/17/2024/09/cartilha-prevencao-ao-suicidio_compressed.pdf.
Diante de um fenômeno complexo como a crise suicida e do cenário epidemiológico que aponta para o agravamento das condições de sofrimento psíquico em nossa sociedade, faz-se necessária a construção de estratégias de planejamento em saúde que contemplem a multicausalidade dos agravos, buscando a articulação intersetorial e o envolvimento comunitário na composição de estratégias de cuidado à população. Após a instituição das ações iniciais, percebeu-se que muitos profissionais não contavam com a instrumentalização necessária para o atendimento à população. Além disso, foi identificado o desafio de construir alinhamentos e pactuações das informações entre todos os profissionais que atuam no cuidado direto ao usuário, haja vista o quantitativo, multiplicidade de formação e eventual rotatividade. A estratégia desenvolvida, de criação de materiais de comunicação, propiciou o engajamento em processos de construção coletiva, a institucionalização das ações, de forma a garantir que as propostas de cuidado às pessoas tenham continuidade, e a disponibilização dos materiais nos canais de comunicação oficiais da Prefeitura, o que permite o acesso universal nos momentos necessários.
Prevenção ao suicídio, comunicação em saúde
ALEXANDRE MORENO SANDRI, ADRIANA CARVALHO PINTO