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Uma das principais funções do SUS é a promoção a Saúde, onde na vertente Saúde do Trabalhador destinam-se ações de vigilância para garantir à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho. Uma linha de cuidado deve ser estabelecida em todos os níveis de atenção primária, secundária e terciária na saúde. Cabe ao sistema de saúde acompanhar e agir sobre determinantes de saúde relacionados às influências do desenvolvimento socioeconômico no território. Um exemplo disso é crescimento de contrações para construção civil fruto do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) que traz desafios para a cobertura de saúde em determinado território. Desafio este que o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional de Marília identificou e motivou a ação compartilhada neste trabalho que se realizou em Agosto/2024 á Outubro/24 em um alojamento localizado na região Norte do município de Marília, território da USF- Figueirinha. A Ação conta com membros da equipe do Cerest (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional de Marília) e alunos da Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina de Marília. A importância desta ação consiste em seu resultado: proporcionar acesso dos trabalhadores à Atenção Primária considerando as necessidades que exigem acompanhamento no SUS.
Conhecer a realidade de saúde da população trabalhadora, identificar suas necessidades de saúde e intervir nos fatores determinantes de agravos bem como proporcionar tratamento e reabilitação aos trabalhadores. Buscar o envolvimento da Atenção Primária de Marília sobre a importância de adotar estratégias que garantam o acesso universal, equânime e ordenado às ações e serviços de saúde do SUS, inclusive aos trabalhadores temporários de alojamentos da construção civil que sediam nos respectivos territórios das Unidades de Saúde.
A motivação desta ação ocorreu após contato de empresa com o CEREST com queixas sobre ausência de referência para assistência de saúde aos trabalhadores alojados de uma Construtora responsável por 656 novas casas na Zona Norte de Marília. Para mapear tal situação buscamos atuação no campo da Vigilância da Saúde visando à priorização de problemas deste grupo populacional inserido nesta realidade territorial. Realizou-se entrevistas semi-dirigidas com 50 trabalhadores levantar informações como: gênero, a idade, nível educacional, estado civil, cidade de origem, nacionalidade, situação no mercado de trabalho, hábitos culturais e estilos de vida, informações de saúde (comorbidades, histórico familiar de adoecimento, uso de medicação, uso de álcool e drogas, tabaco, realização de atividade física, rotina de sono, queixas físicas e emocionais…) Dados sobre o processo de trabalho (função, tempo na função, EPI, acidente de trabalho, doenças relacionadas ao trabalho) Foram cerca de 04 encontros com esta população trabalhadora. Investigou-se também queixas de saúde que os levavam a buscar serviços de Urgência e Emergência do Município, considerando a falta de referência para assistência na unidade de saúde próxima ao alojamento. Foi possível identificar riscos, danos, necessidades, condições de vida e de trabalho para que pudéssemos proporcionar a condução clínica dos casos (diagnóstico, tratamento e alta), estabelecendo os mecanismos de referência e contra referencia necessários.
Através das 50 entrevistas realizadas com os trabalhadores alojados no período de agosto/2024 a outubro de 2024, observamos a predominância do sexo masculino, na faixa etária de 25 a 29 anos. Trabalhadores migraram das regiões: Norte (8%), Sudeste (48%), Nordeste (44%). Entre as principais queixas de saúde foram identificadas, hipertensão, diabetes e chama atenção para queixas de saúde mental bem como problemas com uso de álcool e tabaco. Vale lembrar a maioria estavam fazendo acompanhamento de saúde na cidade de origem e interrompeu quando aceitou a proposta de trabalho. Diante dos achados realizamos ações de Educação em Saúde do Trabalhador através de uma roda de conversa como temas pertinentes de DST/AIDS e utilização geral sobre o risco da interação de medicamentos e bebida alcoólica. E ainda fornecimento de preservativos (masculino e feminino). Apresentação e reflexão deste trabalho para gestão da AB, Grupo de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Marília e CISTT – Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora, onde, pactuou-se atendimento na Unidade de Referência de Saúde da Família, porém até este momento os mesmos continuam sem acesso a assistência.
O problema encontrado e que justificou a ação realizada reitera a necessidade de fortalecer e implementar os princípios, diretrizes e ações do SUS e do Programa Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora na Atenção Básica do município de Marília e em todos os outros municípios do país. É sensível e urgente que se reconheça o trabalhador como um usuário, que dentro do princípio de equidade, como um trabalhador alojado exige maior atenção. E ainda que esteja nômade, é um usuário, que reside dentro da área adscrita de cuidados de uma equipe de saúde e tem direito de acesso à saúde. Identificar as principais necessidades de saúde, considerar a condição vulnerabilidade social à que está exposto pela condição de alojamento, requer uma reflexão e exige novos modos de atuação em saúde nos diversos níveis de atenção da rede, mas especialmente na atenção primária em saúde e o CEREST não se furta da responsabilidade em através de ações de apoio matricial apoiar ações efetivas para a assistência – em promoção, prevenção e tratamento dessa população de trabalhadores vulneráveis.
SAÚDE DO TRABALHADOR, CEREST, EDUCAÇÃO EM SAÚDE
CAMILA COSTA RIBEIRO SIMIONATO, LUCIANA CALUZ CARVALHO PEREIRA