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A Estratégia do Consultório na Rua é parte da Política Nacional de Atenção Primária a Saúde. Equipamento este que tem como objetivo: ampliar o acesso à saúde a população que está em situação de rua. Daí vem os questionamentos: – Como ampliar o acesso a saúde as pessoas que utilizam as vias públicas como moradia? É um desafio construir rede de atenção voltada para o morador de área livre? Caso seja um desafio – o que pode potencializar ou dificultar a condução de Política Pública de quem vive nas ruas? A Equipe do Consultório na Rua (ECR) do munícipio de Santos-SP está buscando respostas. E um dos caminhos através de suas ações diárias – foi (e continua sendo) a realização, o levantamento e a análise de dados coletados de munícipes que estão sob sua vigilância. Informações estas que foram produzidas entre agosto de 2022 a dezembro de 2024. Segundo Pereira e Veiga (2014), analisar dados de saúde de uma população tão vulnerável, com demandas reprimidas construídas ao longo dos anos, passa a ser uma ligação interdisciplinar da epidemiologia com outras ciências: sociais, demográficas, econômicas e antropológicas.
Procurando a origem de explicações dos questionamentos de Fonseca e Teixeira (2015): quais os significados de estar na rua? Quais os modos de vida na rua? Quais as ferramentas que podem potencializar ou “despotencializar” a saúde de quem utiliza o espaço público como moradia? A ECR tem o objetivo de buscar respostas e procurar saber mais a origem, fatores e organização dos “irmãos e irmãs” que vivem nas ruas de Santos-SP – a partir da percepção dos próprios munícipes que se encontram em condição de rua. E voltando citar Fonseca e Teixeira (2015), entender que estes munícipes são pessoas que tem desejos, questões, problemas e singularidades. Levantar e analisar dados nos diferentes locais do munícipio de pessoas em situação de rua, pode contribuir e identificar os sentidos e vivência da rua.
A ECR constantemente e sistematicamente atuando nos territórios do município, documentou dados através de um questionário que produziu com perguntas voltadas para o bem estar do munícipe que está em situação de rua na cidade de Santos-SP. Munícipe este que é acompanhado pelo respectivo equipamento. E a análise dos dados obtidos, buscavam (e buscam) o entendimento da essência da saúde, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve: “a saúde é um bem estar físico, bem estar mental e bem estar social”.
A ECR coletou e analisou informações de 857 munícipes em situação de rua. Tendo assim os seguintes dados: – 49,1% estão inseridos na região do Paquetá/ Mercado Municipal. Uma das razões é que o único Centro POP do munícipio fica também nesta região. Equipamento este da Secretaria do Desenvolvimento Social (Seds) que é voltado para o atendimento exclusivo para a população de rua – com intuito de resgatar o exercício da cidadania plena; – Em relação ao tempo que estão vivendo nas ruas – a variante mais comum 38,6%, são o que estão 5 anos ou mais fazendo das ruas sua moradia. Caracterizados como situação crônica, em que quanto maior tempo nas ruas, maiores serão os desafios para sua reorganização como cidadão; – Embora 89,7% dos moradores de área livre fazem uso de álcool e outras drogas – o motivo mais prevalente que efetuou-se viver nas ruas, foi motivado por conflito familiar – representando o percentual de 33,1%. Daí vem questionamento: a droga é a causa ou a consequência de quem vive nas ruas? E entre as mulheres, o conflito familiar representa 43,4%; – Na primeira ou segunda abordagem da ECR – 65,6% relataram não ter problemas de saúde. E neste mesmo grupo, após o fortalecimento do vínculo com a equipe – 81,3% foram detectadas e diagnosticadas alguma patologia. Já os que relataram que tinham alguma doença – as respiratórias foi a mais comum entre os homens; e as infecções sexualmente transmissíveis a mais comum entre as mulheres e entre as trans femininas e masculinas
Um primeiro ponto a se considerar (e enfatizar) é que a população em situação de rua compreende uma população heterogênea, que apresenta particularidades na sobrevivência diária. Além de abranger um quadro complexo e multidimensional de vulnerabilidade social: trabalho, habitação, documentos, educação, saúde, situação sócio familiar, conflitos com a justiça, gênero, segurança alimentar, situações de violência, uso de álcool e outras drogas, desassistência das políticas públicas, estigmatizações e preconceitos. As vulnerabilidades e necessidades desta população, devem ser pensados a partir da heterogeneidade e peculiaridades que compreendem o universo complexo de necessidades de saúde e sociais da população que vive em situação de rua não só de Santos-SP, mas como em todo Brasil. O CnaR de Santos-SP, continua em buscas de respostas. Incorporando no seu “DNA”, ser um serviço desburocratizado – segue protocolos pra direcionar, e não determinar o que deve ser feito! E também no seu “DNA”, é um serviço flexível – em que o “irmão e/ ou a irmã” de rua tanto de forma individual, como coletiva é que irá direcionar o melhor caminho para o seu bem estar de físico, bem estar mental e bem estar social.
Consultório na Rua, levantamento/ análise de dados
APARECIDO OLIVEIRA DA SILVA JÚNIOR, MARCO ANTONIO ALEGRO, CARLOS ANDRE RODRIGUES, ALINE CHAVES GIMENEZ DA SILVA, CAROLINE MAIA HERNANDEZ, CRISTIANA FERNANDA VIANA DOS SNATOS, FELIPE DA SILVA AQUINO, KELLY NASCIMENTO WASCHINSKY, LIVIA MARIA CASERI CARDOSO, LUCAS FLORENCE FERNANDES, MARIA ZELIA VIEIRA SILVA, THAIS BERNARDO CUNHA