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A Sala de Situação de arboviroses de Mauá foi criada com o intuito de fomentar as discussões para tomada de decisões e ações necessárias na prevenção e no enfrentamento às arboviroses (dengue, zika e chikungunya). Esse espaço é destinado a reuniões entre representantes de todos os setores da secretaria de saúde e outras secretarias do município. As reuniões acontecem bimestralmente, mas podem ocorrer até semanalmente, de acordo com a situação epidemiológica atual. As reuniões no município iniciaram em 2022, mas não havia adesão pela maioria dos representantes dos setores envolvidos. A partir do início de 2024, a sala situação foi retomada de forma efetiva após convocações via gabinete da Secretaria de Saúde, assim passando a ter adesão frequente de diversas secretarias: Serviços Urbanos, Segurança Pública, Defesa Civil, Planejamento, Verde e Meio Ambiente, Comunicação, Ouvidoria Geral, Ouvidoria da Saúde, Habitação, Setor de Posturas. A partir das discussões realizadas na sala de situação, foram realizadas diferentes ações no município o que refletiu em 2025, com queda significativa na transmissão e melhoria dos indicadores.
Apresentar os impactos das ações realizadas a partir das discussões na sala de situação de arboviroses.
Enquanto abordagem, o presente trabalho possui natureza qualitativa, através de reuniões em grupo técnico. Com base na incidência de casos prováveis de dengue, monitorada semanalmente pela Vigilância Epidemiológica, as ações eram priorizadas e direcionadas às regiões com maior número de notificações, elevação do indicador e maior risco de transmissão. A partir dessas análises, a equipe da sala de situação identificava os atores estratégicos envolvidos, definia responsabilidades, discutia as estratégias e medidas necessárias e estabelecia o cronograma de início das intervenções, com o objetivo de conter a transmissão, reduzir a propagação da doença e minimizar seus impactos na população.
Após Mauá vivenciar, o ano de 2024, sua maior epidemia de dengue e adotar ações intersetoriais a partir de encontros na sala de situação de arboviroses elaborando estratégias direcionadas a áreas com maiores incidências, bem como descartes irregulares em áreas públicas. A exemplo disso, uma das experiências bem-sucedidas foi a realização de ação intersetorial no bairro Jd. Kennedy, onde havia naquele momento, a maior incidência de dengue. Fomos até o local para realizar um diagnóstico situacional. Após a avaliação da região, foram realizadas as seguintes ações integradas: retirada de mais de oito caminhões de inservíveis e lixo, realização terraplanagem do terreno, transformando-o em um campo, no entorno, foi feita uma pista para caminhada tornando o ambiente um espaço de lazer para a população. A exemplo dessa ação outras ações conjuntas pontuais foram sendo realizadas no município. O reflexo dessas ações pode ser observado de forma clara no ano seguinte, 2025, quando houve uma queda de mais de 80% em relação a 2024 passando de 11.530 para 1.687 casos confirmados em Mauá. A queda no número de casos refletiu também nos casos de óbitos. Em 2024 registramos 11 óbitos, ano com maior registro, já em 2025 não tivemos nenhum óbito confirmado por dengue, conforme dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN.
Considerações finais Enquanto comitê intersetorial, observamos os resultados positivos após diversas ações realizadas de forma contínua, resultando na redução drástica dos casos confirmados e nenhum óbito por dengue. Em termos de contribuições sociais, esse grupo tem importância significativa para a população, especialmente na redução do Aedes aegypti, consequentemente, na transmissão das arboviroses e na melhoria do ambiente em todos os aspectos.
Impactos, arboviroses, sala de situação
MICHELLE GAMA DE ABREU, ROBERVÂNIO ROMEIRO DAMASCENO, ALESSANDRA CRISTINA DOS SANTOS