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O município de Itu (SP), integrante da Região Metropolitana de Sorocaba e sob jurisdição da DRS Sorocaba, tem apresentado aumento progressivo das demandas em saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS), evidenciando a necessidade de qualificação das equipes para o manejo clínico, acolhimento qualificado e acompanhamento longitudinal de usuários em sofrimento psíquico. Diante desse contexto, foi implantado, em março de 2026, o Projeto de Multiplicação e Capacitação em Saúde Mental na APS, com execução prevista até dezembro de 2027. A iniciativa abrange as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município e articula-se à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com o objetivo de fortalecer o cuidado em liberdade e ampliar a resolutividade da APS. A formação de multiplicadores busca consolidar práticas pautadas na clínica ampliada, na corresponsabilização do cuidado e na atuação interprofissional, promovendo a integração entre os pontos da rede e a reorganização dos processos de trabalho. Participam enfermeiros gestores, técnicos e auxiliares de enfermagem, Agentes Comunitários de Saúde, psicólogos e assistentes sociais, impactando diretamente na qualificação do cuidado ofertado à população usuária do SUS, especialmente pessoas em sofrimento psíquico e suas famílias.
Fortalecer o cuidado em saúde mental na APS por meio da formação de multiplicadores capacitados para o acolhimento qualificado, identificação precoce do sofrimento psíquico, manejo de crises em liberdade e elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS). • Promover a integração entre APS e RAPS, ampliar a utilização de ferramentas como Genograma, Ecomapa e Escala de Coelho, qualificar o matriciamento em saúde mental e reduzir encaminhamentos e internações psiquiátricas evitáveis, consolidando a APS como ordenadora do cuidado no território.
Trata-se de um relato de experiência estruturado em quatro etapas: planejamento (março/2026), formação teórico-prática (abril a agosto/2026), aplicação territorial (setembro a dezembro/2026) e supervisão e avaliação continuada (janeiro/2027 a dezembro/2027). O projeto foi pactuado com a gestão municipal de saúde, assegurando apoio institucional. Foram realizadas 10 oficinas presenciais quinzenais, com carga horária de 4 horas cada, totalizando 40 horas, destinadas a profissionais das UBSs. Os conteúdos abordaram acolhimento em saúde mental, escuta qualificada, clínica ampliada, manejo de crises em liberdade, matriciamento APS-RAPS e elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS). Na etapa prática, os profissionais aplicaram os conhecimentos no território por meio da construção de PTS para casos acompanhados nas UBSs, com suporte de reuniões intersetoriais e ações de matriciamento. O monitoramento contempla indicadores quantitativos (número de profissionais capacitados, frequência das reuniões de matriciamento e utilização de instrumentos clínicos) e qualitativos (percepção das equipes, fortalecimento do vínculo e organização do cuidado).
Observa-se ampliação das competências técnicas e relacionais das equipes da APS para atuação em saúde mental, com maior segurança no acolhimento e no acompanhamento longitudinal dos usuários. Destacam-se como resultados: aumento do número de profissionais capacitados; maior utilização de instrumentos como Genograma, Ecomapa e PTS; fortalecimento do matriciamento em saúde mental; qualificação do manejo de crises no território; e tendência à redução de encaminhamentos desnecessários e de internações psiquiátricas evitáveis. Do ponto de vista qualitativo, identifica-se fortalecimento do vínculo entre equipes e usuários, ampliação da humanização do cuidado e maior corresponsabilização no acompanhamento terapêutico, contribuindo para maior resolutividade das UBSs e consolidação do cuidado integral no SUS municipal.
Considerações Finais A experiência evidencia que a formação de multiplicadores em saúde mental constitui estratégia potente de educação permanente e de reorganização dos processos de trabalho na APS. O fortalecimento da articulação entre APS e RAPS amplia a capacidade de resposta às demandas complexas em saúde mental, promovendo o cuidado em liberdade, reduzindo práticas hospitalocêntricas e valorizando a singularidade dos usuários. A consolidação do matriciamento e da clínica ampliada demonstra potencial para reduzir internações evitáveis e qualificar o cuidado territorial. Reafirma-se, assim, a educação permanente como eixo estruturante para sustentar mudanças institucionais e fortalecer a APS como coordenadora do cuidado na Rede de Atenção Psicossocial.
Saúde mental, atenção básica, acolhimento
MICHELLE LIVRIERI MARTINS CIZOTTO, MONICA PANZARINI SALVIANO, SILVIO CELESTINO DAS NEVES