Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Desde Alma-Ata, a atenção primária à saúde (APS) desempenha um papel crucial na promoção de cuidados abrangentes e acessíveis para diversos grupos populacionais. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a saúde bucal, atualmente amparada pela Lei 14.572/23, que institui a Política Nacional de Saúde Bucal no âmbito do SUS, possibilita o acesso universal, equânime e contínuo a serviços de saúde bucal de qualidade, dando resolução para toda demanda manifesta, espontânea ou programada. A compreensão aprofundada da demanda espontânea em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) é importante para otimizar a oferta de serviços e a organização do processo de trabalho na APS. A presente proposta se justifica pela necessidade de aprimorar a eficiência na abordagem das demandas espontâneas em saúde bucal, considerando a complexidade do território adscrito. Ao compreender mais detalhadamente as necessidades e padrões de busca por serviços odontológicos, será possível desenvolver estratégias mais resolutivas, promovendo uma APS ainda mais efetiva e alinhada aos princípios do SUS. Dessa forma, esta experiência poderá contribuir com o fortalecimento da prestação de cuidados odontológicos com equidade e integralidade, beneficiando diretamente a saúde bucal da população atendida.
Conhecer a demanda espontânea odontológica em uma Unidade Básica de Saúde. Dentre os objetivos específicos buscou-se avaliar o processo de qualificação da demanda espontânea após implementação de planilha e intervenção educativa com os auxiliares técnicos administrativos (ATA) que ficam na recepção.
Profissionais localizados em uma UBS na região de Vila Andrade de São Paulo, com 06 Equipes de Saúde da Família e 03 Equipes de Saúde Bucal (ESB) elaboraram uma planilha no Excel para conhecer a demanda espontânea odontológica. A planilha inclui variáveis como: data, nome, número do SUS, hora de chegada, digitador, motivo da consulta, equipe de saúde da família, e colunas preenchidas pelos ATA. Além disso, possui colunas para classificação de risco de saúde bucal e responsável pelo atendimento, preenchidas pela ESB. A ESB realizou uma intervenção educativa com os ATA para preenchimento da planilha e abordagem adequada dos usuários. Quando um usuário sem consulta agendada busca atendimento odontológico na UBS, a recepção faz uma escuta inicial, registra a demanda na planilha e encaminha o caso à ESB. A ESB acolhe o paciente, classifica o risco e determina se é necessário atendimento imediato, agendamento ou orientação do fluxo na UBS. A classificação divide-se em amarelo (alto risco) para atendimento iminente, verde (médio risco) para agendamento, e azul (baixo risco) indicando resolução por educação em saúde (Ramos et al., 2020). Ao analisar os dados da planilha, buscou-se conhecer as áreas que requerem maior atenção cruzando a frequência com a classificação de risco proposta. Além disso, cruzamos o motivo da consulta referido na recepção da UBS e a classificação de risco. Esses dados podem contribuir para uma gestão baseada no território, de modo mais eficiente.
A análise dos dados da demanda espontânea, no período de agosto de 2023 a janeiro de 2024, identificou um total de 1298 atendimentos. Ao observarmos os dados de acessos às equipes de saúde, a área que acessa com mais frequência a UBS na demanda espontânea odontológica pertence a equipe 5593 (19%), 5591 (16,7%), 5595 (16,5%), 5592 (15,15), 5594 (14,5%) e 5597 (11,5%). Existe um acesso de usuários de outras UBS, que chamamos fora de área cuja frequência foi de 4,8%. Ao cruzar a frequência com a classificação de risco, obtivemos no alto risco, ou seja, casos mais graves os fora de área (27%), equipe 5592 (21,9%), 5591 (18,9%), 5593 (18,2%), 5595 (17,2%), 5597 (16%) e 5594 (13,7%). No médio risco, observamos a equipe 5597 (46%), 5591 (45,1%), fora de área (42,8%), 5593 (42,5%), 5595 (41%), 5594 (39,6%) e 5592 (34,7%). Para baixo risco e evasões, a média das equipes foi de 25,1% e 6,1%, respectivamente. Do total de demandas espontâneas, 771 (59,4%) relataram dor ao se apresentarem na recepção. Porém, após a avaliação da ESB, a classificação de risco apresentou a seguinte configuração: 214 (27,7%) alto risco, 427 (55,4%) médio risco, 67 (8,7%) baixo risco.
Há concentração da busca em demanda espontânea classificada em médio risco em todas as equipes, o que demonstra uma demanda reprimida importante. Podemos inferir que apenas três equipes de saúde bucal para seis equipes de saúde da família é insuficiente para atender tamanha demanda. Nota-se necessidade de intervenções educativas e intersetoriais que promovam saúde bucal nas áreas com maior número de casos de alto e médio risco a fim de promover saúde. O apoio das equipes de saúde da família neste processo precisa ser considerado. Embora a maioria das demandas espontâneas tenha relatado dor ao se apresentarem na recepção, a avaliação da ESB resultou em uma classificação de risco diferente. Essa discrepância ressalta a necessidade de aprimorar a escuta dos ATA por meio de capacitações, visando melhorar o fluxo e maior eficiência da assistência. A categorização por risco nas equipes fornece informações valiosas para o planejamento. Essa abordagem possibilita um alinhamento mais efetivo do atendimento com as reais necessidades da população atendida, contribuindo para a otimização dos serviços de saúde bucal oferecidos.
Saúde Bucal, Atendimento, UBS
AFONSO LUIS PUIG PEREIRA, Cleiton Carlos Christiano Siqueira, Cristina Gaiba de Almeida