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O Serviço Residencial Terapêutico (SRT) – ou residência terapêutica ou simplesmente moradia – são casas localizadas no espaço urbano, constituídas para responder às necessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos mentais graves, institucionalizadas ou não. O serviço de Residência Terapêutica surge no Brasil visando à atenção integral ao indivíduo com transtorno mental priorizando a inserção social desses indivíduos. Essa iniciativa começou a partir do processo de desinstitucionalização de usuários de um hospital psiquiátrico para a ida a uma Residência Terapêutica em sua cidade de origem e abordamos a alimentação como facilitador a convivência do individuo e importante para estabelecer confiança e vínculo. A alimentação além de ser algo vital e ter a função de nutrir nosso corpo também cumpre uma papel importante na questão afetiva e no fortalecimento de vínculos. Todos nós temos nossas memórias afetivas ligadas a algum prato e/ou alimento e relacionadas com alguém seja mãe , tia, pai, avó , lugares e acontecimentos que nos marcam e nos atravessam.
Narrar a experiência vivida de desinstitucionalização de usuário de saúde mental utilizando como ferramenta de vinculação a comida. Promover a reflexão sobre estratégias de aproximação com os usuários no processo de desinstitucionalização.
Homem, de 55 anos, tem profissão e completou o Ensino Superior. Com histórico de internações em comunidades terapêuticas e hospitais psiquiátricos. De difícil interação, arredio às conversas e demonstrando pouco vinculo. Foram realizados 06 encontros com intuito de aproximação e fortalecimento do vínculo até mudança do usuário a Residência Terapêutica. Os encontros de aproximação fizeram a equipe refletir acerca das estratégias utilizadas na desinstitucionalização. Oportunizando suas memórias ligadas a comida e ao alimento. Em um segundo encontro ele nos relata qual era seu prato predileto recordando a sua mãe. No encontro posterior, foi preparado e levado a ele esse mesmo prato. Durante os encontros foram preparados para ele Lasanha, Bobó de camarão e pratos árabes e no final em sua visita a Residência o mesmo foi recebido com um churrasco. Da experiência com essa vivência, na relação com o usuário foi formado um vínculo sustentado com 02 ingredientes fundamentais: afetos e o cuidado em liberdade. Pois para sua surpresa habitar uma casa, ter outros companheiros e poder compartilhar momentos de convívio e autonomia faz a diferença em sua vida.
Dessa experiência, ficou clara a necessidade de se descobrir novas formas de se vincular e trazer o cuidado em liberdade para a cena no processo de desinstitucionalização. Tornar o trabalho vivo e implicado nas memórias e nos afetos, faz nos reafirmar a importância das Residências Terapêuticas como um espaço fundamental para o exercício da reforma psiquiátrica, onde a coletividade, as partilhas constroem pouco a pouco esse lugar já perdido. Trazer essa experiência aos profissionais dos CAPS e das Residências Terapêuticas (RT) também coloca o trabalho da saúde como um trabalho vivo, propulsor de criatividades e não um mero cumpridor de atividades
O usuário em sua cidade de origem, está completamente vinculado à RT, pratica atividades esportivas e tem bom relacionamento com os colegas. Pensar o cuidado integral, coletivo e que consiga estabelecer relações e trocas sociais entre jovens e adultos, em particular este homem que se encontrava em situação de dependência, que não disponham de condições de autossustentabilidade ou de retaguarda familiar, foi um grande desafio deste relato. Aliar a equipe e garantir à construção da autonomia, da inclusão social e comunitária e do desenvolvimento de capacidades para a vida diária também garante qualidade de vida, independência e inclusão social.
Desisntitucionalização; saúde mental; vínculo.
David Abdo Benetti