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Taboão da Serra é município localizado na região sudoeste de São Paulo. Tem aproximadamente 275.512 habitantes, sendo a primeira em densidade demográfica no estado de São Paulo. A alta densidade demográfica tem implicações importantes na saúde da população. Gera grandes demandas em Saúde Mental. A organização da atenção em Saúde Mental há muitos anos foi desenhada reconhecendo a importância de estar descentralizada, próxima à população. Dessa forma, cada unidade básica de saúde conta com atendimento em psiquiatria e psicologia, São 14 as UBS do município. Além disso, a rede municipal em saúde mental é composta de três CAPS (infanto-juvenil, Álcool e Drogas e o II), Centro de Convivência, e atendimento às urgências psiquiátricas em Pronto Socorro Municipal. Com esse desenho, temos 22 psiquiatras, 35 psicólogos, 12 enfermeiros, 11 técnicos em enfermagem, 2 assist. social, 1 nutricionista, 5 fonoaudiólogos, 1 pediatra que compõem essa rede. O município entende a Atenção Primária como ordenadora do cuidado. Como tal, precisa criar instrumentos que permitam entender como acontece o acesso a seus serviços de saúde e que permitam ao gestor a tomada de decisões.
Criar instrumento que permita a discussão de diversos aspectos referente à utilização dos serviços de saúde da AP no que diz respeito à Saúde Mental.
Foi realizado o levantamento de todos os pacientes que foram atendidos nas UBSs e que têm como CID, o capítulo V da décima revisão, que diz respeito à Saúde Mental, no período de 1 de janeiro a 31 de dezembro de 2025. Foram 12.078 pacientes nessas condições. Pacientes foram identificados pelo CPF de forma a evitar repetições. Na ocorrência de mais de um registro para o mesmo CPF, foi utilizada a última passagem em saúde mental, pelo serviço. Foram analisados atendimentos de todos os médicos e não apenas de psiquiatras e de psicólogos. Verificada a UBS na qual o paciente está cadastrado. Também foi levantado o número total de pacientes cadastrados por unidade de saúde. A construção desse instrumento de análise foi baseada na observação das ocorrências de atendimento pelo capítulo F da CID10, durante o ano de 2025. O conhecimento da distribuição de moradores por região da cidade, assim como de usuários da rede cadastrados por unidade nos fez pensar na construção de uma razão de proporcionalidade. Dessa forma, observamos inicialmente o número absoluto de atendidos por unidade de saúde. Em seguida, dividimos o número de pacientes atendidos pelo número de cadastrados na unidade. Utilizamos a constante de 100.000 habitantes para que seja possível estabelecer comparação entre os diferentes serviços. Alinhamos as unidades de saúde em ordem decrescente tanto no que diz respeito ao número de ocorrências absoluto, quanto à proporção proposta.
A observação do número absoluto de ocorrências alinhadas em ordem decrescente é bem diversa da que leva em consideração o número de usuários cadastrados na unidade. Na primeira análise, a UBS Jardim das Margaridas fica em primeiro lugar com 1380 registros. Ao se aplicar a fórmula proposta ela passa a ser a nona unidade. O Coeficiente de utilização por saúde mental é de 4,3mil por 100.000 habitantes. A UBS Dra. Tânia que na primeira análise estava em quarto lugar, com 1052 registros, passa a ocupar a primeira colocação, com coeficiente de 7,5mil por 100.000 hab.. Chama especial atenção duas unidades que são muito próximas geograficamente e no número de pacientes cadastrados que, aplicado o cálculo proposto apresentam resultado bem diverso. A UBS Santo Onofre e a Scândia/Panorama têm praticamente o mesmo número de usuários cadastrados, Pouco mais de 14.000 cada uma. Enquanto a primeira teve 1091 registros de atendimento em saúde mental, a segunda teve apenas 310. Ao verificarmos o coeficiente encontrado, temos 5,8 para a UBS Santo Onofre e apenas 1,7 para a Scândia/Panorama.
Os resultados encontrados levam a importantes reflexões para toda a equipe e também para a gestão. Remetem à composição das equipes; o quanto médicos de família abarcam demanda em saúde mental; como a falta de médico psiquiatra e psicólogo interferem na abordagem dessa temática, dentre outras. Quando comparamos a UBS Santo Onofre com a UBS Panorama temos um coeficiente muito menor nessa última. A coordenação de saúde mental traz o fato de não ter tido profissionais específicos de saúde mental durante seis meses de 2025 na unidade de menor coeficiente. Isso exige ações por parte da gestão para garantia de acesso. Por sua vez, a UBS Dra. Tânia passa à primeira posição quando verificado seu coeficiente. A equipe existente na unidade é suficiente para explicar essa mudança de posição? Coopera para isso ser uma região de população mais idosa e de melhor poder aquisitivo? Esses fatores são relevantes na busca por atendimento em saúde mental? A intenção ao estudar essa proporcionalidade e relacionar a uma constante, para criar um coeficiente é a de permitir comparações. Evita interferências que possam desviar o olhar de discussões necessárias para que decisões de gestão possam ser tomadas, no intuito de melhorar acesso.
indicador, saúde mental, instrumento
RAQUEL ZAICANER, THAÍS MENDES DE SOUZA, THIAGO KENJI TATEISHI, RAFAEL PEREIRA DA SILVA MARTINS, MAURO ANTONIO MONTEIRO BRANDÃO, AILTON GARCIA BOGALHO JUNIOR, TABATA SILVA FARIAS