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A tomada de decisão na saúde pública exige critérios objetivos e processos participativos. Em 2025, a Escola Municipal de Saúde estruturou um projeto inovador que integrou oficinas preparatórias e a construção de matrizes decisórias durante o Simpósio, com destaque para dois eixos estratégicos: os desafios da Escola Técnica do SUS (ETSUS-SP) e a valorização do ensino e da COREMU. A proposta surgiu da necessidade de qualificar lideranças para decisões mais criteriosas, reduzir conflitos e alinhar estratégias às diretrizes do SUS. As matrizes permitiram avaliar problemas considerando urgência, capacidade de enfrentamento, valor e interesse, fortalecendo a governança democrática e integrando planejamento, ensino e gestão.
Descrever a experiência técnica de construção de matrizes decisórias no Simpósio EMS-SP, detalhando etapas, metodologia e resultados. Especificamente, apresentar como as oficinas preparatórias e a prática coletiva contribuíram para ampliar a capacidade de análise situacional, priorização de problemas e negociação entre diferentes áreas, evidenciando a relevância da metodologia para fortalecer a governança participativa e qualificar processos decisórios no âmbito da saúde pública municipal.
O projeto foi desenvolvido em três etapas: (1) Oficinas preparatórias: duas sessões (16h) abordando conceitos de planejamento estratégico, análise situacional e fundamentos das matrizes decisórias, com exercícios práticos de priorização; (2) Construção das matrizes: aplicação de quatro tipos de matriz (valor/interesse; urgência/capacidade; magnitude/custo; relevância/factibilidade) em grupos temáticos durante o Simpósio, utilizando problemas reais da gestão municipal; (3) Socialização: apresentação das matrizes em plenária, com debate sobre critérios e implicações para a tomada de decisão. Instrumentos: planilhas, templates impressos e recursos multimídia. Indicadores: participação das regionais, diversidade de problemas analisados e qualidade das justificativas. Limitações: tempo reduzido para aprofundamento e necessidade de continuidade para implementação das soluções pactuadas.
Durante o Simpósio, os grupos temáticos construíram matrizes decisórias com base em problemas reais da gestão municipal, organizados em eixos estratégicos: Integração ensino-serviço e COAPES; Tecnologia e informação; Financiamento das residências; Apoio técnico e pedagógico; Educação Permanente e ETSUS; Gestão participativa e planejamento. Exemplo detalhado – Eixo Ensino e COREMU: Este eixo abordou os desafios relacionados à valorização, formação e vínculo da preceptoria, tutoria e núcleos docentes, bem como à coordenação e supervisão dos programas de residência (COREMU/COREME). Os problemas identificados foram: (1) Falta de remuneração e plano de carreira adequados para preceptores e tutores (nota 9); (2) Deficiência na percepção da missão educadora dos serviços (nota 6); (3) Ausência de apoio institucional para participação em qualificações (nota 7); (4) Sobrecarga assistencial do preceptor, reduzindo tempo para atividades de ensino (nota 8); (5) Dificuldade na construção da identidade do preceptor/tutor (nota 10); (6) Falta de oferta de cursos para qualificação profissional (nota 5). Problemas com nota ≥ 8 foram considerados prioritários para pactuação imediata. Exemplo detalhado: Eixo Escola Técnica do SUS: Este eixo tratou da necessidade de fortalecer a ETSUS como referência na formação técnica em saúde. Os problemas priorizados foram: (1) Insuficiência de infraestrutura física e tecnológica para cursos práticos (nota 9); (2) Carência de docentes especializados.
A experiência demonstra que matrizes decisórias são eficazes para qualificar escolhas e pactuações na gestão pública em saúde. As oficinas proporcionaram base conceitual sólida, enquanto a prática no Simpósio consolidou a aplicação da metodologia em situações reais, favorecendo diálogo, transparência e integração entre áreas. Resultados: maior clareza na definição de prioridades e fortalecimento da governança participativa. Recomenda-se institucionalizar o uso das matrizes em processos estratégicos, ampliar a capacitação de equipes e integrar essa prática aos instrumentos de planejamento e monitoramento, garantindo decisões mais criteriosas e alinhadas às necessidades da população.
Matrizes decisórias, Gestão processos.
VALNICE DE OLIVEIRA NOGUEIRA, LEANDRO MACHADO DIAS E SILVA, CRISTIANE DE OLIVEIRA GONZALES RODRIGUES, REGINA MARIA DOS SANTOS MARINHO, EDERSON DONIZETTI DOS SANTOS, CLAUDIA REGINA DE MORAES ABREU