Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O desafio da Sífilis na saúde pública permeia ações estratégicas prioritárias nos serviços de saúde para enfrentamento da Sífilis em Gestante e Congênita, tornando imprescindível a construção de estratégias para desenvolvimento de práticas assistenciais nos serviços de saúde, assegurando ao binômio materno/infantil, o direito à atenção humanizada no pré-natal, parto, puerpério e atenção infantil. As ferramentas para redução da Sífilis em Gestante e Congênita são constituídas por tecnologias simples e custo efetivas, como testagem rápida e penicilina, bem como processos de trabalho estabelecidos com assistência pré-natal adequada, como: captação precoce e vinculação, testagem para Sífilis no primeiro e início do terceiro trimestre e no momento do parto, instituição do tratamento oportuno e adequado às gestantes e suas parcerias, seguimento pós tratamento, busca ativa de faltosas, registro dos resultados e tratamentos no cartão de pré-natal e notificação dos casos. Um estudo de mestrado profissional evidenciou a lacuna do conhecimento na literatura científica e a problemática epidemiológica local com aumento expressivo de casos, destarte, justificando a necessidade de construir estratégias para redução da Sífilis Congênita na rede de atenção à saúde, contribuindo para diminuição da fragilidade existente em território nacional e também observada na prática de trabalho deste município de Lins/SP.
Construir de forma participativa estratégias para redução da SC no município de Lins/SP; Desenvolver Oficina de Trabalho junto a rede de atenção à saúde, com propósito de reflexão, ação e protagonismo dos profissionais; Consolidar uma resposta integrada em rede para enfrentamento e redução da Sífilis Congênita;
Pesquisa-Ação permeada pelas 12 fases propostas por Thiollent (2011), envolvendo profissionais da rede de atenção à saúde (RAS) do município de Lins/SP, iniciada em março/2023 com levantamento da literatura científica sobre estratégias/intervenções e diagnóstico situacional com dados epidemiológicos locais, culminando no desenvolvimento didático e participativo da Oficina. Foram convidados 80 profissionais da RAS (enfermeiros, médicos clínicos, pediatras e ginecologistas, assistentes sociais, psicólogo, nutricionista e educador físico), pertencentes a atenção primária à saúde, ambulatório de gestação de alto risco, maternidade, área técnica e gestão como Saúde Coletiva, Vigilância Epidemiológica e Programa de IST/Aids/Hepatites. A Oficina foi estruturada em três encontros presenciais, semanais, duração média de três horas e meia, duas turmas distintas (matutino e vespertino), totalizando seis encontros, mantendo a assistência na RAS. A didática utilizada viabilizou a imersão na problemática pelo contato alusivo a temática, aflorando fragilidades, potencialidades e desafios em torno da assistência materno-infantil. A reflexão sobre o problema vivenciado em suas práticas cotidianas de trabalho, possibilitou elencar os principais pontos a serem trabalhados para construção de um instrumento técnico capaz de contribuir com a organização, padronização e planejamento dos processos de trabalho nos serviços de saúde desta rede de atenção.
Participaram da Oficina 56 profissionais de saúde, representando 68,2% dos convidados, oportunizando o conhecimento, sensibilização, fundamentação teórica e a construção de um plano de ações estratégicas para redução da Sífilis Congênita (SC). Primeiro encontro: sensibilização do grupo, apresentação da proposta, construção do fluxo da rede sobre Sífilis em Gestante (SG), diagnóstico situacional com dados epidemiológicos; Segundo Encontro: teoria dialogada com embasamento científico e imersão em documentos técnicos e protocolos, casos reais de SG que evoluíram a SC e elaboração de instrumento de planejamento contendo a identificação da ação, potencialidades e fragilidades; Terceiro Encontro: apresentação das concepções geradas sobre os casos reais, importância da notificação compulsória, consolidação do planejamento com 19 objetivos, sendo seis voltado para todas as gestantes e 13 para as gestantes com Sífilis, detalhados com ações, aprazamento, categoria profissional e setor responsável, possibilitando a construção do produto final de cada grupo da Oficina Perfazendo o exercício intelectual, consolidou-se o “Plano de Ações Estratégicas à Redução da Sífilis Congênita” construído de forma participativa, promovendo a sensibilização e comprometimento dos colaboradores em disseminar o constructo junto às suas equipes, visando colocá-lo em prática para transformação de processos de trabalho factíveis e exequíveis.
O desenvolvimento da Oficina proporcionou a participação ativa e cooperativa dos profissionais, buscando solução conjunta a problemática vivenciada, compartilhando troca de saberes formais e informais e experiências práticas das distintas especialidades e setores. O processo de elaboração do plano de ações estratégicas, considerou as evidências científicas da literatura, a análise epidemiológica de Sífilis em Gestante e Congênita, a experiência dos profissionais e os recursos disponíveis. Tal fato possibilitou aproximar o plano à realidade, visando sua funcionalidade prática, constituindo-o como uma potente ferramenta às necessidades assistenciais da saúde materno-infantil em processos de trabalhos voltados à redução da Sífilis Congênita. Este trabalho pode ser replicado em outros serviços e problemáticas, sendo profícuo na geração de impacto a nível local a internacional no âmbito da saúde pública, ainda que seu desenvolvimento envolveu recursos de custo acessível e a escassez de estudos na temática estratégias/intervenções padronizando e/ou sistematizando a assistência da gestante com Sífilis e a necessidade de redução da Sífilis Congênita, é uma realidade mundial.
Sífilis Congênita, Assistência Materno-Infantil
Juliana Sanches Ravagnani