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A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é composta por serviços e estabelecimentos de diversos setores de um município que atuam de maneira integrada para um mesmo objetivo: o de produzir cuidado e atenção integral, a fim de fortalecer os determinantes biológicos, psicológicos e sociais responsáveis pelo bem estar dos usuários dos serviços. O município de Nova Europa, localizado no interior do estado de São Paulo, é considerado de pequeno porte, com menos de 10.000 habitantes, não contando portanto com CAPS e CREAS em sua rede. No ano de 2023 a RAPS passou por uma reestruturação no município, com o objetivo de promover uma linha de cuidado articulada, não somente em saúde mental, mas objetivando também transpor barreiras para a promoção de saúde de maneira integral, fomentando a corresponsabilização e potencialização das ações pela junção de conhecimentos e experiências das equipes através da transdisciplinaridade. Antes da reestruturação o cuidado se dava de forma fragmentada, não só entre os profissionais da saúde, mas considerando toda a rede, o CRAS, o Conselho Tutelar, o serviço de urgência e emergência, etc.
– Reestruturar a Rede de Atenção Psicossocial no município de Nova Europa; – Promover um cuidado integral e articulado em saúde mental e no manejo de pacientes que fazem uso abusivo de álcool e outras drogas.
Observando a demanda crescente de casos de saúde mental, principalmente aqueles que envolviam abuso de álcool e drogas, os quais demandam alta articulação da rede para o correto manejo, a Diretoria de Saúde no início de 2023 iniciou um movimento de reestruturação da RAPS, que se encontrava fragmentada até então. Embasada em normativas do Ministério da Saúde, e com apoio do DRS 3 Araraquara, deu início a dois importantes movimentos: criou o “Grupo VIDA”, de apoio a usuários de álcool e outras drogas, e o grupo de orientação aos familiares desses pacientes. Paralelamente, convocou toda a rede para a criação do “Grupo Técnico da RAPS”, no qual deveriam haver representantes da Atenção Primária, da Atenção Especializada, da Atenção às Urgências e Emergências, da Diretoria de Educação, da Diretoria de Desenvolvimento Social e Conselheiros Tutelares. O Grupo Técnico acordou uma agenda mensal de reuniões, onde inicialmente foram tratados dos corretos fluxos desses usuários na rede, que se daria da forma mais articulada possível, e posteriormente as pautas passaram a ser a discussão dos casos mais complexos acompanhados pela RAPS. No início foram necessários momentos de educação permanente, para todos os profissionais, sobre as normativas da RAPS e sobre o objetivo do cuidado ofertado em cada ponto da rede. Tais temas são retomados frequentemente de acordo com os desafios encontrados no dia-a-dia pelo grupo condutor, que atualmente também incluiu um representante da Polícia Militar.
A partir da reestruturação da RAPS foi possível evidenciar os desafios da rede no cuidado compartilhado em saúde mental e no manejo do abuso de álcool e outras drogas e então, coletivamente, criar ferramentas para superar essas dificuldades. A Saúde criou pontos de acolhimento e cuidado a esses usuários e seus familiares, que até então existiam apenas no setor de Desenvolvimento Social, se fazendo incluir como importante ponto de cuidado da rede e propiciando um vínculo desses pacientes e também com suas famílias. Além disso, a Saúde tornou-se responsável pela regulação das vagas em Comunidades Terapêuticas da FEBRACT, as quais não tinha conhecimento anteriormente. Foram criadas ferramentas que facilitaram a comunicação de toda a RAPS, expandindo as trocas de informações e experiências para além das agendas mensais de reunião, que também foram implantadas, e possibilitando uma aproximação dos diferentes setores, por exemplo da Atenção Especializada com o Serviço de Pronto Atendimento municipal, nos casos de internação para desintoxicação. Isso tudo possibilitou a corresponsabilização do cuidado a estes usuários que são acolhidos por toda a RAPS, mas atualmente têm um caminho a seguir na rede mais bem estruturado, que oportuniza um cuidado integral. Além disso, os espaços também tornaram-se momentos de educação permanente aos profissionais da RAPS, possibilitando um contínuo aprendizado sobre o tema.
Estruturar uma rede compartilhada de forma intersetorial tem muitos desafios, mudanças de paradigmas, criação e monitoramento de novos fluxos, entre outros; mas o trabalho em rede é a única forma de oferecer um cuidado integral para a população, em especial, mas não somente, nos casos de saúde mental e abuso de álcool e drogas. Sendo assim, o empenho de diferentes atores envolvidos nesse cuidado é necessário. A Atenção Básica deve assumir seu papel de norteadora do cuidado e envolver os demais componentes da rede para que a RAPS se fortaleça também nos municípios de pequeno porte, mas todos os componentes devem se empenhar nessa articulação, afinal a rede é formada por pessoas! Mesmo após inúmeras melhorias nesse último ano, a construção da RAPS é contínua, e sempre será, pois só a mudança pode trazer avanços!
RAPS; Atenção Básica
Nathalia Denardi Casotti, Katarina Dudienas Dovidauskas, Daniela de Jesus Ferreira