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A Atenção Primária à Saúde (APS) é responsável por organizar o cuidado no Sistema Único de Saúde, coordenando ações e acompanhando a população de forma contínua. No município de Lucianópolis, identificou-se a necessidade de aprimorar a atualização cadastral das famílias, reorganizar as microáreas dos Agentes Comunitários de Saúde e fortalecer o trabalho em equipe, especialmente no cuidado às pessoas com hipertensão e diabetes. Entre maio e outubro de 2025, foram realizados encontros mensais de Educação Permanente com gestores e profissionais da APS. A proposta surgiu da necessidade de qualificar o planejamento das ações, melhorar o conhecimento do território e garantir maior acesso e continuidade do cuidado. A reorganização do processo de trabalho buscou tornar a assistência mais eficiente, priorizando usuários com maior risco e promovendo integração entre os profissionais. Assim, a Educação Permanente foi utilizada como estratégia para transformar a prática cotidiana e melhorar a resolutividade da Atenção Básica.
Fortalecer a organização da Atenção Primária à Saúde por meio de encontros sistemáticos de Educação Permanente, estimulando a reflexão crítica e o trabalho colaborativo entre os profissionais. Qualificar a territorialização e o cadastramento das famílias, ampliando o conhecimento sobre as condições sociais e de saúde da população. Melhorar o acolhimento e implantar a estratificação de risco para priorizar usuários com maior vulnerabilidade, especialmente pessoas com hipertensão e diabetes. Organizar o cuidado às condições crônicas por meio de rastreamento ativo, acompanhamento multiprofissional, elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares e fortalecimento da articulação com serviços especializados, garantindo maior integralidade e continuidade da atenção.
O projeto foi desenvolvido por meio de encontros mensais com a equipe gestora e profissionais da APS, utilizando rodas de conversa, estudo de casos e análise da realidade local. 1ª etapa: Revisão da territorialização e atualização cadastral das famílias, com construção de mapa das microáreas e reorganização das áreas dos ACS. 2ª etapa: Implantação do rastreamento ativo de hipertensos e diabéticos em visitas domiciliares e ações coletivas. 3ª etapa: Implementação da estratificação de risco para organizar agendas e priorizar atendimentos conforme gravidade. 4ª etapa: Realização de reuniões multidisciplinares para discussão de casos complexos e elaboração de Projetos Terapêuticos Singulares. 5ª etapa: Organização de fluxos de encaminhamento e fortalecimento da articulação com serviços de referência. A articuladora atuou como facilitadora do processo, apoiando a implementação das ações e acompanhando os resultados.
A experiência promoveu maior integração entre os profissionais e fortalecimento do trabalho em equipe. Houve melhora na atualização dos cadastros, ampliando o conhecimento sobre o território e permitindo identificar usuários em situação de maior vulnerabilidade. O rastreamento ativo possibilitou detectar precocemente pessoas com risco cardiovascular, favorecendo o início ou ajuste do tratamento. A estratificação de risco contribuiu para organizar as agendas e priorizar atendimentos conforme necessidade clínica. As reuniões de discussão de casos melhoraram a comunicação interna e possibilitaram cuidado mais compartilhado e planejado. Observou-se maior continuidade do acompanhamento dos pacientes com condições crônicas, além de aumento da resolutividade da APS no manejo da hipertensão e diabetes. A equipe relatou maior clareza nas funções e responsabilidades, além de melhoria nos fluxos de atendimento.
A Educação Permanente mostrou-se uma estratégia eficaz para reorganizar o processo de trabalho na Atenção Primária. Ao discutir problemas reais do território e construir soluções coletivamente, a equipe fortaleceu o compromisso com o cuidado integral. Ferramentas simples, como mapas, planilhas e reuniões de caso, contribuíram para melhorar a organização do serviço e a priorização dos usuários com maior risco. Apesar dos desafios, como sobrecarga de trabalho e limitações estruturais, a participação ativa dos profissionais demonstrou que mudanças são possíveis quando há diálogo e corresponsabilização. A continuidade desses espaços de aprendizagem tende a consolidar uma APS mais organizada, resolutiva e centrada nas necessidades da população, especialmente no cuidado às condições crônicas.
Educação - território- capacitação- atualização
ELAINE CRISTINA TONI XAVIER, AMANDA SIERRA SARDI, FERNANDA DORETO ANDRÉ, JULIANO BIM RAMOS, VAGNER DE MELO PEREIRA, JOCIANE MARCONDES RAMOS, MARIANE BENETTI DO NASCIMENTO MARCONDES, VALERIA NUNES VIDOTTI