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O Programa Redenção constitui uma política pública intersetorial do município de São Paulo voltada ao cuidado integral de pessoas em situação de vulnerabilidade nas Cenas Abertas de Uso, especialmente na região central da cidade. A complexidade desse contexto impõe desafios permanentes à coordenação entre diferentes secretarias, níveis de gestão e equipes de linha de frente, historicamente marcados por fragmentação institucional, descontinuidade de fluxos e dificuldades na articulação das ações no território. Diante desse cenário, os Encontros de Integração entre equipes do Consultório na Rua e gestores intersetoriais, realizados de forma sistemática desde 2024, emergem como uma estratégia técnico-operacional relevante para alinhar práticas, qualificar processos de trabalho e fortalecer a atuação integrada da rede pública. A realização deste trabalho justifica-se pela necessidade de compreender, sistematizar e dar visibilidade aos efeitos desses encontros como dispositivo de governança intersetorial, capaz de organizar a ação coletiva em contextos de alta vulnerabilidade social. Ao analisar essa experiência, o estudo busca contribuir para o aprimoramento da gestão pública, oferecendo subsídios técnicos para a qualificação das práticas institucionais, a redução de assimetrias entre atores e o fortalecimento da coordenação entre políticas públicas no território.
Este relato técnico buscou Analisar os Encontros de Integração entre equipes do Consultório na Rua e gestores intersetoriais no âmbito do Programa Redenção, compreendendo de que maneira esses espaços técnico-operacionais contribuem para o fortalecimento da atuação intersetorial, para a organização da gestão de stakeholders e para a qualificação das práticas institucionais voltadas ao cuidado integral em territórios de alta vulnerabilidade social no município de São Paulo.
O estudo adota a abordagem qualitativa de estudo de caso, fundamentada em análise documental, registros institucionais e observação direta. Foram examinados seis encontros de integração realizados entre setembro de 2024 e maio de 2025, envolvendo trabalhadores da linha de frente e gestores de diferentes áreas da Secretaria Municipal da Saúde, além da participação de representantes de outras secretarias parceiras. As atividades incluíram rodas de conversa, pactuação de fluxos intersetoriais e compartilhamento de práticas, permitindo identificar avanços na comunicação institucional, na legitimação de saberes técnicos e na construção de vínculos de confiança entre os diferentes níveis de gestão.
Identificaram-se avanços na comunicação intersecretarial, na legitimação de saberes técnicos e na construção de vínculos de confiança entre diferentes níveis da gestão. A experiência demonstrou capacidade de reduzir fragmentações nos fluxos biopsicossociais, ampliar a coordenação das ações e consolidar práticas de pactuação intersetorial. Contudo, permaneceram lacunas importantes, como a ausência de escuta sistemática dos usuários do sistema SUS e dos trabalhadores, bem como a carência de dados quantitativos que permitam mensurar os impactos das ações.
A análise dos Encontros de Integração no âmbito do Programa Redenção evidenciou que esses espaços funcionam como um dispositivo relevante de governança intersetorial em territórios marcados por alta vulnerabilidade social e complexidade institucional. A sistematização da experiência demonstrou avanços na articulação entre equipes de linha de frente e gestores, no fortalecimento da comunicação intersetorial e na qualificação dos fluxos de cuidado, contribuindo para a redução de fragmentações nas ações públicas. Os encontros favoreceram a construção de pactuações técnicas mais consistentes, baseadas na escuta qualificada e no reconhecimento dos saberes práticos dos trabalhadores do território. Apesar dos limites relacionados à ausência de indicadores quantitativos e à incorporação sistemática da perspectiva dos usuários, os resultados apontam que a iniciativa possui potencial de replicabilidade em outros contextos intersetoriais, configurando-se como uma tecnologia organizacional capaz de fortalecer a coordenação institucional, a corresponsabilidade entre atores e a efetividade das políticas públicas em contextos complexos.
Gov. Colaborativa; Gestão Intersetorial; Pol. Públ
LINDSAY MOL DE SOUZA