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Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são equipamentos de saúde que realizam o atendimento a pessoas em sofrimento psíquico grave embasando sua prática não apenas na clínica, mas em todo o contexto no qual o sujeito está envolvido, realizando intervenções para que seja assegurada sua reinserção na família e sociedade. Buscando a inclusão, integração e participação na sociedade dos usuários dos serviços de Saúde Mental de Santana de Parnaíba foi organizado o 1° Sarau da Saúde Mental. Um sarau é um evento cultural e social em que pessoas se reúnem para compartilhar e apreciar expressões artísticas, como poesia, música, dança e teatro. Os saraus têm origens históricas e desempenham um papel importante na cultura e na sociedade, proporcionando uma plataforma para a troca de ideias e a conexão entre os participantes. Os saraus são eventos abertos e inclusivos, onde todos são bem-vindos a participar, seja apresentando suas obras, apoiando outros artistas ou simplesmente apreciando as apresentações. Em consonância com as propostas da Reforma Psiquiátrica, o 1° Sarau da Saúde Mental surgiu como estratégia de valorização das potencialidades dos usuários e da comunidade, enfatizando os pressupostos da Luta Antimanicomial.
Este trabalho objetiva relatar a experiência do 1° Sarau da Saúde Mental realizado no município de Santana de Parnaíba em comemoração aos 23 anos da Luta Antimanicomial no Brasil.
Em janeiro de 2024, iniciaram-se as discussões dentro da comissão de eventos da unidade e esta iniciativa foi levada ao grupo técnico de eventos da Saúde Mental do município, como propostas do que poderia ser feito no mês de maio, para visibilidade do Dia Nacional da Luta Antimanicomial. O CAPS Alvorecer propôs a realização de um sarau, para a apresentação das produções artísticas dos usuários dos serviços de saúde mental do município. O evento estruturou-se em várias etapas, como: planejamento das ações, escolha de data e local, elaboração e entrega dos convites, criação de material para divulgação, estabelecimento de datas para inscrição e recebimento das obras para catalogação, conhecimento do espaço físico da exposição, definição e setorialização dos locais das obras, escolhas das músicas para ambientação, programação das atividades, produção das lembrancinhas, organização do coffee break, confecção do certificado de participação. Salienta-se que todas as etapas foram realizadas com a participação ativa dos profissionais, familiares e usuários dos CAPS. A ação proposta buscou valorizar as potencialidades das pessoas com sofrimento psíquico unindo forças na Luta Antimanicomial que está para além do campo da saúde, constituindo-se, também, enquanto movimento social e pela cidadania.
No dia 15 de maio de 2024, na Arena de Eventos do município de Santana de Parnaíba, foi realizado o 1º Sarau da Saúde Mental que contou com a realização da exposição de quadros, trabalhos manuais em crochê, fuxico, pintura em vidro, desenhos, apresentação de canto acompanhado de teclado, declamação de poesia e demais trabalhos trazidos por usuários da atenção básica. Além da participação artística dos usuários dos serviços de saúde mental, o evento também contou com a participação da comunidade, com a apresentação musical de um casal da comunidade, do coral com os colaboradores dos CAPS e com a apresentação de um grupo folclórico da cidade chamado “Bloco Abayomi”, possibilitando o processo de inclusão dos usuários. O evento ofereceu a oportunidade aos usuários, muitas vezes marginalizados e excluídos, de compartilhar e vivenciar arte e cultura, contribuindo para a diversidade e a riqueza do evento. Permitiu ainda que os participantes trocassem experiências com a comunidade. O sarau surgiu como uma estratégia cultural reabilitadora, estimulando a criatividade, colaboração e a inclusão social. Os usuários saíram do papel de pacientes/doentes e tornaram-se ativos na experimentação de novas atividades significativas enquanto cidadãos membros de uma comunidade, no seu contexto ampliado. Ouviu-se como devolutiva dos participantes frases como: “Finalmente olharam para mim” (A.M.B.); “Fiquei parecendo uma artista no palco” (V.M.J.S.); “Me senti como gente” (A.C.S.).
O Sarau mostrou-se como uma espaço promotor de reabilitação psicossocial e contratualidade no território, por promover expressão, liberdade e trocas, possibilitando um sentimento de pertencimento aos usuários perante a comunidade. O Movimento da Luta Antimanicomial se caracteriza pela luta dos direitos das pessoas em sofrimento psíquico. Em consonância com a proposta da luta antimanicomial, o sarau mostrou-se como uma estratégia para garantir direitos fundamentais à liberdade, a viver em sociedade, além do direito a receber cuidado e tratamento sem que, para isto, tenham que abrir mão de seu lugar de cidadão. A elaboração desse evento permitiu aos servidores, familiares e usuários a ampliação de seu repertório, estabelecendo um diálogo com a comunidade. A relação com o município para além de acesso a serviços de saúde, mostrando a potencialidade dos usuários dos serviços de Saúde Mental, como produtores de arte, seres atravessados de afeto e transbordantes de criatividade, estimulando a quebra dos paradigmas e estigmas lançados nos pacientes com sofrimento psíquico.
sarau, inclusão, CAPS
CLAUDIA PAOLA SAAVEDRA SCHUSTER, RAFAEL OCCHI DA SILVA, NATÁLIA DE CÁSSIA ALVES, ENEIDA COSTA RAMALHO, SOLANGE RODRIGUES ROSSONE, JEFERSON GIOVAN VOLKWEIS, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE, JOSÉ CARLOS MISORELLI (IN MEMORIAM)