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As doenças coronarianas isquêmicas (DCI) resultam da obstrução total ou parcial de determinada artéria coronária, podendo levar a ruptura do músculo cardíaco e vasos sanguíneos que o irrigam. Isso causará sintomas agudos, como dor insuportável no peito, formigamento, que se estende para o braço esquerdo, e desconforto epigástrico. Quando não tratada com urgência, pode levar a insuficiência cardíaca (SOLLA, 2018). Considerando-se isso, desenvolvemos o presente trabalho na rotina da equipe do PA Paraventi. A ideia nasceu com uma solicitação da Gerência, com a necessidade de monitorar os pacientes com HD de Infarto Agudo do Miocárdio após transferência do PA para a Rede Hospitalar, a fim de incluí-los ou mantê-los na Rede Básica. Dessa forma, podem dar início ou continuidade de atendimento e cuidado em saúde. Temos a pretensão de contar a experiência como elo entre o paciente IAM e a Rede Básica de Saúde, articulando intervenções pós-alta, monitoramento do caso e de sua (re)inserção na Rede de Saúde para seguimento do atendimento. Assim, a manutenção do acompanhamento pós-tratamento é essencial para evitar complicações, atuando na elaboração de estratégias para melhoria da qualidade de vida, mudança nos hábitos alimentares e adesão ao tratamento medicamentoso (VARGAS et al., 2017), destacam-se ações relevantes de cuidado, que favorecerão a preservação da saúde e acompanhamento permanente ao paciente, a fim de evitar-se agravamento da condição de saúde, reinfarto e óbito.
OBJETIVO GERAL Prevenir, em parceria com as UBS, a reincidência de diagnóstico de IAM nos serviços hospitalares, promovendo melhor qualidade de vida. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Rastrear o caso do paciente pós IAM para (re)inseri-lo na APS e, assim, dar início ou continuidade de tratamento curativo ou preventivo em cuidados de saúde no território; Compartilhar com a atenção básica a necessidade do cuidado primário de pacientes pós-Infarto Agudo do Miocárdio, os quais foram, no período de janeiro a julho de 2023, diagnosticados na Unidade, Verificar o resultado da ação por meio de conferência, pela plataforma SISonline, e com paciente e/ou familiar sobre adesão aos serviços propostos pela Atenção Primária em Saúde; Instituir o monitoramento no PA Paraventi como ação contínua com a RAS, como trabalho de médio prazo, para conferir se houve ou não novas internações de paciente pelo mesmo diagnóstico.
Trata-se de um levantamento de pacientes que deram entrada no PA Paraventi no período de janeiro a julho de 2023 com queixa de “dor torácica”. Estes foram incluídos no Protocolo de Dor Torácica do Município de Guarulhos, instituído em todas as Unidades de Urgência e Emergência, e tiveram necessidade de transferência hospitalar via plataforma do CROSS. Após a transferência, foi feito o monitoramento em que se constatava que nem todos os pacientes atendidos no PA eram acompanhados nas UBS. Sendo assim, o Serviço Social fazia contato familiar por telefone, a fim de monitorar a evolução do caso, com orientações básicas em saúde e sensibilização para aderência e continuidade do atendimento na AP do território. Também foram feitos relatórios com dados dos pacientes para as UBS comunicando o IAM, com cópias para as Regiões de Saúde e Redes de Atenção, para eles poderem ser incluídos em atividades preventivas e curativas no ponto de atenção mais próximo de suas residências. Com isso, esperávamos ser menor o número de reincidência nas Urgências e Emergências pelo mesmo diagnóstico, bem como minorar ou extinguir sequelas, caso houvessem.
Na pesquisa, foram encontrados 43 pacientes (23 homens e 20 mulheres), que foram classificados no protocolo de IAM do município, atendidos no PA. Destes, apenas 48% dos pacientes acometidos com IAM faziam acompanhamento na UBS de referência, sendo sua maioria mulheres. Na observação quanto a incidência de IAM com o sexo declarado, percebe-se o acometimento maior ocorre no sexo masculino, inferindo-se que isso pode estar relacionado ao fato de eles buscarem menos os serviços de saúde e costumam aderir menos aos tratamentos propostos. Muitas vezes, os homens não realizam exames preventivos necessários, ficando mais expostos à ocorrência de doenças, entre elas as cardiovasculares (LIMA et al). Dessa população total atendida, 6,97% foram a óbito após a internação hospitalar, um número significativo, pois são dados de 6 meses de rastreamento. Ainda constatou-se que 62% eram maiores de 60 anos de idade, 72% eram hipertensos, 53% pré-diabéticos, 26% tabagista e 20% diabéticos. Através dos relatórios compartilhados com as UBS, conseguimos inserir na AB para acompanhamento pós-IAM 86% dos pacientes, um número significativo, pois para a efetividade dos cuidados, a APS atende o usuário em suas diferentes fases da vida. Com base nos resultados coletados, foi possível também ver a relação de incidência do IAM em pessoas acometidas de doenças consideradas como fatores de risco para desenvolvimento de IAM, principalmente hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e obesidade.
Os pacientes com histórico de HAS, DM e tabagismo são as maiores vítimas dessa doença, e o monitoramento e a inclusão na UBS podem auxiliar na prevenção do reinfarto de IAM e/ou em melhor qualidade de vida. A gestão de cuidados primários de pacientes, após síndrome coronariana aguda, é comprovada para aumentar a qualidade de vida deles. Reduzir, pois, o risco de um evento cardíaco secundário e custos do Sistema de Saúde com a nova hospitalização, porque pacientes mais bem-informados e conscientes de seu estágio de saúde tendem a envolver-se mais em suas próprias decisões médicas, adotando posturas de melhor condução do seu dia-a-dia. Essa atitude positiva favorecerá o autocuidado, além de melhorias de hábitos alimentares, com adoção de dietas, inclusão em sua rotina de atividades físicas, evitando-se o sedentarismo, tabagismo, uso de álcool e gorduras). Essa nova postura em relação ao seu cotidiano, e o uso correto de medicação prescrita e avaliações preventivas de rotina serão essenciais para a melhoria do quadro inicial, contando ainda com reflexo na Saúde Pública, com economia de custos curativos que poderão ser revertidos em políticas preventivas.
infarto, rede, monitoramento, intersetorialidade
Cristiane Solimã Carreira Gobatto, Marcelo Cordeiro Barreto de Oliveira, Rita de Cássia Alves Bezerra