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A Educação Permanente em Saúde (EPS) representa uma estratégia política e pedagógica voltada para promover mudanças significativas no dia a dia do trabalho, fundamentada nas questões e desafios enfrentados no cotidiano profissional. A EPS não apenas facilita a coleta de dados rotineiros de alta qualidade e o monitoramento dos indicadores de saúde e condições de vida, mas também orienta a definição de prioridades de intervenção. O acompanhamento das ações de EPS, por sua vez, é uma estratégia gerencial que organiza o trabalho e fortalece a colaboração entre os diversos atores. Uma avaliação diagnóstica realizada em 2021 na Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SMSS) revelou uma confusão conceitual e prática em relação à EPS, muitas vezes confundida com outras atividades formativas. As formações predominantes consistiam em palestras ou Educação Continuada, sem considerar o conhecimento prévio e as necessidades específicas do contexto local. Essa abordagem limitada gerava frustração entre os organizadores das capacitações, que, apesar dos esforços, não alcançavam os resultados desejados. Para enfrentar os desafios e elevar o padrão da educação em saúde na SMSS, foi elaborado o Plano Municipal de Educação em Saúde 2022, que identificou a necessidade crucial de estabelecer um espaço físico dedicado para gerenciar as ações de EPS, visando aprimorar a comunicação, a articulação e a divulgação das atividades formativas, o que viria se tornar a Escola da Saúde.
Otimizar o desenvolvimento das ações de formação e qualificação profissional no âmbito do SUS, centralizando a política de formação e qualificação em uma estrutura única, sob uma coordenação integrada. Aprimorar o desempenho dos profissionais de saúde, melhorar a qualidade da assistência prestada e democratizar a gestão do SUS. Estabelecer um espaço dedicado para realizar atividades de EPS, promover a articulação com as Instituições de Ensino Superior (IES) e centralizar as pesquisas relacionadas à saúde.
A partir do reconhecimento da necessidade de estabelecer uma Escola da Saúde, a equipe de EPS da SMSS empreendeu esforços para viabilizar o projeto, buscando recursos financeiros e respaldo legal. A estratégia envolveu persuadir as autoridades municipais e obter apoio das IES para concretizar a iniciativa. A colaboração das IES foi especialmente significativa, pois além de contribuir com equipamentos para a escola, também apoiaram a implementação do Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES) na cidade. Essa colaboração gerou um impacto positivo adicional, influenciando a gestão a alugar um espaço para a Escola da Saúde, localizado no mesmo prédio da SMSS e equipado com auditório, salas de aula e estrutura administrativa. Simultaneamente, as ações da equipe de EPS foram expandidas, integrando gradualmente o conceito da Escola da Saúde no cotidiano da SMSS. Isso proporcionará aos servidores da SMS uma infraestrutura aprimorada para atividades de EPS, fortalecendo as parcerias com as IES e ampliando a capacidade do sistema de saúde para enfrentar os desafios presentes e futuros de maneira mais eficiente e abrangente por meio da Educação Permanente em Saúde. Na parte formal, foram elaboradas portarias e um decreto que regulamentou a EPS e o COAPES, além do estabelecimento dos recursos humanos mínimos para o funcionamento da Escola. A Escola passou a articular também o Comitê de Ética em Pesquisa e a coordenação dos programas de residência em saúde da SMSS.
Com a conquista do espaço físico vieram também a divulgação do nome e da ampliação da divulgação das ações de EPS para as redes sociais e mídia tradicional. A equipe de EPS se tornou muito mais ágil na ordenação da educação continuada e permanente, da pesquisa e da extensão na área da saúde e até mesmo na promoção da inovação e implementação de novas tecnologias duras e leves ao SUS, o que se evidenciou no aumento das atividades formativas realizadas e da consolidação da Escola como referência para o planejamento e ordenamento da EPS. A integração entre ensino, serviços e comunidade, através da construção de parcerias e redes colaborativas SUS, foi também um resultado não planejado, que rendeu algumas ações interessantes como eventos externos e demandas de outras secretarias para parcerias, o que nos fez ver que há um certo vácuo organizativo no serviço público na área de formações que a EPS também pode ajudar a organizar. No campo da EPS, o principal resultado foi o incentivo às atividades que foram constantemente realizadas pelas unidades. A Escola de Saúde deu suporte às ações realizadas nas unidades, com estrutura física e lógica. Também centralizou as ações com vistas a expandir os públicos envolvidos, uma vez que atividades realizadas por uma unidade puderam ser válidas para outras assemelhadas.
A Escola proporciona aos servidores da SMS uma estrutura aprimorada para atividades de EPS, fortalecendo as parcerias com as IES. Isso assegura os recursos necessários para a realização das atividades educacionais tanto no âmbito do SUS quanto para o próprio SUS. Além disso, a Escola fomenta uma relação mais integrada entre as IES e o SUS, elevando a qualidade da formação para a atuação em saúde pública. Ainda há a necessidade de estender a presença da Escola de Saúde tanto para a comunidade interna quanto externa da SMS, por meio da implementação de cursos e formações alinhados às demandas de educação sanitária. Esses cursos devem abranger temas como hábitos saudáveis, desenvolvimento humano e prevenção de doenças e agravos, visando promover o conhecimento dos cidadãos e fortalecer a saúde da comunidade como um todo.
EPS, Formação, COAPES
Rubens Goulart Panico, Ivaldo Reis dos Santos, Rafaella Pitol Corrêa, Michele Darque Pinheiro, Marina Santos Medeiro Batista, Victor Hugo Rodrigues Medeiros, Thiago Aggio Zanaroli