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Dentre os trabalhos de vigilância em saúde do trabalhador exercidos pela VISAT- Jundiaí, sempre estão presentes os casos de acidentes relacionados à máquinas e equipamentos. Dessas máquinas, as serras fitas chamam especial atenção devido à sua presença em vários endereços no município, geralmente em açougues, mercados e padarias. Tais maquinários contam com uma especificação própria de segurança, regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego pelo Anexo VII da NR 12 – SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Este anexo porém estabelece uma série de acessórios para realizar cortes de carnes com o uso de serras fitas, sendo que, devido à forma construtiva desse tipo de máquina, sempre a área de corte (a própria serra fita), estará exposta. Esses acessórios são realmente eficientes para o corte de carne. Porém essa serra é encontrada também no segmento metalúrgico, e é utilizada para a rebarbação de peças de alumínio, sendo que, nesse caso, devido a uma variedade enorme de 3 peças, com diferentes irregularidades e dimensões, as mãos do trabalhador ficam perigosamente próximas à área de corte da serra no momento da operação. Apresentamos a seguir um caso onde foi possível solucionar esse problema de forma satisfatória, trazendo segurança à operação.
Mudança no ambiente de trabalho, realizando a vigilância em saúde do trabalhador em uma empresa metalúrgica de Jundiaí. Zerar os acidentes com serras fitas no processo de rebarbação de peças de alumínio em uma indústria de Jundiaí. Adaptar o processo produtivo de modo a trazer saúde e segurança ao trabalhador, afastando suas mãos da zona de risco de corte da máquina tipo serra fita.
O projeto surgiu durante uma inspeção em saúde do trabalhador, ao constatar que vários metalúrgicos da mesma empresa em Jundiaí já haviam se acidentado em serras fitas. Por entender que o risco era inerente ao processo, os empresários não alteravam a forma de trabalho e os agravos continuavam. Conduzimos um processo administrativo sanitário, com aplicação de multa à empresa. Convocamos a empresa para reuniões esclarecendo a necessidade de uma mudança do ambiente de trabalho, trazendo saúde e segurança ao processo. A empresa reduziu a velocidade de produção em 30%, como contenção até a criação de uma forma efetiva de proteção. Posteriormente, apresentou uma série de testes, visando afastar as mãos do trabalhador da zona de risco. Inicialmente foi realizada uma tentativa de mudança no tipo de maquinário, utilizando lixadeiras para realizar a rebarbação, sem sucesso. Surgiu então a ideia de se criar diversas ferramentas semelhantes a garras, uma para cada tipo de peça, de modo que as mãos do trabalhador ficassem distantes da serra. O CEREST acompanhou a confecção da 1ª ferramenta, que realmente se mostrou eficaz, pois ao utilizar as pegas da ferramenta, o trabalhador consegue ter a firmeza necessária para realizar a tarefa sem se aproximar da zona de risco, mesmo executando movimentos em vários ângulos de corte dadas as irregularidades de cada peça. A partir dessa 1ª ferramenta, a empresa confeccionou mais 7 outras ferramentas para melhoria das condições do ambiente de trabalho.
Após a implementação das medidas não foi registrado mais nenhum acidente com máquinas tipo serra fita nesta empresa. A empresa conseguiu elaborar ferramentas que podem ser utilizadas para mais de um tipo de peça, melhorando ainda mais a padronização do processo e evitando o erro do trabalhador na escolha da ferramenta. As dificuldades iniciais de aceitação da empresa interessada foram superadas ao perceber a melhoria efetiva que a mudança do ambiente causou, gerando a redução de acidentes esperada, juntamente com a percepção por parte dos trabalhadores da importância que a saúde destes tem, tanto por parte da empresa quanto por parte do Sistema Único de Saúde, através da Vigilância em Saúde do Trabalhador. Diversos trabalhadores se envolveram no processo de implantação das melhorias iniciando um movimento positivo de criação de uma cultura de segurança na empresa.
Quando a capacidade técnica se une com a vontade de transformar um meio ambiente de trabalho os resultados ficam evidentes. Alcançar um índice de zero acidentes em um tipo de maquinário o qual vitimava frequentemente os trabalhadores é uma conquista para qualquer equipe. A partir dessa dedicação e mobilização para a mudança pode-se perceber a inclinação dos trabalhadores ao desenvolvimento de um comportamento seguro no desempenho de suas atividades, aliado ao sentimento de valorização do trabalhador que o investimento de tempo e recursos promoveram. Certamente a empresa objeto desse projeto deve continuar com o desenvolvimento de itens que previnam agravos à saúde de seus trabalhadores, bem como a ideia da criação das ferramentas personalizadas podem beneficiar outras empresas que possuam o mesmo problema, ampliando ainda mais a saúde e segurança dos trabalhadores das indústrias desse segmento.
serra fita, ferramentas, acidentes, prevenção
ANDRÉ MESTRINER, MARIANA FREIRE OLIVEIRA MARTIN DA SILVA