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O Programa Saúde na Escola (PSE) é uma iniciativa intersetorial dos Ministérios da Saúde e da Educação onde as equipes de saúde e as equipes de educação atuam de forma integrada e tem como objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de ensino da educação básica. Propõe que as ações de promoção e prevenção de agravos à saúde ocular realizadas no espaço escolar sejam parte integrante da rotina das equipes de saúde e educação. Estas ações têm como foco a identificação, o mais precoce possível, de agravos à saúde por meio de um olhar cuidadoso e singular. O PSE também preconiza que a continuidade do cuidado, quando necessária, seja compartilhada entre as equipes. Visando alcançar a Saúde Ocular dos escolares, anualmente, as equipes de atenção básica do município, realizam ações nas unidades escolares para identificar crianças que apresentem possíveis alterações visuais e, posteriormente, encaminhar para seguimento na rede de assistência à saúde. Entretanto, esbarram-se em alguns desafios, tais como o alto absenteísmo nas consultas oftalmológicas, justificados pela dificuldade de realizar a consulta em outro município, ou quando realizada a consulta, as famílias não possuem condições financeiras para adquirir os óculos. Diante deste cenário e a fim de dirimir estas lacunas, foi alinhado as ações do PSE com o Programa Zero Fila Saúde, que ocorreu em 2023 em Lins.
Triar, através do Teste de Snellen de Optotipos com “E, 2662 crianças entre 4 a 7 anos da rede municipal e estadual de educação, crianças com 8 anos do 2º ano e jovens e adultos (EJA), entre os dias 26/07 a 03/08/2023. Realizar no município de Lins, entre os dias 02 a 12/08/2023, consultas médicas especializadas com o fornecimento de óculos, para as crianças que apresentarem confirmação diagnóstica de alteração na acuidade visual e/ou encaminhamento para realização de exames complementares.
Primeiramente, realizado reunião de planejamento intersetorial (saúde e educação) para alinhamento da proposta, responsabilidades e o desenvolvimento da ação. Superado o planejamento, foi elaborado cronograma com a definição das equipes de saúde e unidades escolares, bem como, realizado uma capacitação para aplicação do teste de Snellen (TS) por agentes comunitários. As equipes de saúde ligaram nas escolas de referência para agendamento da data e horário da ação. As crianças triadas e com alteração no TS, foram relacionadas em impresso próprio, este impresso enviado por meio digital para central de regulação municipal para o agendamento imediato da consulta. Após o agendamento da consulta, o impresso era devolvido a equipe, e o enfermeiro, ou nutricionista, ou educador físico da ação, preencheu encaminhamento e os dados da consulta, assinou e entregou para a direção escolar, separado por sala de aula. No caso das crianças que faltaram no dia da avaliação na escola, a equipe de saúde preencheu um encaminhamento (faltoso) para o atendimento em dia estratégico na unidade de saúde, assim, oportunizar a avaliação. A direção escolar ficou responsável por entregar o encaminhamento e orientar o familiar quanto a consulta, fornecimento de lista nominal impressa por sala de aula, liberação da entrada das equipes e disponibilização de sala adequada para realizar o TS.
Em virtude da magnitude da ação e o curto período de tempo para o desenvolvimento, estiveram mobilizados de forma direta aproximadamente 150 profissionais, entre coordenadores de saúde e educação, enfermeiros, equipe do NASF, agentes comunitários, professores, médicos, assistentes sociais, agentes administrativos, motoristas, estagiários de curso técnico e graduação de enfermagem de diversos departamentos. Participaram 14 unidades de saúde, sendo 5 UBS, 8 USF e um Posto Rural. Foram selecionadas 24 unidades escolares, sendo 14 municipais, com 1679 alunos e 7 estaduais com 983 alunos. Realizada triagem através do teste de Snellen em 2.165 crianças, de 4 a 8 anos, jovens e adultos do EJA. Essas triagens, resultaram em 341 consultas médicas oftalmológicas agendadas no Programa Zero Fila, 162 prescrições e fornecimento de lentes corretivas (óculos), 06 encaminhamentos para exames mais específicos e 94 ausências. Embora os dados quantitativos denotem um sucesso na ação, é imensurável o impacto na qualidade de vida dessas crianças que puderam ser contempladas com o direito de ENXERGAR melhor o futuro. Apesar do árduo trabalho para avaliar 2.165 crianças, tornou-se extremamente gratificante para as equipes envolvidas o desfecho de um SUS que queremos. As equipes de saúde e educação diretamente envolvidas na ação utilizaram camiseta personalizada do PSE. Foi confeccionado material para aplicação do TS (banner e tapa olho).
A aferição da acuidade visual pode ser realizada sem a necessidade de equipamentos avançados, por meio da tabela de Snellen. Consiste em uma avaliação inicial que busca identificar, no educando, a existência de problemas de refração que necessitarão de uma consulta com o oftalmologista. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, esta avaliação pode ser realizada por Agentes Comunitários de Saúde, desde que adequadamente qualificada. O programa Zero Fila Saúde, foi uma estratégia municipal, para reduzir as demandas de pacientes SUS que aguardavam no CDR (cadastro demanda por recuso) por consultas especializados, exames e procedimentos. O alinhamento do PSE ao Zero Fila Saúde propiciou o êxito no desfecho da ação. As crianças que necessitam de lentes corretivas, puderam escolher as armações dos óculos de forma autônoma. A Saúde Ocular é vista pelo PSE como fundamental para o alcance da educação e saúde integral, tendo em vista que as alterações na visão acarretam problemas que ultrapassam a dificuldade de o indivíduo enxergar o quadro, pois essas alterações podem também afetar o aprendizado.
Programa Saúde na Escola, Acuidade Visual.
Ana Hilara Mancuso Gouvea, Silvia Cristina de Oliveira Vasconcelos Cardoso, Mariela da Silva Nogueira, Larissa Fernanda Nakano Mazoni, Eliane Maria Righetto Bezerra, Adriana Rubert Maldonado