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Esse trabalho visa apresentar o trabalho de cuidado na saúde mental na primeiríssima infância no serviço de reabilitação da pessoa com deficiência, devido à alta demanda em relação aos bebês com risco psíquico no serviço. Desde 2020 o CERIV M’Boi Mirim passou a realizar o olhar especifico para o bebê com risco psíquico que é acompanhado no serviço, isso ocorre devido aos bebês que são acompanhados pelo Protocolo de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil/CER/NIR em 2015 com o uso do instrumento avaliativo baseado em escalas do desenvolvimento infantil e adaptações registrados no Caderno de Orientação Técnica do SUS ao qual visa acompanhar o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê de risco até os dois anos de idade nos Centros Especializados em Reabilitação, porém devido a percepção dos profissionais que esses bebês estavam apresentando sinais de risco psíquico como falta de sorriso social, dificuldade na interação, choro constante e irritabilidade, assim como outros sinais que mereciam atenção nesse momento tão importante para o desenvolvimento. Visto essa demanda, foram realizadas palestras, orientações e discussões tanto na rede quanto como os profissionais de reabilitação, para poderem ter conhecimento sobre a saúde mental na primeira infância, e sobre os riscos psíquicos na primeiríssima infância, lembrando que o cuidado tem que ser de maneira interprofissional, tendo a equipe integrada e com conhecimento sobre o assunto.
OBJETIVO GERAL: • Descrever o processo de cuidado a saúde mental do bebê com risco psíquico que é acompanhado no serviço de reabilitação OBJETIVOS ESPECÍFICOS: • Apresentar o fluxo desse bebê com risco psíquico no serviço de reabilitação; • Discutir sobre o trabalho da equipe e a necessidade de articulação com a rede sobre o processo de reabilitação de bebês com risco psíquico.
O acompanhamento do bebê com risco psíquico no serviço de reabilitação ocorre com crianças de de 0 à 3 anos de idade e que apresentem sinais de risco psíquico, e que se perceba a necessidade de intervenção precoce em relação a saúde mental. Nesse momento, se intervém a partir do atendimento interdisciplinar com duas ou mais categorias. O acompanhamento se inicia com a discussão de caso em equipe para compreender as demandas e suspeitas, posteriormente, caso se perceba a necessidade, é realizada a avaliação com a família para compreender a dinâmica familiar. Se após essas avaliações é compreendida a necessidade de acompanhamento, o bebê é incluso em intervenção precoce, tendo o acompanhamento com plano terapêutico singular em grupo e/ou individual em atendimento compartilhado em 12, 24 e 36 sessões. Se necessário, é realizada a aplicação de instrumento de avaliação, por exemplo, Indicadores de Risco do Desenvolvimento infantil (IRDI) que é um instrumento que auxilia detecção de problemas de desenvolvimento psíquico em crianças. A próxima etapa é realizada nova discussão de caso em equipe e reavaliação, nesse momento é importante discutir sobre o processo de atendimento e responder se mantém o risco, ou se é necessário avaliação diagnóstica, se tem alta ou até mesmo mudança de atendimento. Por fim é realizada a devolutiva aos pais/cuidadores, assim como orientação aos pais/cuidadores sobre o processo de intervenção e o desfecho.
Após a atuação do serviço de reabilitação na saúde mental dos bebês de risco na primeira infância, o fluxo se tornou mais organizado, e os pacientes não precisam esperar “um momento oportuno” para o cuidado, mas sim o momento é aquele em que se percebe o risco psíquico. Atualmente no serviço de reabilitação encontra-se em andamento 13 (treze) grupos com crianças com risco psíquico entre 1 ano a 3 anos idade, sem contar os bebês que se encontram em atendimento individual. Atualmente conseguimos a partir desse fluxo, rastrear o diagnostico de base desse bebê de risco que é acompanhado nesse serviço, sendo que atualmente, 50% desses bebês são prematuros. Em relação ao desfecho, 40% tiveram o diagnostico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e já iniciaram o processo de reabilitação para esse publico dentro do serviço, o que aponta a necessidade desse acompanhamento precoce do risco psíquico na primeiríssima infância.
O serviço de reabilitação precisa estar ciente do seu publico e das necessidades ao qual se encontra para poder organizar seu atendimento e preconizar a demanda que está crescente, dessa maneira, fortalecendo o serviço, a família, e os profissionais para poderem dar o acompanhamento necessário em tempo oportuno. O processo de cuidado do bebê com risco psíquico se mostrou importante para o serviço e para a rede de atenção a pessoa com deficiência, visto que esse cuidado específico para a saúde mental, muitas vezes não era percebida e cuidada assim que se percebia, e sim era dito como algo que poderia mudar sozinho, o que inviabiliza muitas vezes a fala dos cuidadores que já percebem que algo não vai bem com aquele bebê. É importante que os equipamentos de saúde do SUS estejam atentos as novas demandas e possam criar estratégias de cuidados pertinentes para cada uma, nesse caso, a saúde mental dos bebês se tornou uma demanda evidente e que precisava ser cuidada.
Reabilitação, primeiríssima infância, saúde mental
FERNANDA CRISTINE PIRES DE LIMA, Ana Paula Ribeiro Hirakawa