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A Atenção Primária à Saúde (APS) é uma estratégia essencial para a organização dos sistemas de saúde. Uma APS fortalecida melhora indicadores de saúde, especialmente em relação a doenças que afetam mães e crianças, com ação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) promovendo um cuidado integral à gestante. Embora a maioria das mulheres experimente uma gestação sem quaisquer intercorrências que possam comprometer sua saúde ou a de seus bebês, outras poderão evoluir para complicações e eventos adversos provocados ou agravados por sua condição gravídico-puerperal. As complicações, podem ser classificadas como baixo risco, condições potencialmente ameaçadoras à vida, e por fim, os desfechos maternos graves, como o óbito (Say et al). Portanto, é crucial que os cuidados assistenciais à gestante e à puérpera sejam contínuos, permitindo a identificação e tratamento precoce de intercorrências para evitar desfechos graves. Os Comitês de Mortalidade Materno Infantil atuam como organismos interinstitucionais e multiprofissionais, com a missão de analisar e monitorar óbitos maternos, infantis e fetais, propondo intervenções para reduzir essas ocorrências. Visto que o município não possui um comitê materno-infantil próprio e que o Hospital Geral de Carapicuíba (HGC) é a referência para parto e puerpério, a participação da APS nas reuniões mensais do Comitê Materno Infantil é fundamental para identificar falhas na assistência, minimizar erros e aprimorar o cuidado à gestante.
O objetivo deste trabalho é analisar e relatar a experiência da integração da Atenção Primária à Saúde nas reuniões mensais do Comitê Materno Infantil do Hospital Geral de Carapicuíba de gestão estadual, destacando os impactos dessa colaboração na qualidade do atendimento e na promoção da saúde materno-infantil no município.
As reuniões do Comitê são realizadas mensalmente e, inicialmente, eram compostas apenas por médicos, incluindo o coordenador médico da ginecologia e obstetrícia e os dois coordenadores médicos da unidade de neonatologia. Com a inclusão da enfermeira responsável pelo bloco materno infantil, houve uma mudança significativa na dinâmica do Comitê. A partir desse momento, a direção da Atenção Primária à Saúde (APS) do município, foi convidada a participar das reuniões em caráter de consultoria técnica. Essa nova abordagem permitiu uma discussão mais ampla e integrada sobre os óbitos ocorridos no mês anterior. As reuniões passaram a incluir a presença de profissionais da APS, que trazem uma perspectiva valiosa sobre as causas dos óbitos, muitas das quais estão relacionadas a falhas na assistência ao pré-natal. Os casos a serem discutidos no Comitê, são previamente analisados durante as reuniões de equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF) que acompanhou a gestante durante o pré-natal, bem como é realizada busca ativa para ouvir a história da puérpera e coletar informações relevantes em todo o percurso da gestante. Essas informações são então levadas para a reunião com a equipe do hospital, permitindo uma discussão mais rica e fundamentada sobre as causas dos óbitos e as possíveis melhorias na assistência.
A participação dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família (ESF) nas reuniões do Comitê Materno Infantil do HGC visa reduzir a morbimortalidade materna e infantil, orientando os serviços de saúde a realizarem avaliações periódicas baseadas em evidências. Em 2024, foram discutidos 69 casos, sendo 42 óbitos fetais e 27 neonatais, com 60,9% dos casos fetais. As principais causas identificadas incluíram malformações, crescimento intrauterino restrito, afecções maternas e asfixia ao nascer, com destaque para doenças hipertensivas, diabetes e sífilis. A colaboração entre a equipe da Atenção Primária à Saúde (APS) e os médicos do comitê foi crucial para enriquecer a análise dos casos. Muitas vezes, a equipe hospitalar só conhece a história da gestante ao seu ingresso no ambulatório, enquanto a APS fornece informações sobre o pré-natal, adesão ao tratamento e histórico de saúde que impactam a gestação. As atividades do Comitê promoveram a transformação dos processos de trabalho na APS, sensibilizando os profissionais sobre sua responsabilidade no cuidado. Os resultados começaram a aparecer ao longo do ano, com a redução dos casos relacionados a falhas na assistência da APS. As equipes passaram a priorizar o controle de sífilis em gestantes, além de intensificar a busca ativa para reduzir o absenteísmo nas consultas de pré-natal. Essa abordagem integrada tem se mostrado eficaz na melhoria dos desfechos materno-infantis.
A metodologia adotada não apenas enriqueceu as discussões, mas também promoveu uma maior colaboração entre os diferentes níveis de atenção à saúde, resultando em um cuidado integrado e eficaz para as gestantes e puérperas. O cuidado articulado a gestante ressalta a importância de uma assistência pré-natal adequada e da integração entre os serviços de saúde para garantir uma gestação e um parto seguros. É fundamental analisar a relação entre a atenção primária e a maternidade de referência, promovendo um trabalho compartilhado que minimize eventos trágicos como a morte materna e os óbitos fetal e neonatal. Esses eventos não apenas geram sequelas físicas, mas também emocionais e psicológicas significativas. Portanto, os serviços de saúde devem unir esforços para proporcionar uma experiência gestacional e puerperal positiva. Essa abordagem não só melhora a assistência, mas também contribui para a redução da morbimortalidade. A integração do cuidado, facilitada pelas discussões no Comitê Materno Infantil, é essencial para aprimorar a qualidade assistencial e reduzir os riscos maternos de forma geral.
COMITE MATERNO INFANTIL; PRE-NATAL
VANUSA COSTA BARBATO