Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
O município de Guarulhos possui, segundo o Censo de 2022, 1.649 indígenas de 17 etnias diferentes (IBGE, 2023), distribuídos entre uma aldeia Indígena com característica multiétnica e bairros da cidade, com predominância nos bairros Cabuçu, Soberana e Marcos Freire. A atenção secundária do município de Guarulhos é dividida em quatro regiões: Região 1 – Centro, Região 2 – Cantareira, Região 3 – São João e Região 4 – Pimentas / Bonsucesso. Cada região possui um centro de especialidades médicas para referência. O CEMEG São João é o centro de especialidades médicas escolhido pelas lideranças indígenas em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde do município de Guarulhos para servir como equipamento de saúde referência, tornando-se um modelo em ambulatório especializado e colocando a saúde indigena como especialidade médica. A sua escolha foi através de diversas reuniões entre a população e a gestão, sofrendo influência do número expressivo de pessoas auto declaradas como indígenas vivendo em contexto urbano, fora do território da UBS Cabuçu e da terra de retomada.
O presente trabalho teve como objetivo relatar o encaminhamento da população indígena do município de Guarulhos a atenção especializada, assim como suas etapas e sua importância.
Neste ambulatório são realizadas consultas pela equipe responsável pela saúde indigena (Médica de Medicina de Família e Comunidade, enfermeira, técnica de enfermagem e Agente Indígena de Saúde (AIS)) pré-agendadas, que normalmente, são referenciadas através de demandas das Unidades Básicas de Saúde (UBS), por contato direto através das lideranças locais ou por direcionamento do AIS após visita domiciliar. O AIS realiza uma visita domiciliar por demanda ativa da própria população em casos de agravos agudos, ou através do cadastros dos pacientes em uma planilha construída. Essa demanda passa por uma prioridade mantida de acordo com o grau de dificuldade de acesso dos pacientes até o CEMEG São João ou para UBS do município, sendo assim, os pacientes acamados, restritos ao leito ou qualquer restrição física e ou clínica, são prioridade, em seguida os idosos, gestantes e pacientes que possuem limitantes financeiros para transporte público. Conforme as visitas vão acontecendo, quando identificado a necessidade de agendamento de consultas, o AIS, entrega o endereço e Whatsapp do CEMEG São João, para que os pacientes façam a reserva do horário com a equipe de referência. Demandas espontâneas, são sempre acolhidas e direcionadas para seu seguimento dentro ou fora do CEMEG São João. É comum que os indígenas cheguem para uma consulta sem agendamento, pois já reconhecem esse cenário como referência em cuidado e pela relação construída nesse período entre a equipe.
Os funcionários da recepção do CEMEG São João foram capacitados para oferecer um acolhimento humanizado e respeitoso à população indígena. Essa formação, realizada pela médica da saúde indígena junto com o Projeto Xingu e a Secretaria de Saúde, reafirma o compromisso com a diversidade cultural e o respeito às tradições indígenas. Ao chegarem ao ambulatório, os pacientes são direcionados à equipe responsável ou encaminhados para realizar os exames necessários. No momento da primeira consulta ou do primeiro acesso ao CEMEG São João, o atendente realiza o cadastro do paciente. Esse processo inclui informações detalhadas, como o local de origem, a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, o endereço de residência e a etnia do paciente. Após o cadastro, o paciente recebe um cartão contendo o nome de sua etnia, o número de prontuário e o carimbo da saúde indígena. As informações coletadas, junto com o quesito raça/cor, são essenciais para gerar relatórios encaminhados ao município e ao Ministério da Saúde. Esses dados servem como comprovação do atendimento à população indígena, permitindo que o município receba os recursos destinados à Equipe de Saúde Indígena. Após o cadastro, o paciente é submetido a uma triagem, realizada por uma técnica de enfermagem, seguida por uma consulta inicial com a enfermeira, que tem como objetivo avaliar suas demandas de saúde. Finalizada essa avaliação, o paciente segue para a consulta médica, conduzida pela profissional responsável pela unidade.
Quando o paciente tem alguma demanda específica, a médica responsável realiza o matriciamento com a UBS de origem, onde são compartilhados as informações pertinentes para o atendimento de ambas as equipes e o cuidado é pactuado segundo a responsabilidade de cada nível de saúde. Na necessidade de uma especialidade e ou um exame em que o CEMEG São João não possua, a médica preenche um formulário de referência com o carimbo da Saúde indígena, preenchendo os dados pessoais de cada pessoa, principalmente a sua etnia. Nos casos onde a atenção terciária é o desfecho final, como em internação ou cirurgia, a médica responsável se coloca à disposição caso alguma solicitação cultural seja informada pelo paciente ou acionada do hospital e uma interconsulta é realizada de forma mais breve possível. Os profissionais da atenção terciária, também, foram capacitados para o atendimento dos indígenas, onde aprenderam a respeitar o processo de doença e espiritualidade de seus pacientes. Quando o paciente tem alta, em casos de maior gravidade, a médica responsável faz a alta assistida.
Saúde indígena; Atenção especializada
CARLA RAFAELA DONEGÁ, REGIANE VIEIRA SOUZA, ANDREA CRISTINA GARCIA, DANIELA DE PAULA COSTA, BRUNO TORQUATO DE ARAÚJO, CAMILA R. DE ALMEIDA, GABRIEL N. KOMEÇU