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A usuária K, 38 anos, apresenta um histórico de uso abusivo de substâncias, com preferência por crack, e realiza acompanhamento no CAPS AD desde setembro de 2009. Sua trajetória é marcada por múltiplos prejuízos decorrentes do uso problemático de substâncias, impactando sua saúde física e mental, além de suas relações familiares e sociais. K é mãe de cinco filhos, sendo que dois estão acolhidos institucionalmente devido a seu histórico de uso e ausência de retaguarda. Em meados de 2024, durante a gestação de seu último filho, enfrentou desafios relacionados à manutenção da abstinência e ao risco de perder a guarda. Após buscar o CAPS AD no oitavo mês de gestação, foi acolhida em hospitalidade integral por 41 dias. Esse período marcou um divisor de águas em sua vida, pois foram realizadas articulações estratégicas com a rede de apoio (CREAS, CRAS, Hospital da Mulher, Defensoria pública, Vem maria, Lar Jesue, UBS e CNR) para garantir a proteção de seus direitos e um acompanhamento seguro para mãe e filho. O processo justifica-se pelo compromisso em oferecer suporte integral à usuária, promovendo seu protagonismo na maternidade e fortalecendo os vínculos familiares e sociais.
Promover a reabilitação psicossocial da usuária, a fim de possibilitar a construção de novas perspectivas de vida com maior estabilidade e segurança para ela e seu filho. Objetivando-se, sobretudo, manter o cuidado da usuária com estratégias de prevenção de recaídas, fortalecendo o vínculo familiar, com foco na convivência saudável com seus filhos, desenvolvendo-se estratégias para apoiar a autonomia financeira, incentivando a reforma de sua residência e o desenvolvimento e ampliação de possibilidades futuras. Buscou-se, ainda, expandir articulações com a rede de apoio para assegurar direitos e suporte.
O desenvolvimento do projeto terapêutico da usuária foi baseado em abordagens integradas e colaborativas, com o acompanhamento em atendimentos individuais no CAPS AD para manejo e prevenção de recaídas, além de grupos terapêuticos com outros usuários. Buscou-se, ações no âmbito do fortalecimento do vínculo familiar, realizando-se visitas domiciliares e encontros com a rede de apoio. Por fim, integraram-se ações de articulação em rede, com vistas a parceria com CREAS, CRAS, Defensoria Pública e UBS a fim de garantir o acesso a direitos e serviços essenciais. Destaca-se como eixo a reintegração social, visando o incentivo à autonomia financeira por meio de suporte para capacitação e geração de renda, além do estimulo para reforma de sua residência para garantir um ambiente seguro e estável.
Desde o início da experiência em fevereiro de 2024, a usuária demonstrou avanços significativos, como, ter conseguido manter a abstinência de substâncias, a partir do fortaleceu do vínculo afetivo com seu filho, com acompanhamento contínuo do CAPS e da rede de apoio. A usuária reformou parcialmente sua residência, proporcionando um ambiente mais seguro e acolhedor para ela e seu filho. No quesito de seu cuidado em saúde mental, participa ativamente de grupos terapêuticos, quando compartilha sua trajetória e motiva inclusive outras usuárias.Todo processo possibilitou o desenvolvimento de sua percepção das vida, de forma mais positiva para o futuro, com diálogos sobre projetos de autonomia financeira em andamento. Tais resultados refletem o impacto positivo das intervenções integradas e do protagonismo da usuária em seu processo de cuidado. Durante esse projeto o filho mais velho da usuária, com aproximadamente 22 anos de idade faleceu, afogado numa represa, Ela como estratégia para lidar com esse momento, procura no atendimento em plantão local para acolhimento de sua dor. Fato ocorrido antes do velório e após o enterro quando retorna a unidade para novo acolhimento e escuta, o que demonstra o a vinculação, o acolhimento humanizado e cuidado em liberdade são importantes no fortalecimento da usuária, que mantém – se abstêmia até hoje.
O caso evidencia a relevância de estratégias integradas na dimensão do cuidado em liberdade, especialmente quando articuladas com a rede de apoio. O protagonismo da usuária em seu processo de reabilitação foi essencial para alcançar os objetivos propostos. Pontua-se que o fortalecimento de vínculos familiares e sociais, aliado à estabilidade emocional e à autonomia financeira, demonstram que é possível transformar trajetórias marcadas por vulnerabilidades em histórias de superação. O CAPS III AD em Santo André permanece com compromisso ético ofertando suporte, garantindo o acompanhamento necessário para o fortalecimento de ações, consolidando o cuidado em liberdade como prática transformadora na reabilitação psicossocial.
Maternidade, vinculo, articulação, rede
FELIPE VOGADO, LEONARDO MARTINEZ, LUCIMEIRE MAIA, EDERSON BORDONI, PATRICIA BATISTA ALVES TEIXEIRA