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O mundo vive um momento de inversão da pirâmide etária. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2050 teremos mais de 2 bilhões de pessoas no mundo acima dos 60 anos. O Brasil não está alheio a esse movimento e vem observando aumento considerável da população idosa, o que desencadeia mudanças também na assistência à saúde e amplia a necessidade da organização de instituições de longa permanência (Kalache A., et al., 1987). O que são ILPI’s? – De acordo com a RDC nº 502/2021, as ILPIs são “instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania”. Porém, independentemente dessa nomenclatura, quem ali reside além de receber moradia, alimentação e vestuário, também recebe serviços médicos e medicamentos, além de outros profissionais (ANVISA, 2021). As intervenções farmacêuticas e o papel do farmacêutico em ILPI não se restringe à questão do fracionamento e separação de medicamentos em alguns casos e à revisão regular da farmacoterapia em uso, mas também à participação de forma ativa em equipes multiprofissionais, educando médicos, enfermeiros e a equipe de saúde quanto ao uso de medicamentos (CRF, 2021). Na região de abrangência da UBS Aracília, temos a ILPI Irmã Alice.
A implantação do cuidado farmacêutico em ILPI\\\\\\\\\\\\\\\\s Irmã Alice, tem por objetivo visar a revisão regular da farmacoterapia, de forma ativa com as equipes multidisciplinares, promovendo quando necessário, intervenções farmacêuticas de forma documentada, sendo realizada junto ao paciente institucionalizado e demais profissionais de saúde com o intuito de resolver/atenuar e/ou prevenir problemas que possam interferir na farmacoterapia e qualidade de vida do mesmo. Atividades como conciliação medicamentosa, identificação de possíveis fragilidades do processo de uso dos medicamentos a fim de garantir continuidade do tratamento e ações de farmacovigilância e tecnovigilância, desenvolvendo o papel fundamental na educação continuada das equipes, favorecendo assim, o uso racional de medicamentos. Elaboração e avaliação de indicadores que favorecem o monitoramento, o que permite melhorias de qualidade.
Trabalho médico/farmacêutico (mini consultório) realizado em conjunto na ILPI Irmã Alice na segunda sexta-feira de cada mês. A instituição atualmente conta com 19 idosos, na qual são atendidos aproximadamente 4-5 por visita. Foi realizado um estudo de abordagem quantitativa na qual foram mensurados os efeitos benéficos e positivos do cuidado farmacêutico na ILPI Irmã Alice. Para o desenvolvimento de tal atividade, foram utilizados os seguintes aparelhos: esfigmomanômetro, glicosímetro e oxímetro para avaliação inicial. Além destes materiais, foram utilizadas informações contidas em prontuário próprio da instituição (histórico de cada paciente, bem como evolução, registros de outros profissionais como nutricionistas, fisioterapeutas, etc., prescrições médicas e seus respectivos planos de tratamento), guia de solicitação de exames, talão de prescrição, prontuário da unidade, monitoramento residencial de pressão arterial (MRPA) e automonitoramento glicêmico.
Como resultados, temos a melhora no monitoramento das condições em pacientes hipertensos e diabéticos por meio dos MRPA’s e automonitoramento glicêmico demonstrados por meio de intervenção farmacêutica realizada. Melhora da condição geral de saúde dos pacientes institucionalizados através das orientações gerais sobre saúde e estilo de vida e acompanhamento periódico especializado.
A complexidade apresentada pelo cuidado ao idoso, considerando a presença frequente de comorbidades, fragilidade e uso de polifarmácia, reforçam a necessidade de adoção de atividades pertinentes ao cuidado farmacêutico em ILPI, de modo a propiciar o bom relacionamento com a equipe multiprofissional e o alcance dos resultados esperados para a farmacoterapia, com manutenção do estado de saúde, redução de custos e uso racional de medicamentos. As intervenções farmacêuticas e o papel do farmacêutico em ILPI não se restringe somente à revisão regular da farmacoterapia em uso, mas também à participação de forma ativa em equipes multiprofissionais, educando médicos, enfermeiros e a equipe de saúde quanto ao uso, acesso e informações gerais sobre medicamentos e seus efeitos. A interação médico-farmacêutico e com os demais profissionais traz inúmeros benefícios não só para o paciente, mas na construção e ampliação de saberes, se consolidando como uma troca única a nível profissional e como um todo.
ILPI’s, farmacoterapia, cuidado farmacêutico.
ALINE TRINDADE GRANERO TAKEUTI