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O climatério e a menopausa são fases naturais da vida da mulher, marcadas por alterações hormonais que podem impactar a saúde física, emocional e social. Entre as queixas mais comuns estão os sintomas urinários, como perda involuntária de urina, urgência e aumento da frequência miccional, além da redução da libido, fatores que afetam a qualidade de vida, a autoestima e as relações sociais. Na Atenção Primária à Saúde, especialmente na Unidade Básica de Saúde e na Estratégia Saúde da Família, essas demandas costumam ser subnotificadas, seja por constrangimento, seja pela percepção de que são consequências normais do envelhecimento. Isso reforça a importância de uma abordagem acolhedora e integral, capaz de identificar precocemente essas necessidades. As alterações urogenitais e sexuais no climatério estão associadas a repercussões emocionais relevantes, como ansiedade, sintomas depressivos, vergonha e isolamento social. O medo de episódios em público, o desconforto íntimo e a insatisfação sexual podem levar à evitação de atividades sociais, profissionais e afetivas. Além disso, despertares noturnos frequentes comprometem o sono, gerando fadiga, irritabilidade e maior vulnerabilidade ao estresse, o que pode intensificar o sofrimento psíquico.Diante disso, ações voltadas ao cuidado integral dessas mulheres fortalecem o vínculo, promovem educação em saúde e favorecem intervenções adequadas, contribuindo para uma atenção mais humanizada, resolutiva e centrada na mulher.
Objetivo Geral Promover o cuidado integral às mulheres no climatério e menopausa com queixas urinárias atendidas na UBS e ESF, por meio de intervenções multiprofissionais. Objetivos Específicos •Identificar mulheres no climatério e menopausa com queixas urinárias atendidas na UBS e ESF. •Implementar exercícios de Kegel e ginástica hipopressiva, assistidos por fisioterapeuta, para o fortalecimento do assoalho pélvico. •Acompanhar a evolução dos sintomas urinários ao longo do processo de intervenção. •Oferecer acompanhamento psicológico, promovendo acolhimento emocional, autoestima e adesão ao tratamento. •Estimular o autocuidado e a continuidade das práticas orientadas no domicílio. •Fortalecer a atuação multiprofissional na Atenção Primária, integrando cuidado físico e psicossocial. •Contribuir para a melhoria da qualidade de vida das mulheres atendidas.
Trata-se de um relato de experiência referente a um projeto desenvolvido de forma contínua desde 2023 nas Unidades Básicas de Saúde, no âmbito da Estratégia Saúde da Família. As ações são realizadas anualmente e direcionadas a mulheres no climatério e na menopausa que apresentam queixas urinárias. As participantes são identificadas durante atendimentos de rotina na UBS, por demanda espontânea ou por encaminhamento da equipe de saúde, sendo convidadas a participar das atividades após acolhimento inicial. No primeiro encontro, é aplicado o questionário ICIQ-SF (International Consultation on Incontinence Questionnaire – Short Form), com o objetivo de avaliar a presença, a frequência e o impacto da incontinência urinária na qualidade de vida das participantes. A partir dessa avaliação inicial, dá-se início ao plano terapêutico. O tratamento tem duração de três meses, com encontros semanais, conduzidos por fisioterapeuta, nos quais são realizados exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, por meio da prática de exercícios de Kegel e ginástica hipopressiva. As atividades são realizadas de forma supervisionada, respeitando as limitações individuais de cada participante, com adaptações sempre que necessário, visando garantir segurança, adesão e efetividade. Paralelamente, as participantes contam com acompanhamento psicológico, com foco no acolhimento, escuta qualificada e suporte emocional ao longo do processo terapêutico.
No grupo de Incontinência Urinária, participaram 7 pessoas em 2023, 9 em 2024 e 14 em 2025, evidenciando crescimento contínuo na adesão. Conforme demonstrado na Figura 1, observou-se impacto positivo na evolução clínica dos pacientes. Em 2023, 77,8% relataram melhora significativa após três meses de tratamento; em 2024, 83,3%; e em 2025, 92,8% apresentaram melhora superior a 50% dos sintomas iniciais, evidenciando aprimoramento das práticas assistenciais, maior adesão ao tratamento e aumento da resolutividade dos serviços. As pacientes também apresentaram melhora nos indicadores de saúde mental, com redução de ansiedade, menor antecipação de episódios de perda e melhor regulação emocional. Observou-se melhora na qualidade do sono, redução de despertares noturnos, menor fadiga e irritabilidade. No âmbito psicossocial, relataram maior segurança social, diminuição de comportamentos de evitação e ampliação da participação em atividades cotidianas. Houve impacto positivo na vivência da sexualidade, aumento da autoestima e maior percepção de controle corporal, contribuindo para elevação da qualidade de vida e do bem-estar subjetivo.
O grupo apresentou resultados consistentes na melhoria do quadro clínico das pacientes acompanhadas, demonstrando a efetividade das estratégias terapêuticas adotadas ao longo do período analisado. A evolução positiva dos indicadores, especialmente o aumento do percentual de mulheres com melhora significativa dos sintomas, reforça a importância do acompanhamento contínuo, da qualificação das práticas assistenciais e da adesão às intervenções propostas. Entre os principais aprendizados, destaca-se a relevância do monitoramento sistemático dos resultados, da utilização de instrumentos de avaliação clínica e do fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuárias, fatores que contribuíram para maior resolutividade do cuidado. Como desafio, evidencia-se a necessidade de ampliar o acesso e assegurar a continuidade das ações desenvolvidas. Com os resultados alcançados e a adesão das participantes, o grupo permanece no planejamento das unidades para 2026, demonstrando potencial de replicabilidade em outros serviços do SUS, contribuindo para a qualificação da assistência e melhoria da qualidade de vida das mulheres atendidas.
Climatério, Menopausa, Incontinência Urinária
HELLEN MARTINS RODRIGUES DE SOUZA, GIULIA SILVA SANTOS