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O presente projeto relata a trajetória terapêutica de M.J.T, 57 anos, portadora de deficiência intelectual moderada (CID F71), acompanhada pelo CAPS desde 2006. Ao longo de sua história, a paciente apresentou importante vulnerabilidade social, conflitos familiares e desorganização do cuidado, culminando em risco psicossocial grave. A ausência de rede de apoio efetiva, aliada à precariedade da moradia e à descontinuidade do tratamento, agrava quadros de agitação, heteroagressividade e depressão. Diante desse cenário, a equipe do CAPS articulou um plano terapêutico ampliado com base na RAPS (Rede de Atenção Psicossocial), acionando dispositivos como CREAS e Residência Inclusiva para assegurar proteção integral, acesso a benefícios sociais e manejo clínico-psiquiátrico adequado. A justificativa deste relato é evidenciar a potência do trabalho intersetorial na promoção do cuidado em liberdade, demonstrando que a institucionalização, quando pautada na garantia de direitos, pode representar inclusão social e não violação.
O objetivo geral foi promover cuidado integral e digno à paciente com deficiência intelectual e sofrimento psíquico, fortalecendo a articulação intersetorial da RAPS. Objetivos específicos: assegurar condições mínimas de saúde, moradia e autocuidado; articular rede intersetorial entre CAPS, CREAS e família; viabilizar acesso ao benefício BPC/LOAS; garantir cuidado em liberdade; institucionalizar a paciente em Residência Inclusiva sem caráter asilar.
A experiência desenvolveu-se entre 2023 e 2024, com abordagem integral centrada na paciente e sustentada pela RAPS. A equipe técnica e médica do CAPS iniciou visitas domiciliares conjuntas com o CREAS, a fim de compreender o contexto social e as barreiras familiares. Foram realizadas entrevistas motivacionais, rodas de conversa com familiares e articulações administrativas para acesso ao benefício BPC/LOAS. Com a recusa familiar em assumir o cuidado, elaborou-se plano intersetorial considerando as comorbidades clínicas. Com a piora do quadro clínico e episódio depressivo com ideação suicida, a paciente foi acolhida em regime de hospitalização noturna até a efetivação de vaga em Residência Inclusiva.
A inserção na Residência Inclusiva, fruto da articulação intersetorial, resultou em melhora expressiva do quadro clínico e psiquiátrico. A paciente apresentou estabilização dos sintomas depressivos, remissão da ideação suicida e controle adequado das comorbidades médicas. Observou-se melhoria significativa da qualidade de vida, alimentação equilibrada e regularidade no uso das medicações. O ambiente institucional mostrou-se acolhedor, promovendo autonomia e convivência social. O caso tornou-se exemplo de êxito da articulação entre políticas públicas e cuidado em liberdade.
A experiência demonstra que o cuidado em saúde mental exige integração contínua entre setores. A trajetória de M.J.T evidencia que a institucionalização pode promover dignidade quando realizada sob a ótica da RAPS. O caso reforça que o verdadeiro cuidado em liberdade não se limita à ausência de muros, mas à presença de redes protetivas que garantam direitos e qualidade de vida.
Cuidado Integral, Proteção Social, Vulnerabilidade
SANDRA APARECIDA DA SILVA, JACOB VICTOR DE SANTANA COSTA, BRUNA BADOLATO