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A Organização Mundial de Saúde (OMS), define Cuidados Paliativos como abordagem capaz de melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças ameaçadoras e limitantes da vida. Ainda, previne e alivia o sofrimento, por meio de diagnóstico precoce, assistência e tratamento adequados da dor e outros problemas, físicos, psicossociais e espirituais, respeitando e promovendo dignidade para o paciente, independentemente de idade, sexo, crença ou qualquer fator socioeconômico. Dentre as doenças ameaçadoras e limitantes temos as oncológicas, as cardiovasculares, como a insuficiência cardíaca crônica e os acidentes vasculares; as respiratórias, como insuficiência respiratória crônica; as metabólicas, como diabetes; as infecciosas, como AIDS e tuberculose resistente; as insuficiências renal e hepática; as reumatológicas e autoimunes, como lúpus; as anomalias congênitas e as neurodegenerativas, como ELA e demências. Observando o cenário do município de Santos (Boletim Epidemiológico de Santos nº 5, edição 2023), de 2018 a 2022, as principais causas básicas de morte foram doenças do aparelho circulatório (28%), seguidas por neoplasias (19%), doenças respiratórias (10%) e doenças que acometem o sistema nervoso (7%). O município de Santos apresenta maior proporção de idosos do Estado de São Paulo, 24,8% da população, 107 836 habitantes, nos quais os agravos de doenças crônicas são mais frequentes e consequentemente a necessidade de abordagem paliativa do cuidado.
Geral: Melhorar a qualidade da assistência prestada através da formação de Grupo de Trabalho em Cuidados Paliativos. Específico: Ampliar conhecimentos através da troca de experiências e saberes entre profissionais chave de áreas diversas da gestão, assistência e regulação nos diferentes níveis de cuidado da Secretaria de Saúde do Município de Santos; Discutir, difundir e aumentar o conhecimento sobre a abordagem Paliativista na Rede de Assistência à Saúde da Secretaria de Saúde do Município de Santos.
Nos últimos anos, ao observar o cuidado prestado aos pacientes internados em unidade Hospitalar de Pequeno Porte Central (HPP-C/ SEPROS-C) do município de Santos, profissionais atuantes em diversas áreas buscaram qualificação profissional através de especialização em Cuidados Paliativos, a fim de prestar cuidado adequado e digno. O perfil de atendimento da unidade é maioritariamente composto por idosos e pacientes em vulnerabilidade, acometidos por doenças ameaçadoras ou limitantes da vida, muitos com internações prolongadas. Por ser unidade de internação referenciada, a porta de entrada são as UPAs e, na alta, o destino são as Unidades ligadas à Atenção Básica, envolvendo toda a Rede de Assistência à Saúde. Diante desse quadro, a gestão do HPP-C articulou a formação do Grupo de Trabalho em Cuidados Paliativos, formado por profissionais de áreas diversas da gestão, assistência e regulação, nos diferentes níveis de cuidado, sendo médicos, farmacêuticos, enfermeiros, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fonoaudiólogos entre outros, na área técnica, e administrativos. Profissionais chave convidados podem ser especializados em Cuidados Paliativos ou com experiência na área e aqueles capazes de articular o cuidado em rede, a fim de discutir iniciativas para promover e viabilizar cuidado adequado. As reuniões ocorrem mensalmente, intercalando horários para não impactar a rede e permitir a participação da maior parte de profissionais, visto ser grupo voluntário.
Os encontros do Grupo de Trabalho em Cuidados Paliativos permitiram conhecer a realidade dos profissionais envolvidos e dos atendimentos realizados por eles, bem como troca de saberes, reforçando a interdisciplinaridade do cuidado. Também, planejar e delimitar etapas para implementar Cuidados Paliativos na Rede de Assistência à Saúde, considerando a realidade atual e as limitações abordadas. Atividades de sensibilização e educação, em vários níveis, de forma disseminada pela rede, gradual e contínua, assim como apresentado pelas políticas Nacional, Estadual e Municipais de Cuidados Paliativos, mostraram ser o eixo central das ações a serem implementadas. Oficina realizada na Semana David Capistrano, em novembro de 2024, iniciou atividades de sensibilização sobre o tema Cuidados Paliativos.
O ponto principal alcançado até o momento foi chamar atenção para a necessidade de discussão do tema e implementação de ações capazes de melhorar o cuidado ao paciente prestado na rede, unir e interligar agentes capazes de promover mudanças reais. O caráter voluntário dos participantes, que dedicam tempo fora de suas jornadas para as atividades discutidas no Grupo, é um desafio, assim como questões como recursos disponíveis, sejam gerenciais, materiais, estruturais ou humanos.
Cuidados Paliativos, humanização, cuidado integral
MARIA TERESA ALVES DE AGUIAR SANTOS, RENATA FERREIRA TAVARES, LUCIANA DE CARVALHO SILVA