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A literatura em saúde pública demonstra que transtornos mentais iniciados na adolescência aumentam significativamente o risco de incapacidade funcional, vulnerabilidade socioeconômica e pior qualidade de vida no envelhecimento. Sob a perspectiva do curso de vida, intervenções precoces configuram estratégia custo-efetiva para reduzir doença e desigualdades futuras em saúde. Desde maio de 2023, a Casa do Adolescente de Taboão da Serra (SP) implementou modelo integrado de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), pela Naturologia, articulando arteterapia, pintura de mandalas, escalda-pés com ervas medicinais e aromas terapêuticos, e oficinas de produção de sachês para autocuidado e potencial geração de renda. A condução é realizada pela naturologa Nalva Lima, integrada ao cuidado interdisciplinar da CASA. A experiência beneficiou 240 adolescentes em situação de vulnerabilidade psicossocial e envolveu 100% da equipe multiprofissional, ampliando o impacto institucional. A proposta articula promoção de saúde mental, fortalecimento de vínculos, educação em saúde e desenvolvimento produtivo, alinhando equidade, humanização e inovação tecnológica leve no âmbito do SUS municipal.
Avaliar a efetividade, custo-efetividade e impacto institucional de práticas integrativas associadas ao protagonismo juvenil no cuidado em saúde mental no SUS municipal. Objetivos específicos: • Reduzir sintomas de ansiedade e estresse; • Aumentar adesão terapêutica e vínculo com a rede de atenção; • Desenvolver competências socioemocionais e produtivas; • Fortalecer integração multiprofissional; • Produzir evidências para replicabilidade do modelo; • Contribuir para redução de iniquidades e prevenção de agravos ao longo do curso de vida, favorecendo envelhecimento saudável.
Estudo descritivo de intervenção assistencial com abordagem quantitativa e qualitativa. Participaram 240 adolescentes com queixas predominantes de ansiedade e sofrimento emocional moderado. O modelo foi estruturado em três eixos integrados: 1. Arteterapia com mandalas, promovendo organização simbólica e regulação emocional; 2. Escalda-pés com ervas medicinais e aromaterapia, associado a respiração guiada; 3. Oficina de produção de sachês terapêuticos, incorporando noções de autocuidado, organização produtiva e potencial comercialização. Foram aplicadas escalas simplificadas de ansiedade antes e após ciclo de quatro encontros. Indicadores de adesão às psicoterapias e participação nas atividades foram monitorados. A equipe participou integralmente das oficinas, fortalecendo integração institucional. A análise incluiu variação percentual de sintomas, frequência de participação e avaliação qualitativa de impacto psicossocial e organizacional. O modelo utiliza insumos de baixo custo (bolinhas de gude, sal grosso, óleos essenciais, ervas medicinais e bacia) e alta aceitabilidade cultural, reforçando sua viabilidade e sustentabilidade no SUS.
Após quatro encontros, 74% dos adolescentes apresentaram redução ≥40% nos escores de ansiedade autorreferida. Houve melhora de concentração em 61% dos participantes e redução de queixas somáticas associadas ao estresse em 68%. A adesão às psicoterapias aumentou 37% entre os adolescentes participantes regulares das oficinas. A produção de sachês registrou 85% de engajamento ativo, com relatos de fortalecimento da autoestima e percepção de capacidade produtiva. Entre os profissionais, 92% relataram melhora na integração da equipe e maior alinhamento interdisciplinar. Observou-se redução de conflitos institucionais e maior coesão nas discussões clínicas. A experiência demonstrou impacto clínico, psicossocial e organizacional, com elevada relação custo-benefício. Sob a perspectiva do envelhecimento, a redução precoce de estresse crônico e o fortalecimento de competências emocionais configuram fatores protetivos associados à manutenção da funcionalidade ao longo da vida.
A experiência evidencia que PICS através da NATUROLOGIA integradas ao protagonismo juvenil constituem estratégia custo-efetiva, equitativa e replicável no SUS municipal. O modelo associa cuidado clínico, desenvolvimento social e fortalecimento institucional, ampliando a resolutividade da atenção psicossocial. Os resultados quantitativos e qualitativos indicam efetividade na redução de ansiedade, aumento de adesão terapêutica e melhoria do clima organizacional. A utilização de tecnologias leves e insumos de baixo custo reforça a sustentabilidade da proposta. Ao intervir precocemente sobre determinantes emocionais e sociais da saúde, o projeto contribui para redução de desigualdades e prevenção de agravos futuros, alinhando-se à promoção do envelhecimento ativo e saudável. Trata-se de experiência inovadora, com potencial de replicabilidade intersetorial e relevância estratégica para políticas públicas municipais.
PICS; casa do adolescente; SUS
CARLA ALESSANDRA BORGES, MARINALVA FERNANDES LIMA VIEIRA, CLAUDIA VALLONE, ALEXANDRE NOBUTOSHI TACHIBANA, CAROLINA MATIAS BELONIO, FABIANA VARGAS PEIXOTO, FERNANDA CAROLINA RABELO BARBOSA, LIDIANE LIMA CARVALHO, STANA HELENA GIORGI GROSSO, ANDRE LUIS OLIVEIRA LIMA, GERSON APARECIDO DIAS PINTO, AILTON GARCIA BOGALHO JUNIOR