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Localizada na região da zona sul da capital de São Paulo, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Praia está inserida em um território que abrange diferentes classes sociais, sendo este um desafio para alcançar a cobertura vacinal de crianças menores de 5 anos, sendo proposta em 90% de cobertura. As razões percebidas pela equipe para a hesitação vacinal por parte dos pais e responsáveis se dá por motivos como baixa confiança nas marcas dos imunobiológicos, perceção de baixo risco ao não aderir ao calendário vacinal e receio de possíveis traumas gerados no momento da vacinação. Tais fatores acarretam em baixa adesão ao esquema vacinal proposto pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). Outro ponto importante a ser considerado é o espaço geográfico do território, com um número alto de condomínios com sistemas de segurança que dificultam o acesso da equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF) para realizar busca ativa de crianças com atraso vacinal. Diante deste cenário a equipe de enfermagem de sala de vacina reconheceu a necessidade de desenvolver estratégias para enfrentar a hesitação vacinal no território.
Adoção de estratégias de intervenção para o enfrentamento da hesitação vacinal no território da UBS Vila Praia.
Em reunião técnica de sala de vacina foram pactuadas estratégias para combater a hesitação vacinal, sendo elas: 1. Atualização de todos as normas técnicas de imunobiológicos disponíveis em sala de vacina para apresentação dos pais e responsáveis, sempre que houver dúvidas em relação ao fabricante da vacina, caso o responsável permaneça inseguro a equipe deve solicitar imediatamente apoio das referências técnicas para auxiliar na orientação. 2. Equipe aderiu a ferramenta de WhatsApp institucional para manter contato com os responsáveis, sendo um canal para busca ativa de atrasos vacinais e para sanar duvidas das famílias. 3. Discussão de caso semanal durante as reuniões de equipe de ESF, para os casos com maior resistência houvesse a intervenção do enfermeiro, médico e equipe multiprofissional. 4. No momento da vacinação foram adotadas práticas lúdicas, como uso de desenhos e pinturas para orientar as crianças e responsáveis com intuito de humanizar o processo de aplicação de vacinal.
Após a implantação das ações, a equipe percebeu melhora da experiência dos pacientes, diminuição de intercorrências durante o atendimento, e demonstração de segurança dos usuários nos retornos programados. Assim como diminuição da sensação de estresse por parte da equipe de sala de vacina. Como evidencia de melhoria, em janeiro de 2025 a unidade mantinha uma cobertura vacinal de 89% e em dezembro do mesmo ano, a equipe alcançou a meta de 95,5% de cobertura vacinal ultrapassando a proposta de cobertura preconizada pelo município.
A experiência evidenciou que utilizar ferramentas de tecnologia leve é um diferencial para melhorar a experiência do colaborador e do usuário nos serviços de saúde, assim como qualificação efetiva no cuidado prestado a crianças e família. As práticas humanizadas fortaleceram o trabalho em equipe e contribuíram para a redução do estresse ocupacional, destacando que o atendimento baseado no acolhimento e respeito as individualidades geram impactado positivo na adesão a vacinação e assistência em saúde.
Atenção Primária a Saúde, Saúde da Criança
MARCELA DA GAMA LEAL