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A perda auditiva relacionada ao trabalho ou induzida pelo ruído ocupacional no ambiente escolar é uma questão preocupante, frequentemente negligenciada em comparação com outros setores. O ruído excessivo em pátios e salas de aula afeta a saúde dos profissionais da educação, levando a problemas como perda auditiva, tonturas, irritabilidade e distúrbios do sono. Embora a ABNT recomende limites de ruído entre 40 a 50 dBA, medições em escolas com mais de 25 alunos revelam níveis muito mais altos, variando de 63,8 dBA a 76,6 dBA. Fontes externas de ruído como pátio, cantinas e ventiladores também interferem. A exposição a esse ambiente ruidoso pode prejudicar tanto a saúde dos educadores quanto o aprendizado dos alunos, já que a inteligibilidade da fala é comprometida, gerando distrações, prejudicando assim o desempenho do aluno. Diante disso, é essencial que os profissionais da saúde priorizem a conscientização e a prevenção da perda auditiva. Para abordar essa questão, um projeto de promoção da saúde foi lançado em agosto de 2024, pela SEVREST/CEREST focando em ações para os trabalhadores da educação, buscando minimizar os riscos associados ao ruído nas escolas.
Objetivo geral Identificar os profissionais com alterações auditivas que atuam na rede municipal de Santos. Objetivos específicos • Verificar a percepção que o profissional da Educação tem em relação à sua saúde auditiva. • Realizar avaliação audiológica nos casos suspeitos de perda auditiva • Encaminhar os casos de perda auditiva constatada para avaliação e conduta otorrinolaringológica e outras, se necessário. • Identificar as alterações auditivas que podem ser classificadas como perda auditiva por ruído ocupacional (PAIRO). • Orientar quanto à conservação auditiva e prevenção de perda auditiva por ruído ocupacional (PAIRO).
A ação, elaborada pela fonoaudióloga da SEVREST e aprovada pelas secretarias de Saúde e Educação de Santos, teve a UME Ayrton Sena como local piloto, facilitando o acesso aos exames. Participaram professores, inspetores, porteiros, merendeiros e outros funcionários expostos a ruídos escolares. Foram realizadas exposições sobre ruído e perda auditiva, seguidas da aplicação de questionário de autoavaliação. Após análise dos questionários, os profissionais que relataram suspeita de perda auditiva foram submetidos à avaliação audiológica (audiometria e logoaudiometria). Os que apresentaram alterações foram encaminhados a médicos especialistas para diagnóstico e tratamento. A equipe da SEVREST vai aferir os níveis de pressão sonora na escola. Após, será realizada uma análise dos dados coletados e apresentados ao Programa Saúde na Escola. Por fim, haverá uma devolutiva aos participantes com sugestões para melhorar o ambiente de trabalho e a saúde.
Como a ação está em andamento, neste momento os resultados são iniciais e parciais. De todos os funcionários da escola, 45 responderam o questionário, dos quais 36 não referiram dificuldade de audição, com idade entre 23 a 70 anos. Já oito profissionais referiram dificuldade para ouvir, entender o que é falado, com idade entre 38 a 64 anos. Até o momento, 12 profissionais realizaram avaliação audiológica: 7 com resultados dentro dos padrões da normalidade e 5 com perda auditiva de várias configurações, mas nenhuma com característica de perda auditiva induzida por ruído ocupacional. Destes últimos, 2 não haviam relatado dificuldade em sua audição, nos questionários. Importante destacar o interesse dos profissionais quanto à audição, de modo geral, a partir do espaço aberto no momento da exposição sobre saúde auditiva, como histórico de doenças no ouvido, dificuldades em entender o que é falado em determinados ambientes, entre outros temas.
Embora os resultados ainda sejam iniciais, impossibilitando análise ampla e completa, foi observado que o fato dos profissionais participarem da ação, despertou e motivou maior atenção e percepção de sua audição e, consequentemente, comunicação e qualidade de vida. Também foi constatada a necessidade de ações frequentes e efetivas em relação à saúde auditiva dos profissionais da Educação como um todo, pois são mais frequentes em relação à saúde vocal dos professores. A partir dos resultados, pode-se construir ações que visem a prevenção e o cuidado da saúde auditiva destes trabalhadores em toda a rede municipal.
perda auditiva, ruído, saúde do trabalhador
ELIANE SELMA DO VALLE BLANCO