Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A mortalidade infantil é um indicador crucial da saúde e das condições de vida de uma população. Refere-se ao número de crianças que morrem antes de completar um ano de vida. Nos últimos anos, houve uma redução significativa nas taxas de mortalidade infantil globalmente, graças as melhorias nos serviços de saúde, como maior acesso ao pré-natal, vacinação e promoção do aleitamento materno. Contrariando essa tendência, o território de Guaianases apresentou aumento em seu coeficiente de mortalidade infantil no ano de 2023. Neste ano, a taxa de mortalidade infantil no Brasil foi de 12,5 óbitos por mil nascidos vivos; esse valor representou a menor taxa de mortalidade infantil e fetal por causas evitáveis dos últimos 28 anos. Já em Guaianases alcançamos 21,3 óbitos por nascidos vivos, ou seja, uma diferença de quase 75% em comparação ao índice nacional. Sabe-se que as causas de óbito em menores de um ano de vida são multifatoriais, levando-se em consideração questões como regiões mais pobres, onde as condições de vida e o acesso aos serviços de saúde são limitados, assistência ao Pré Natal deficitária, complicações no parto, entre outras. Esta condição causou grande impacto nos trabalhadores da saúde local, visto que, muitos dos desfechos são evitáveis com intervenções de saúde adequadas. À partir daí, emergiu um intenso e enérgico movimento para melhoria e transformação deste índice, propondo-se uma intervenção rápida, eficaz e eficiente.
Diminuir a disparidade entre o coeficiente de mortalidade infantil do município de São Paulo em relação ao cenário da STS Guaianases, garantindo a atenção integral e equânime no acesso à saúde. Aumentar adesão das mulheres em idade fértil nos grupos educativos/Planejamento Reprodutivo • Qualificar os profissionais de saúde nos diferentes níveis assistenciais quanto ao Pré Natal/Parto/Pós Parto • Sensibilizar os profissionais da saúde quanto ao cuidado dos recém nascidos de risco, prevenindo a morbimortalidade, com ênfase na promoção do Aleitamento Materno exclusivo.
Buscou se evidenciar através de boletins epidemiológicos, sistemas de informação e indicadores de saúde, quais são os gargalos assistenciais presentes em nosso território. Acrescentando e ratificando o que foi observado através deste levantamento, realizamos discussões com a equipe técnica e assistencial e, através do método de brainstorming pudemos levantar os desafios à partir da percepção de todos. Para fortalecimento e alcance do objetivo geral utilizamos todos os espaços disponíveis para discussão e sensibilização dos profissionais como prática em educação permanente, realizamos visitas técnicas in loco para ponderação de todos os casos de óbito infantil local e auditoria de prontuários de Pré natal ativo, com vistas à identificar possíveis gap e já realizar momento educativo com os envolvidos, incluindo profissionais assistenciais e administrativos. Implementamos o Curso de Manejo Clínico ao Aleitamento Materno, o que posteriormente culminou na fundação da Comissão de Aleitamento Materno. Realizamos também, um treinamento com a equipe de cada serviço responsável pelo monitoramento e vigilância da assistência materno infantil, conhecida como Time Maternar, para que os mesmos sejam multiplicadores em suas respectivas unidades. Montamos um formulário eletrônico onde, mensalmente as UBS nos encaminham as informações relativas aos seus serviços. Esta ação nos possibilita monitorar a efetividade das ações programadas e o impacto, quase em tempo real, destas atividades.
Os resultados obtidos à partir desta experiência, revelam insights significativos sobre a assistência prestada em nosso território, sobre a necessidade da articulação em rede e a importância da educação permanente como ferramenta de gestão em saúde. Diante das ações implementadas e o engajamento de todo o território, alcançamos, em dados preliminares, a redução de aproximadamente 40% em nosso coeficiente, indo de 21,3 para 14,1 óbitos por mil nascidos vivos, evidenciando assim a notoriedade das atividades implementadas.
Em conclusão, observamos que a importância do engajamento e comprometimento dos profissionais na saúde diante um objetivo em comum se faz primordial e essencial. Através do trabalho em equipe coeso e organizado podemos alcançar um excelente resultado. A busca por melhores condições de assistência em saúde materno infantil será sempre uma prioridade em nosso território, em prol da redução do coeficiente de mortalidade infantil a taxas de 10 óbitos por mil nascidos vivos, conforme recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), quiçá, para abaixo do que o proposto, interpondo barreiras psicossociais, econômicas e de saúde.
Cuidando, futuro
ALINE PEREIRA GOMES DA SILVA, EVELYN DE SOUZA VIANA CONCEIÇÃO