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A culinária tem se destacado como uma ferramenta prática de empoderamento dentro dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), oferecendo uma abordagem terapêutica única para promover a saúde mental e a autonomia dos indivíduos em reabilitação psicossocial. Integrar a culinária no contexto dos CAPS visa utilizar essa atividade como um meio estratégico para desenvolver habilidades sociais, emocionais e funcionais. Essa prática não se limita a um simples exercício recreativo, mas é uma ferramenta que facilita o planejamento, a organização e a comunicação, além de promover o autocuidado e a expressão pessoal. A importância da culinária como intervenção reside em sua capacidade de diversificar as estratégias terapêuticas, criando um ambiente inclusivo e motivador que pode reduzir o estigma associado à saúde mental e incentivar a participação ativa dos usuários. Realizar essa experiência é fundamental para explorar métodos que valorizem o potencial dos indivíduos e ofereçam oportunidades concretas para seu desenvolvimento. A culinária como prática terapêutica proporciona um espaço para a expressão criativa e a construção de vínculos sociais, essenciais para a reabilitação. Na prática, a culinária demonstra seu valor na promoção da autonomia e do bem-estar mental.
A prática da culinária como uma ferramenta estratégica nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), tem como objetivo promover o empoderamento dos usuários, estimular a autonomia no cotidiano e contribuir para a melhoria da saúde mental, atuando como uma atividade terapêutica, que favorece a reabilitação por meio da construção de habilidades sociais, emocionais e funcionais no processo de reabilitação psicossocial.
Para registro da atividade e contemplação do seu uso no cotidiano, foi desenvolvido um caderno de receitas com informações básicas e ilustradas sobre higienização, medidas caseiras, termos culinários, controle de temperatura do forno e as receitas utilizadas. Os usuários participam da escolha da receita, levando em conta suas preferências e necessidades. As práticas variaram desde a cocção de alimentos comuns na cultura brasileira, o bolo de aniversariantes do mês, até receitas mais elaboradas, com potencial para geração de renda. Durante a atividade, as tarefas foram divididas, incentivando a participação dos usuários em todas as etapas, da escolha das receitas até a preparação e a distribuição dos alimentos para os demais usuários presentes na instituição. Para a execução, foram utilizados ingredientes básicos, utensílios de cozinha e materiais de limpeza. Os recursos financeiros para os insumos e manutenção dos utensílios vieram do orçamento regular do CAPS. As sessões ocorreram semanalmente, seguindo uma sequência: escolha da receita, divisão de tarefas, preparo dos alimentos e partilha da refeição. A equipe acompanhou o progresso dos usuários, garantindo segurança e supervisão. A avaliação foi realizada ao final de cada ciclo, com a participação dos usuários e da equipe, discutindo os resultados e o impacto das atividades no cotidiano.
A experiência culinária desenvolvida no CAPS proporcionou resultados positivos no desenvolvimento pessoal dos usuários. Relatos dos usuários indicaram um aumento na autonomia em suas atividades cotidianas, acompanhado de melhorias em suas habilidades organizacionais, de trabalho em equipe e comunicação interpessoal. A construção da atividade permitiu o desenvolvimento de habilidades básicas e simples como higiene pessoal e sanitária, conhecimento de medidas volumétricas, uso e aproveitamento de alimentos e os processos de cocção, competências fundamentais para a reabilitação psicossocial. No aspecto social, a atividade favoreceu a integração dos usuários, promovendo a cooperação mútua e o fortalecimento dos laços interpessoais, tanto entre os participantes, quanto entre estes e aos demais usuários. O momento de partilha das refeições com os demais usuários e a importância da construção do bolo de aniversariantes do mês, se consolidou como um espaço coletivo de convivência e interação, proporcionando um ambiente acolhedor, no qual os usuários puderam expressar a alegria da construção do produto culinário, além de compartilhar suas necessidades e expectativas, o que reforçou a inclusão e o pertencimento social.
Em conclusão, a promoção do trabalho em equipe durante a atividade culinária foi fundamental para estimular a comunicação, a cooperação e o fortalecimento dos vínculos interpessoais entre os usuários. Esse processo contribuiu de forma significativa para a reabilitação psicossocial e o fortalecimento da autonomia, elementos essenciais no contexto da saúde mental. A prática culinária, além de favorecer o desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e funcionais, destacou-se como uma estratégia eficaz na criação de um ambiente acolhedor e inclusivo no CAPS, reforçando seu papel no cuidado integral e na promoção do bem-estar dos usuários.
Culinária; Autonomia; Saúde Mental; Reabilitação;
INGRID CAMPOS MIGUEZ FERREIRA, GABRIELLA FACUNTE OLIVEIRA