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A violência contra profissionais saúde, sobretudo da área da enfermagem, tem se tornado cada vez mais comum, trazendo inúmeros transtornos para a saúde física e mental dos profissionais da saúde e afastamento de suas funções. A violência no ambiente de trabalho prejudica a qualidade da assistência e concomitantemente a isso, prejudica a qualidade de vida do profissional, gerando sentimentos de insatisfação, retraimento, medo, angústia, ansiedade, depressão, associadas à agressão sofridas (Fabri, 2022). Situações de agressões podem se transformar em gatilhos para causar transtornos psicológicos, que muitas vezes só são percebidos em longo prazo, resultando em doenças psicossomáticas, afastamento do trabalho, muitas vezes o retorno às atividades laborais jamais irão ocorrer, uma vez que muitos profissionais ficam permanentemente incapacitados para retornar para suas funções. Este projeto se justifica pela importância de privilegiar o diálogo e a mediação para resolver conflitos, evitar ocorrências de violência e preservar a saúde física e mental dos colaboradores.
Objetivo geral Ampliar o debate sobre a problemática da violência vivenciada pelos profissionais da unidade. Objetivos específicos – Identificar as causas da violência; – Minimizar os conflitos, tanto de usuários e colaboradores quanto entre os colegas de trabalho; – Identificar os principais agressores para que seja formalizada a denúncia de agressão e tomadas as providências cabíveis, as principais vítimas; – Elaborar estratégias de conscientização voltada para usuários e acompanhantes em nossa unidade; – Divulgar para todos os nossos colaboradores ferramentas e iniciativas do CEJAM para o fortalecimento da saúde mental dos colaboradores, como o Zenklub, uma plataforma gratuita disponibilizada pela empresa voltada para a saúde mental que oferece psicoterapia e Coach, convênio com SESC e Totalpass (convênio com academias), dentre outras estratégias voltadas para a saúde física e mental oferecidas pelo CEJAM aos seus colaboradores.
Relato de experiência, através do debate com os colaboradores, acerca das questões relacionadas à sua percepção no que se refere às motivações da violência (física, mas verbal e moral), identificar o principal público alvo e os agressores, se pacientes, familiares e acompanhantes ou colegas de trabalho. Com base nestas informações coletadas elaboramos material informativo, por meio de material impresso, vídeos informativos, depoimentos de colaboradores, explicação sobre o fluxo da unidade, orientações sobre como funciona a classificação de risco e o porquê alguns pacientes recebem prioridade no atendimento, explicar as consequências das agressões e implicações civis e criminais, também expor como a violência afeta a assistência na unidade, a vida profissional e a saúde do colaborador. As ações tiveram como foco o diálogo, a mediação, a empatia, compreensão, diversidade, direitos humanos e inclusão.
Realizamos um levantamento interno de nossa unidade, e de acordo com dados colhidos da CIPA, em 2023 tivemos 22 notificações violência contra colaborador, em todos os meses tivemos pelo menos uma ocorrência. Em 2024 (até o mês de agosto), período em que foi realizado o levantamento das informações, já haviam sido notificados 18 casos de violência. A partir destes dados, otimizamos algumas ações que incluem orientações verbais realizadas nas salas de espera da unidade, com objetivo de sensibilizar os pacientes e informar sobre o fluxo de atendimento da unidade, disponibilização de um ata de fluxo para auxiliar no corredor do atendimento médico, visando organizar e agilizar os atendimentos, bem como o acolhimento do colaborador vítima de agressão pelo Núcleo de Prevenção à Violência.
Em virtude do aumento crescente dos índices de violência nos últimos anos em nossa unidade, identificamos a necessidade de ampliar a comunicação Não Violenta, melhorar a qualidade da assistência ao paciente e aumentar a satisfação com o atendimento recebido na unidade, bem como acolher os colaboradores vítimas de agressões. Por se tratar de uma epidemia global, a questão da violência, que é considerada uma violação aos direitos humanos, exige ações que diminuam os índices e os impactos aos profissionais da saúde, educação em saúde e cidadania e amplo debate com gestores, entidades de classe e órgãos nacionais e internacionais ligados à saúde e direitos humanos. Todos os colaboradores e setores da unidade, sobretudo o serviço social estão sempre disponíveis para acolher os pacientes e realizar escuta qualificada, buscando a mediação dos conflitos e resolução dos problemas, bem como reforçar, tanto com os colaboradores quanto com os usuários, para que se comprometam em criar um ambiente de trabalho saudável, baseado na tolerância, no respeito, na solidariedade e na paz.
Violência profissional da saúde; Cultura de paz.
MARCOS MAZZINI BRESSAN