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Historicamente, os povos originários brasileiros carregam marcas do racismo e as sequelas desse tipo de crime permanecem estampadas nos perfis dos mais antigos, como das novas gerações dos indígenas. Essa forma de pensar e agir racista são manifestadas de várias maneiras, desde a discriminação direta, até a marginalização social e econômica. A discriminação também é crime previsto em lei e passível de punição com multa e prisão de até cinco anos, A Lei Federal 7.716/89, conhecida como Lei do Racismo, prevê que “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, o que inclui os indígenas. A UBS Real Parque em São Paulo, com uma composição mista, contém uma equipe de Estratégia Saúde da Família Indígena para etnia Pankararu (ESFI). A ESFI reconhecendo o impacto à saúde oriundo de experiências racistas, ciente das lutas dos povos indígenas em contexto urbano e manifestações de resistência da etnia Pankararu mobiliza-se para combater o racismo por via da educação de modo a promover saúde. Iniciando projeto de cultura indígena na escola em parceria territorial com ONG de contraturno escolar, conduzido diálogo e troca de saberes entre Agente Indígena de Saúde Pankararu, as crianças e os adolescentes, abordando o indígena em contexto urbano e o racismo.
Combater o racismo Promover saúde indígena em contexto urbano Valorização dos cuidados tradicionais Reconhecimento dos indígenas em contexto urbano
Pesquisa qualitativa com grupo focal com turma escolar em período do contraturno, duração de 1h30, composto por alunos de 10 à 14 anos, grupo fechado, ocorreu em uma ONG dentro do território da UBS e abrangência da ESF Indígena Pankararu. Os grupos foram organizados com 4 encontros com as seguintes dinâmicas: No 1º encontro, a partir dos questionamentos das características de uma pessoa indígena, sua moradia, hábitos alimentares, vestuários e atividade laboral, partindo das respostas compartilhadas pelos alunos foram direcionados para ilustrar o indígena em folha de sulfite com lápis de cor No 2º encontro um Agente Indígena de Saúde da ESF Indígena Pankararu (AIS) compartilhou algumas ervas de chá e banhos e estimulou trocas de saberes entre as crianças e adolescentes No 3º encontro as crianças e adolescentes foram questionados sobre o conhecimento de indígenas que residem no mesmo bairro. Discutido o estereótipo da pessoa indígena em contexto urbano e a referência histórica do indígena colonizado em 1500. No 4ª encontro propusemos revisar com as crianças e adolescentes suas percepções sobre saberes compartilhados nos encontros e convidamos a ilustrar o indígena a partir desse novo olhar aos povos originários sejam aldeados ou em contexto urbano.
Oficina garantiu espaço seguro de fala para as crianças e adolescentes descrever suas referências sobre os indígenas, identificar territorialmente colegas e vizinhos indígenas da etnia Pankararu, compartilhamento coletivo dos saberes dos fitoterápicos e a partir de uma expressão artística visual a mudança da percepção do indígena em contexto urbano e aldeado, favorecendo a desconstrução do estereótipo, preconceito e racismo.
Consideramos o projeto exitoso, alcançou seu objetivo e obtemos ilustrações que demonstram o combate ao racismo, preconceito e estereótipo. Realizamos amostra cultural no abril indígena de 2024 na UBS e propomos manter o projeto em 2025.
cultura indígena, racismo, promoção da saúde
MARIA LIDIA DA SILVA, THAIS DE SÁ COSTA, IVONETE CARVALHO PAIVA, CATIANE ALVES DE MOURA