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O Diabete Melittus (DM) é uma doença muito prevalente, estima-se que 8,9% da população adulta brasileira seja portadora da doença. Além de prevalente, ela traz um grande impacto na qualidade de vida dos seus portadores e é um dos principais fatores de risco para mortalidade precoce. Apesar dos avanços no tratamento medicamentoso e sua disponibilidade pelo SUS, boa parte destes indivíduos não conseguem um controle glicêmico adequado. A ideia de realizar o curso surgiu na percepção, durante os atendimentos clínicos e reuniões de equipe, de uma demanda elevada de pacientes com DM descompensados da população adstrita da USAFA GUILHERMINA do município de Praia Grande – SP.
O objetivo foi construir um curso de educação de saúde para portadores de diabetes para maior empoderamento dos participantes sobre a sua condição de saúde. Com um maior conhecimento sobre o processo de saúde adoecimento do Diabetes Melittus os indivíduos aumentam sua autonomia no controle da doença. Desta forma passam a adotar um estilo de vida mais saudável, um aumento na adesão ao tratamento medicamentoso e por fim melhorar a sua qualidade de vida.
O curso foi idealizado para participarem no máximo 20 pessoas, um grupo fechado com encontros semanais. No primeiro encontro exploramos a experiência da pessoa ao receber o diagnóstico de diabetes. Quais sentimentos e ideias sobre a doença. Logo após, uma breve explicação sobre a fisiopatologia do adoecimento foi realizada. No encontro seguinte abordamos a influência da alimentação no diabetes, explicamos os macronutrientes dos alimentos e a sua influência na glicemia. Usamos diálogos, vídeos e a própria experiência do paciente para abordar esses temas. No terceiro encontro os participantes trouxeram rótulos dos alimentos e aprenderam a ler a tabela nutricional, os seus ingredientes e a identificar o açúcar oculto desses alimentos. Foi realizada uma dinâmica mostrando a quantidade de açúcar dos alimentos costumeiramente consumido pelos participantes. No quarto encontro foi explanado o que acontece com o organismo quando fazemos exercício físico e como ele contribui para o balanço energético do organismo e para o controle dos níveis glicêmicos. Foi realizada a medição de dados antropométricos de cada participante e se necessário foi estipulada uma meta de perda de peso individualizada. No quinto encontro discutimos as metas de controle do DM, da importância de acompanhamento regular com a equipe de saúde. No último encontro fizemos o fechamento com a entrega de certificados, feedback sobre o curso, um coffee break de alimentos saudáveis preparados pelos participantes.
Em relação da experiência com a doença foi relatado por alguns participantes o sentimento de medo e desesperança após o diagnóstico. Grande parte dos participantes tinham a clara ideia que os erros na sua alimentação foram os responsáveis pelo seu adoecimento, mesmo assim ainda não tinham mudado seus hábitos alimentares. A abordagem da alimentação foi momento de grande impacto, pois descobriram a quantidade de açúcar que continha em certos alimentos que acreditavam ser saudáveis e que faziam parte do seu consumo diário. Essa dinâmica proporcionou uma maior autonomia para que os participantes façam escolhas alimentares mais saudáveis e com mais consciência. A maioria dos pacientes estavam com sobrepeso ou obesidade. Uma perda de peso de 5 a 7% já é suficiente para melhor controle metabólico. A partir desta informação uma meta de perda de peso foi estipulada individualmente. Perceberam que era uma meta possível de ser atingida e isso motivou eles a iniciarem práticas de atividade física. Os encontros foram momentos de troca de experiência muito rico onde alguns participantes ajudaram outros a superar algumas dificuldades e aumentar a motivação para controlar a sua doença. O curso também proporcionou um fortalecimento de vínculo entre os pacientes e a equipe de saúde da família o que é fundamental quando falamos de acompanhamento de condição crônica de saúde. Maior adesão as consultas, ao tratamento medicamentoso e mudanças de estilo de vida foram alguns dos resultados obtidos.
A educação em saúde é fundamental para que o diabético possa entender melhor sobre sua doença, compreender a importância da atividade física e alimentação saudável no controle da doença e melhorar a adesão ao tratamento. Esses conhecimentos são fundamentais para que essas pessoas possam aprender a gerenciar sua vida com maior autonomia e qualidade de vida. A execução destes cursos aumentou a adesão dos pacientes aos cuidados da equipe de saúde, houve melhora dos hábitos de vida e da sensação de bem-estar geral entre os participantes. Alguns ganhos secundários não previstos superaram as expectativas dos idealizadores, como a formação de amizades entre os participantes proporcionaram a prática de exercício físico em conjunto e um melhor convívio social. Passaram a cobrar um outro curso de diabetes nível 2 para que possam continuar a aperfeiçoar seus conhecimentos em relação à doença.
Diabetes mellitus, condições crônicas de saúde
Clovis Colares de Castro Filho, Michele Akemi Lopes yoshizaki, Alice Mourão Campos Patrício Rosa, Thalita Rocha da Silva Cruz