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Jundiaí é uma cidade que evolui com ótimos índices de desenvolvimento humano. O IDH elevado (0,82) coloca o município acima das médias Estadual e Nacional, o que reflete na qualidade de vida e dos serviços públicos prestados à população. Embora esse índice seja considerado elevado, a desigualdade social apontada no coeficiente de GINI evidencia uma desigualdade na distribuição de renda dos munícipes, o que impacta diretamente no uso dos serviços ofertados pela rede pública de saúde. Os serviços de saúde — privados ou públicos — têm enfrentado nas últimas décadas o grande desafio em organizar a rede de atenção em oncologia, com fluxos ágeis e diretrizes terapêuticas embasadas na incidência e prevalência, com atendimento adequado para os diferentes tipos de cânceres. Essa corrida contra o tempo inicia-se da suspeita da doença até a decisão médica do tratamento a seguir. A gestão municipal de saúde, com olhar no planejamento estratégico que reconhece o câncer como uma das principais causas de mortalidade no município e no cumprimento de diretrizes do SUS (Universalidade, Integralidade e Resolutividade), consolidou parceria não remunerada, sem aporte de recursos financeiros, com o setor de impacto social do maior Cancer Center do Brasil — o AC Camargo. A proposta potencializa o atendimento da Atenção Básica à Especializada e revisita a vulnerabilidade nos pontos nevrálgicos
Embora a Secretaria de Saúde de Jundiaí apresente estrutura institucional consolidada e com excelentes profissionais envolvidos nos processos de trabalho, reconhece que, dada a complexidade da temática oncológica, ainda não dispõe de condições técnicas exclusivas para, de forma autônoma, liderar e estruturar uma linha de cuidado oncológico atualizada e integral. A parceria com o setor de impacto social do A.C.Camargo representa, uma estratégia de fortalecimento institucional, permitindo o matriciamento da rede, a transferência de conhecimento técnico-científico e a capacitação das equipes, garantindo avanços imediatos e sustentáveis na política pública. A proposta prevê a análise e readequação da linha de cuidado oncológica, com mapeamento técnico da rede, adoção de diretrizes terapêuticas adequadas, capacitação de profissionais, e fortalecimento das ações de prevenção e rastreamento.
Com base em indicadores de saúde, sociais e econômicos, a metodologia adotada seguiu a proposta do parceiro A.C.Camargo. Inicialmente, realizaram-se reuniões com a gestão municipal para alinhamento de expectativas e levantamento epidemiológico da morbimortalidade oncológica local.Seguiu-se a etapa de imersão qualitativa para compreensão dos fluxos assistenciais e da percepção dos profissionais da rede. Esta fase ocorreu por meio de encontros presenciais, visitas técnicas e entrevistas estruturadas. Sob acompanhamento pari passu da articuladora municipal da parceria em todas as etapas. As técnicas do projeto Missão (A.C.Camargo) realizaram visitas a 12 Unidades Básicas de Saúde (etapa 1 da imersão). O processo respeitou as individualidades territoriais e colheu as percepções de equipes multiprofissionais, incluindo médicos, enfermagem, agentes comunitários e administrativos. Complementarmente, 20 profissionais da assistência e gestão foram entrevistados via online(etapa 2). O cruzamento das evidências quantitativas e da análise de discurso das etapas presenciais evidenciou desafios na integração de fluxos e na resolutividade do acesso. Por fim, unindo o diagnóstico populacional, a imersão no contexto e a inteligência de dados — seguindo o caminho metodológico do Grupo Sinergia —, realizou-se um workshop com profissionais dos três níveis de atenção (primária, secundária e terciária). O objetivo foi estruturar ações resolutivas e alinhadas à realidade cotidiana de cada serviç
A inteligência de dados do relatório final, elaborado pelos grupos Sinergia e A.C.Camargo, revela um perfil demográfico em envelhecimento, com concentração nas faixas de 40 a 44 anos e expressividade acima de 65 anos. Esse cenário converge com os padrões de morbidade hospitalar, onde predominam neoplasias de mama (CID C50), cólon e reto (CID C18 e C20) e pele (CID C44). Quanto à mortalidade prematura, os cânceres de pulmão, cólon, mama e pâncreas respondem por 45% dos óbitos oncológicos no município. A triangulação dos achados quantitativos e qualitativos evidencia uma rede potente, mas que demanda ajustes na coordenação e na resolutividade do cuidado. A partir do workshop com diversos atores da rede, algumas propostas foram consideradas: capacitação em suspeição oncológica para a Atenção Primária (APS) estruturação da linha de cuidado colorretal criação de metodologias de navegabilidade e qualificação dos protocolos de regulação de acesso e campanhas de prevenção. Como entregas finais, o projeto estabeleceu a necessidade de trilhas formativas específicas por categoria profissional materiais padronizados (check-lists, algoritmos e fluxos revisados) e a formação de multiplicadores para educação permanente nas unidades. A estratégia prevê ainda um ambiente de aprendizagem híbrido para acesso ágil aos conteúdos e a institucionalização das campanhas preventivas.
Em suma, a cooperação técnica com o A.C.Camargo Cancer Center ratifica a importância da confluência de propósitos e da análise baseada em evidências locais para o enfrentamento de fragilidades assistenciais. A partir da triangulação de dados e do diagnóstico local, o projeto avança agora para a estruturação de planos de ação resolutivos e adaptados à realidade de Jundiaí. O desfecho esperado é o estabelecimento de diretrizes sólidas, pactuadas com os diversos atores da rede, que garantam uma linha de cuidado oncológico mais ágil e sustentável.
Oncologia, diretrizes clínicas, Parceria Pub/Priv
RUTH DOS SANTOS ARAÚJO ROCHA, DAIANE ARRUDA SARAIVA, ANDREIA PINTO DE SOUZA, TATIANE DE LUCA BARBOSA, SUELLEN MARILIA DE SOUZA SILVA MELO, LUCIMARA DE LIMA MANTOVANI, ALLAN GOMES DE LORENA, MARCIA PEREIRA DOBARRO FACCI, LETÍCIA GABRIELA DA SILVA, TARSILA COSTA DO AMARAL