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A qualificação dos processos de trabalho na Atenção Básica é fundamental para a segurança do paciente e o uso racional de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Na saúde bucal, a distribuição de anestésicos odontológicos tradicionalmente ocorria de forma livre nas unidades, sem mecanismos sistematizados de rastreabilidade, dificultando assim o controle de estoque, a responsabilização sanitária e a vinculação do medicamento ao usuário atendido. A Sociedade Brasileira Caminho de Damasco, parceira na administração de unidades de saúde da Zona Norte de São Paulo, especialmente na Supervisão Técnica de Saúde Santana/Jaçanã/Tucuruvi/Tremembé, identificou esse cenário como um fator motivador para a construção de um fluxo inovador, em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Assistência Farmacêutica e do Programa Nacional de Segurança do Paciente. A experiência foi implantada em 18 unidades de Atenção Básica, envolvendo equipes de saúde bucal, assistência farmacêutica e gestão local. Destina-se aos profissionais de saúde e usuários do SUS atendidos nos serviços odontológicos, sendo relevante por integrar assistência e gestão, promover rastreabilidade medicamentosa e fortalecer a cultura de segurança do paciente no território.
Implantar um fluxo inovador e padronizado para a dispensação e utilização de anestésicos odontológicos em 18 unidades de Atenção Básica da Região Norte do Município de São Paulo. Assegurar a rastreabilidade do medicamento desde a dispensação até a utilização no usuário, por meio do Cartão Nacional de Saúde. Fortalecer o controle de estoque e o uso racional de anestésicos odontológicos. Ampliar a segurança do paciente por meio do registro sistemático do nome do anestésico, número do lote e validade em prontuário. Promover a integração entre saúde bucal, assistência farmacêutica e gestão, qualificando os processos de trabalho no SUS.
A experiência foi desenvolvida e implantada em 18 unidades de Atenção Básica da Supervisão Técnica de Saúde Tremembé/Jaçanã/Tucuruvi, a partir de diagnóstico situacional do consumo de anestésicos odontológicos. Com base nos dados levantados, definiu-se um quantitativo mínimo padronizado para distribuição controlada às equipes, substituindo o modelo anterior de livre acesso. Como estratégia inovadora, instituiu-se a obrigatoriedade de registro em prontuário da evolução clínica contendo nome do anestésico utilizado, número do lote e prazo de validade. Após os atendimentos, o cirurgião-dentista encaminha à farmácia a relação nominal dos pacientes atendidos, permitindo a baixa do medicamento no sistema de gestão municipal, vinculada ao número SUS. Participaram do processo cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal, farmacêuticos, equipes administrativas e gestores locais. As etapas incluíram pactuação com as equipes, orientação técnica, reorganização dos fluxos assistenciais, monitoramento contínuo e avaliação periódica dos resultados.
A implantação do fluxo inovador nas 18 unidades resultou em avanços expressivos na governança do uso de anestésicos odontológicos. Houve melhoria significativa no controle de estoque, com redução de perdas por vencimento, maior previsibilidade de consumo e racionalização das solicitações. Os registros clínicos tornaram-se mais completos e padronizados, permitindo a rastreabilidade do medicamento por paciente, com identificação do anestésico, lote e validade, ampliando a segurança do usuário e o respaldo técnico-profissional. Como ganho qualitativo, observou-se maior integração entre saúde bucal e assistência farmacêutica, além do fortalecimento da corresponsabilização das equipes pelo uso do medicamento. O fluxo também se consolidou como ferramenta estratégica para auditorias, vigilância sanitária e monitoramento da assistência, qualificando o cuidado prestado no SUS municipal.
A experiência implantada na Supervisão Técnica de Saúde Tremembé/Jaçanã/Tucuruvi demonstrou que a reorganização do fluxo de anestésicos odontológicos, com foco em rastreabilidade e segurança do paciente, é viável, inovadora e replicável no âmbito da Atenção Básica. A iniciativa fortaleceu a integração entre assistência odontológica, assistência farmacêutica e gestão, qualificando os processos de trabalho. Apesar das mudanças na rotina e da necessidade de maior rigor nos registros, os benefícios observados superaram os desafios iniciais. Como perspectiva futura, destaca-se a ampliação do modelo para outros insumos odontológicos e o aprimoramento dos sistemas de informação, consolidando uma cultura institucional de segurança, transparência e inovação no SUS.
Odontologia; Atenção Básica; Anestésico;
GUSTAVO HENRIQUE CAMPOS RODRIGUES, ANA CAROLINA DO VALLE DE MOURA LEITE, ANA BEATRIZ G. F. SANTOS, GABRIELA CRISTINA DOS SANTOS, MICHELLE DE OLIVEIRA MARIANI, CLAUDIO CAETANO DA SILVA