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A qualificação da assistência farmacêutica na saúde mental é estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento do uso contínuo de psicofármacos em adultos e pessoas em processo de envelhecimento. Na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o cuidado longitudinal exige monitoramento clínico, segurança terapêutica, corresponsabilização e promoção da autonomia do usuário. No CAPS Flávia Mingotte, no município de Americana – SP, até novembro de 2023 não havia atuação estruturada do profissional farmacêutico no cuidado direto aos usuários. O fracionamento de medicamentos era utilizado como medida de segurança em situações de risco de uso inadequado, porém sem acompanhamento farmacoterapêutico sistematizado ou integração formal ao Projeto Terapêutico Singular (PTS), limitando a integralidade e a continuidade do cuidado. A inserção do farmacêutico no serviço possibilitou a reorganização do processo de trabalho da assistência farmacêutica, integrando cuidado clínico, educação em saúde e apoio técnico à equipe multiprofissional. A experiência fortalece a política pública municipal, qualifica o uso racional de psicofármacos e amplia a resolutividade do SUS, contribuindo para um modelo de cuidado mais seguro e sustentável ao longo do processo de envelhecimento.
Implantar e estruturar a assistência farmacêutica no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Flávia Mingotte, integrando o farmacêutico à equipe multiprofissional e ao Projeto Terapêutico Singular (PTS), com organização de fluxos, padronização de processos e acompanhamento farmacoterapêutico sistemático. Fortalecer a adesão ao tratamento, ampliar a autonomia dos usuários quanto ao uso seguro de psicofármacos, qualificar a integralidade do cuidado e contribuir para a estabilização clínica, possibilitando, quando indicado, a transição qualificada para a Atenção Primária à Saúde (APS) no município de Americana – SP.
Com a inserção do profissional farmacêutico no CAPS Flávia Mingotte, em novembro de 2023, iniciou-se a reorganização do processo de trabalho da assistência farmacêutica na saúde mental. Foi elaborado Procedimento Operacional Padrão (POP) para o fracionamento de psicofármacos, assegurando padronização, segurança e rastreabilidade. Em janeiro de 2024, instituiu-se a consulta farmacoterapêutica individualizada, realizada nos atendimentos de referência e na entrega do fracionamento. Foram identificados problemas relacionados à farmacoterapia, realizadas intervenções clínicas e orientações quanto ao uso seguro dos medicamentos, incluindo manejo de efeitos adversos, registro sistemático em prontuário e articulação permanente com a equipe multiprofissional. Como instrumento estruturante, elaborou-se o Manual Municipal de Psicofármacos, em agosto de 2025, contemplando indicações, contraindicações, orientações de segurança e fluxo para solicitação de medicamentos de alto custo, atualmente em processo de validação institucional. Atualmente, 25 usuários encontram-se em acompanhamento farmacoterapêutico sistemático, com monitoramento contínuo de desfechos clínicos
A experiência impacta atualmente 25 usuários acompanhados sistematicamente, com melhora da adesão ao tratamento, ampliação da compreensão sobre a farmacoterapia, redução de intercorrências e fortalecimento do vínculo com o serviço. Como resultado emblemático, apresenta-se o caso de usuária acompanhada neste CAPS desde 2019, que iniciou acompanhamento farmacoterapêutico em janeiro de 2024, com fracionamento medicamentoso indicado devido ao risco de uso inadequado. Ao longo do ano, participou do grupo de Gestão Autônoma de Medicamentos (GAM), da hortaterapia e de atendimentos individuais multiprofissionais, incluindo consultas farmacêuticas e médicas. A partir das intervenções integradas, evoluiu com estabilização clínica progressiva, recebendo alta do fracionamento em dezembro de 2024. Mantendo estabilidade, foi encaminhada em dezembro de 2025 à Atenção Primária à Saúde (APS), consolidando transição qualificada do cuidado na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) municipal.
A experiência demonstra que a inserção estruturada do profissional farmacêutico na Rede de Atenção Psicossocial qualifica a política pública municipal, fortalecendo a integralidade, a equidade e a resolutividade do Sistema Único de Saúde. Ao reorganizar fluxos assistenciais, institucionalizar o acompanhamento farmacoterapêutico e desenvolver instrumentos técnicos, o município de Americana – SP consolidou modelo integrado de assistência farmacêutica à saúde mental, com impacto assistencial, sanitário e organizacional. A transição da lógica centrada na contenção para a promoção da autonomia reafirma os princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e contribui para a construção de um cuidado longitudinal, seguro e sustentável, especialmente relevante frente ao envelhecimento populacional e ao uso crônico de psicofármacos. Trata-se de experiência institucionalizada, com potencial de replicação em outros serviços da RAPS.
Assistência farmacêutica; saúde mental; RAPS
DANIELA FELIX MENEZES, FABIOLA BORINATO XIMENES, ANA RUBIA SOARES DE ANDRADE, DANILO CARVALHO OLIVEIRA