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A paciente Y.P.T., 19 anos, iniciou acompanhamento no CAPS Infantojuvenil aos 13 anos, sem adesão. Em 2023, retornou após tentativa de autoextermínio em contexto de uso abusivo de substâncias, impulsividade, comportamentos de risco e hipersexualidade. Apresentava ideação suicida, irritabilidade e baixa crítica, sendo diagnosticada com F70.0 e F91.3. Recebeu acolhimento em Hospitalização Diurna, atendimentos psiquiátricos, psicológicos e participação no grupo de família. Devido à sobrecarga, a mãe acionou o Conselho Tutelar e realizou entrega voluntária, sendo a jovem acolhida no SAT/SAICA. Após compreender a situação, apresentou crise e permaneceu quatro dias em Hospitalização Noturna. Com estabilização, retornou ao CAPS, iniciando PTS estruturado, grupos terapêuticos, visitas domiciliares e articulação escolar. O caso evidencia a relevância da RAPS, do cuidado territorial e das estratégias intersetoriais na proteção e reabilitação juvenil.
Promover estabilização clínica e redução de riscos; fortalecer vínculo terapêutico; ampliar habilidades sociais, emocionais e adaptativas; favorecer reinserção escolar e garantia de direitos; restabelecer vínculos familiares; estimular protagonismo e autonomia; articular dispositivos da RAPS (SAICA, UBS, Escola, Conselho Tutelar); e apoiar a construção de projeto de vida com segurança e cidadania.
O acompanhamento iniciou-se com Hospitalização Diurna, avaliação psiquiátrica e psicoterapia semanal. A mãe participou de um grupo de família. Após entrega voluntária, houve articulação com SAICA e Conselho Tutelar. A paciente passou por Hospitalização Noturna devido à crise emocional. Após estabilização, retornou ao CAPS e iniciou PTS com psicoterapia semanal, psiquiatria mensal, participação no grupo de teatro e visitas domiciliares. Houve articulação contínua com a escola para reinserção e monitoramento. Com a proximidade da maioridade, iniciou-se o matriciamento com a UBS para transição do cuidado. O protagonismo foi reforçado: após termo de consentimento, a paciente passou a comparecer sozinha ao serviço.
Após dois anos de acompanhamento, observou-se remissão da ideação suicida, melhora expressiva da impulsividade e abandono de comportamentos de risco. Houve ampliação da crítica da realidade, melhora do autocuidado, estabilidade emocional e engajamento no tratamento. A reinserção escolar foi alcançada, culminando na conclusão do ensino médio. A paciente retomou vínculos familiares e desenvolveu autonomia crescente. Em 2025, encontrava-se empregada, residindo de forma independente e mantendo participação ativa na rede de saúde. O caso demonstra o impacto positivo da RAPS e do cuidado territorial na reabilitação psicossocial.
A evolução de Y.P.T. demonstra a potência do cuidado em liberdade articulado à RAPS. A integração entre CAPS, SAICA, Conselho Tutelar, UBS e escola permitiu proteção integral e reabilitação psicossocial consistente. O uso de Hospitalização Diurna, Hospitalização Noturna, visitas domiciliares e PTS estruturado favoreceu ressignificação de traumas, fortalecimento da autonomia e reconstrução da cidadania. A transição de um quadro grave de risco para independência e estabilidade reforça a importância dos dispositivos comunitários e intersetoriais no cuidado de adolescentes e jovens em sofrimento psíquico.
Adolescente, Intersetorialidade, Reabilitação
JACOB VICTOR DE SANTANA COSTA, ANAÍZA ALINE DA COSTA BORGES OLIVEIRA, ARIANA APARECIDA DA SILVA